A Honda confirmou cinco pilotos para o Sertões 2026, divididos entre a Monster Energy Honda HRC e a Honda Racing Brasil. A marca busca o 12º título nas motos, com largada e chegada em Goiânia (GO).
A disputa começa em 22/08/2026 e terá 3.984 km, sendo 2.628 km cronometrados. O percurso passa por Goiás, Bahia e Tocantins, exigindo velocidade, navegação e resistência mecânica.
Honda leva cinco pilotos ao Sertões 2026
Tosha Schareina é o nome mais pesado da equipe. O espanhol defende o título conquistado na edição anterior e representa a Monster Energy Honda HRC, estrutura oficial da marca no rally raid.
Ao lado dele estará Martim Ventura. O piloto fará sua estreia no Sertões, justamente em uma equipe de fábrica. A escolha combina juventude, experiência internacional e espaço para formação dentro do projeto Honda.
| Piloto | Equipe | Moto | Situação |
|---|---|---|---|
| Tosha Schareina | Monster Energy Honda HRC | Honda CRF450 Rally | Atual campeão |
| Martim Ventura | Monster Energy Honda HRC | Honda CRF450RX Rally | Estreante no Sertões |
| Bruno Crivilin | Honda Racing Brasil | Honda CRF450RX Rally | Segundo Sertões |
| Alexandre Valadares “Brankim” | Honda Racing Brasil | Honda CRF300F | Competição nacional |
| Bárbara Neves | Honda Racing Brasil | Honda CRF300F | Competição nacional |
Bruno Crivilin disputa seu segundo Sertões e reforça a ponte entre o motociclismo brasileiro e a estrutura internacional da Honda. O capixaba já tem experiência no enduro e chega com uma moto de rally preparada para especiais longas.
Brankim e Bárbara Neves completam o quinteto com a CRF300F. A dupla corre em uma proposta diferente, voltada ao cenário nacional e às categorias que utilizam a motocicleta de produção off-road da Honda.

O 12º título é o alvo da Honda
A Honda não entra apenas para formar o grid. A marca tenta ampliar sua hegemonia na categoria motos e transformar o Sertões 2026 em mais um capítulo de sua história no rally brasileiro.
O número 12 pesa. Cada edição exige dias de competição, deslocamentos extensos e motos capazes de suportar poeira, calor, pedras e mudanças rápidas de terreno.
Schareina carrega a responsabilidade imediata. Ventura representa a renovação. Crivilin aproxima a operação mundial do público brasileiro, enquanto Brankim e Bárbara ampliam a presença da Honda nas categorias nacionais.
Essa divisão não é casual. Uma equipe usa o Sertões como palco de alto desempenho; a outra mantém a marca conectada ao desenvolvimento de pilotos e motos no Brasil.
CRF450 Rally e CRF450RX Rally têm missões diferentes
A CRF450 Rally é a moto associada ao programa oficial de rally raid da Honda. Ela foi concebida para competir em longas especiais, com foco em autonomia, estabilidade e navegação em alta velocidade.
O modelo utiliza motor monocilíndrico de 449,4 cm³, comando DOHC e injeção eletrônica. O câmbio tem seis velocidades, enquanto o tanque de 35 litros reduz as paradas durante as etapas.
A suspensão dianteira Showa invertida tem 310 mm de curso. Atrás, o sistema monoamortecido oferece 305 mm. É uma moto de competição, não uma trail preparada para passeios de fim de semana.
A CRF450RX Rally compartilha a mesma cilindrada e a arquitetura de competição, mas aparece em uma configuração destinada ao programa esportivo da Honda no Sertões. Ventura e Crivilin usarão esse equipamento na prova.
Na prática, são motos muito distantes de uma motocicleta de rua. A posição de pilotagem, a autonomia, a proteção aerodinâmica e a preparação da suspensão atendem às especiais cronometradas.
| Especificação | CRF450 Rally | CRF450RX Rally |
|---|---|---|
| Motor | Monocilíndrico, 4 tempos, DOHC | Monocilíndrico, 4 tempos, DOHC |
| Cilindrada | 449,4 cm³ | 449,4 cm³ |
| Alimentação | Injeção eletrônica | Injeção eletrônica |
| Câmbio | Seis velocidades | Seis velocidades |
| Tanque | 35 litros | 35 litros |
| Suspensão dianteira | Showa invertida, 310 mm | Showa invertida, 310 mm |
| Suspensão traseira | Showa monoamortecida, 305 mm | Showa monoamortecida, 305 mm |

CRF300F representa a base brasileira da operação
A CRF300F cumpre outro papel. Vendida no Brasil pela rede de concessionárias Honda, a moto é uma off-road recreativa que também serve de base para competições nacionais.
Seu motor monocilíndrico de 293,52 cm³ tem quatro tempos, comando OHC e arrefecimento a ar. São 24,6 cv a 7.500 rpm e 2,59 kgfm a 6.000 rpm, com câmbio de seis marchas.
Com 119 kg de peso seco e tanque de seis litros, ela é muito mais simples que uma CRF450 de rally. Também é mais acessível na operação e facilita a participação de pilotos em categorias brasileiras.
Brankim e Bárbara Neves não terão o mesmo equipamento de Schareina. Nem precisam. A CRF300F atende a uma proposta de competição diferente, com menor complexidade e manutenção mais próxima da realidade nacional.
| Item | Honda CRF300F |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico, 4 tempos, OHC, arrefecido a ar |
| Cilindrada | 293,52 cm³ |
| Potência máxima | 24,6 cv a 7.500 rpm |
| Torque máximo | 2,59 kgfm a 6.000 rpm |
| Câmbio | Seis marchas |
| Tanque | 6,0 litros |
| Peso seco | 119 kg |
| Altura do assento | 888 mm |
Goiânia recebe largada e chegada da prova
O Sertões 2026 começa e termina em Goiânia. Entre os dois momentos, os competidores atravessam Goiás, Bahia e Tocantins em uma rota de 3.984 km.
Desse total, 2.628 km serão cronometrados. É nesses trechos que a diferença aparece: uma navegação errada, um pneu danificado ou uma queda pode comprometer dias de trabalho.
A programação coloca a Honda diante de ambientes variados. Trechos rápidos exigem estabilidade, enquanto áreas travadas cobram controle da moto e resistência física dos pilotos.
O público pode acompanhar as informações institucionais da fabricante no site oficial da Honda no Brasil. A CRF450 Rally e a CRF450RX Rally não são modelos de varejo convencional nas concessionárias brasileiras.

Honda mistura fábrica mundial e força nacional
KTM, Husqvarna, GasGas, Yamaha, Sherco, Hero, Kove e Beta formam o ambiente competitivo do rally raid. A Honda chega com uma estrutura que poucas marcas conseguem reproduzir no mesmo nível.
O time combina tecnologia de fábrica, experiência internacional e pilotos brasileiros com histórico no enduro. Não é apenas uma escalação numerosa; é uma estratégia de cobertura do campeonato.
Schareina precisa confirmar o favoritismo. Ventura terá de aprender o ritmo do Sertões sem desperdiçar velocidade. Crivilin buscará transformar conhecimento local em resultado.
Brankim e Bárbara, por sua vez, mostram que a Honda não separa completamente o projeto mundial da base nacional. A CRF300F leva a marca para outra parte do grid e aproxima a competição do motociclista brasileiro.
A largada em Goiânia acontece em 22/08/2026. Com 2.628 km cronometrados pela frente, a pergunta fica aberta: a Honda terá velocidade suficiente para conquistar o 12º título sem que a resistência cobre a conta?
