A Honda CG 160 foi a moto mais vendida do Brasil em julho de 2026, com 47.493 emplacamentos no ranking preliminar do mês. A liderança já era esperada, mas a folga sobre as rivais mostra algo bem brasileiro: por aqui, manutenção simples, peça fácil e revenda alta ainda falam mais alto.
Não foi briga apertada. A segunda colocada, Honda Biz 125, ficou em 21.219 unidades.
47.493 motos e uma distância enorme
A CG 160 segue fazendo o que sempre fez bem. Entrega motor flex de 162,7 cm³, 14,7 cv, versões para perfis diferentes e uma rede de concessionárias que cobre o país quase inteiro.
Tem Start, Cargo, Fan, Titan e até edição especial de 50 anos. No mercado, aparece com preço FIPE a partir de R$ 17.350, faixa que ainda conversa direto com quem usa a moto para trabalhar e não quer dor de cabeça na oficina.
Mas será que é só tradição? Não. A CG virou referência porque segura bem o uso pesado do dia a dia, aceita bagageiro sem drama e tem liquidez forte no usado. Quem roda para entrega ou deslocamento diário sabe o peso disso.

Também ajuda o fato de ela não ficar presa a um único público. A versão Cargo fala com frotista e entregador. A Fan mira o uso diário. A Titan sobe um degrau no acabamento e no apelo visual.
Enquanto isso, a Biz 125 atende melhor quem quer praticidade urbana e câmbio rotativo sem embreagem. A Pop 110i vai na direção oposta: mais barata, mais simples e sem a versatilidade da CG em estrada curta ou carga leve.
Top 10 preliminar de julho
O desenho do mês foi este. Sete das dez motos mais vendidas levam o emblema da Honda.
| Posição | Modelo | Emplacamentos | Segmento |
|---|---|---|---|
| 1º | Honda CG 160 | 47.493 | Street/urbana utilitária |
| 2º | Honda Biz 125 | 21.219 | Cub urbana |
| 3º | Honda Pop 110i | 19.254 | Urbana de entrada |
| 4º | Honda NXR 160 Bros | 16.512 | Trail leve |
| 5º | Mottu Sport 110i | 11.397 | Moto de trabalho |
| 6º | Yamaha Factor 150 | 6.121 | Street urbana |
| 7º | Honda CB 300F Twister | 4.270 | Street/naked |
| 8º | Honda PCX 160 | 4.232 | Scooter |
| 9º | Honda XRE 190 | 4.060 | Trail |
| 10º | Yamaha Lander 250 | 3.906 | Trail |
O domínio da Honda chama atenção, mas a quinta posição da Mottu Sport 110i também diz muito. Trabalho por aplicativo, frota e uso profissional seguem puxando boa parte do volume das motos pequenas.
Já a Yamaha aparece com a Factor 150 e a Lander 250. É presença relevante, só que bem distante do volume da líder.
Há um cuidado importante aqui. Os números de julho ainda são preliminares e podem sofrer ajuste no fechamento oficial da Fenabrave, que consolida os emplacamentos no país.
O brasileiro continua comprando com a calculadora na mão
Esse ranking repete um padrão antigo do mercado. Moto de baixa cilindrada, mecânica conhecida e manutenção previsível continua mandando.
Não é só o preço de compra. Entram na conta revisão, seguro, disponibilidade de peças, consumo e facilidade para vender depois. A CG 160 joga bem em todos esses pontos.
A Bros, quarta colocada, mostra outro recado. Quem enfrenta asfalto ruim, buraco e estrada de terra leve continua preferindo suspensão mais alta e posição de pilotagem relaxada.
Na outra ponta, a Biz 125 segue fortíssima porque resolve a vida urbana sem esforço. Sobe meio-fio, leva mochila, anda bem no trânsito travado e assusta menos quem está migrando do carro ou começando sobre duas rodas.
CG 160, Biz, Pop e Factor não disputam do mesmo jeito
Colocar tudo no mesmo balaio distorce a leitura. Elas até brigam pelo mesmo bolso em alguns casos, mas entregam propostas diferentes.
| Modelo | Motor | Preço citado | Perfil de uso |
|---|---|---|---|
| Honda CG 160 | 162,7 cm³ flex, 14,7 cv | R$ 17.350 | Trabalho e uso diário |
| Honda Biz 125 | 123,9 cm³, 9,53 cv | R$ 13.505 | Urbano prático |
| Honda Pop 110i | 110 cm³ | R$ 10.588 | Entrada e economia |
| Yamaha Factor 150 | 149 cm³ flex, 12 cv | R$ 18.690 sem frete | Street urbana |
A principal rival japonesa da CG nesse recorte segue sendo a Yamaha Factor 150. Ela entrega proposta parecida para uso urbano, mas a Honda ainda leva vantagem na capilaridade do pós-venda e na força do nome no mercado de usados.
Quem quer gastar menos continua olhando com carinho para a Pop 110i. Só que ali há menos fôlego e menos versatilidade. A Biz, por sua vez, é quase outra conversa: menos “moto de trabalho”, mais mobilidade urbana descomplicada.
Para o leitor brasileiro, o ranking de julho é objetivo. A moto mais vendida do país ainda é a que melhor equilibra uso pesado, manutenção conhecida e revenda rápida. Isso explica a liderança da CG 160 mais do que qualquer moda.
Agora falta ver o consolidado oficial da Fenabrave. Se os números fecharem perto disso, agosto começa com uma pergunta simples e incômoda para as rivais: alguém consegue sequer encostar na CG 160?
