O Sertões Petrobras 2026 começa em 22 de agosto com 4.020 km, oito etapas e uma disputa de motos concentrada em Honda, Yamaha e três favoritos: Tosha Schareina, Bruno Crivilin e Adrien Metge.
A 34ª edição termina em 30 de agosto, novamente com largada e chegada em Goiânia (GO). O percurso passa por Goiás, Bahia, Maranhão e Tocantins.
Sertões 2026 terá 4.020 km e oito etapas
O rally soma 4.020 km de percurso total. Desse volume, 2.611 km serão disputados em especiais cronometradas, onde cada segundo pesa na classificação.
| Item | Sertões Petrobras 2026 |
|---|---|
| Data | 22 a 30 de agosto de 2026 |
| Edição | 34ª |
| Etapas | 8, além do prólogo/Super Prime |
| Percurso total | 4.020 km |
| Especiais cronometradas | 2.611 km |
| Estados visitados | Goiás, Bahia, Maranhão e Tocantins |
| Largada e chegada | Goiânia (GO) |
| Etapa maratona | Sim, em dois dias |
A etapa maratona é o trecho que pode embaralhar a classificação. Nela, os pilotos precisam administrar pneus, motor e suspensão com menor margem para suporte mecânico entre os dias.
Areia, pedra, calor e navegação pesada formam um pacote cruel. A velocidade ajuda, mas um erro de roteiro ou uma quebra pequena pode custar minutos — ou a prova inteira.
Schareina chega como o piloto a ser batido
Tosha Schareina defende o título conquistado em 2025. O espanhol compete pela Monster Energy Honda HRC com a Honda CRF450 Rally, preparada especificamente para rally raid.
Além do conhecimento recente do Sertões, Schareina chega com pódios no Dakar. Ele combina ritmo forte com leitura de navegação, uma mistura difícil de enfrentar em especiais longas.
Mas favoritismo não garante vitória. No Sertões, o piloto precisa poupar equipamento sem perder contato com os ponteiros. A etapa maratona aumenta essa cobrança.
Bruno Crivilin é a principal aposta brasileira
Bruno Crivilin representa a Honda Racing Brasil na Moto 1. O brasileiro usa a CRF450RX Rally e chega como o nome nacional mais forte para enfrentar os pilotos estrangeiros de fábrica.
Crivilin vem de evolução importante em competições internacionais de rally raid. O desafio agora é sustentar ritmo durante oito etapas, sem transformar cada especial em uma corrida isolada.
Uma vitória brasileira exigiria superar Schareina e Metge em velocidade, navegação e consistência. Crivilin tem equipamento e experiência para isso, mas a pressão será enorme.
Metge retorna com a Yamaha WR450F
Adrien Metge já venceu o Sertões em 2021 e 2024. O francês volta à disputa pela Yamaha IMS Rally Team, pilotando a WR450F como base do projeto de rally.
Conhecimento do terreno é uma vantagem concreta. Metge sabe onde atacar, onde conservar pneus e como atravessar uma especial sem transformar um pequeno erro em abandono.
Se vencer novamente, amplia seu peso entre os estrangeiros mais importantes da história do Sertões. A Yamaha também conta com Gabriel “Tomate” Soares, atual campeão brasileiro da classificação geral.
Honda x Yamaha concentra a disputa principal
A Honda chega com o atual campeão e o principal piloto brasileiro. A Yamaha responde com Metge, Tomate e um grupo numeroso nas categorias de elite e de apoio.
| Equipe ou marca | Pilotos de destaque | Moto-base | Força na prova |
|---|---|---|---|
| Monster Energy Honda HRC | Tosha Schareina | Honda CRF450 Rally | Atual campeão e estrutura internacional |
| Honda Racing Brasil | Bruno Crivilin | Honda CRF450RX Rally | Principal nome brasileiro |
| Yamaha IMS Rally Team | Adrien Metge e Gabriel Soares | Yamaha WR450F | Experiência, volume e regularidade |
A Honda parece ter o piloto mais forte individualmente. A Yamaha, por outro lado, pode compensar com mais nomes competitivos e maior presença distribuída pelo grid.
Quem levará vantagem? A resposta depende menos da reta e mais da navegação. Em quatro estados, o piloto que errar menos pode terminar à frente de quem for mais rápido em uma única especial.
CRF450R, CRF450RX e WR450F: as motos do rally
Existe uma diferença importante entre as motos de competição e as versões vendidas no Brasil. A Honda CRF450 Rally usada por Schareina não é uma versão de catálogo nacional.
As equipes partem de bases como CRF450R e CRF450RX, recebendo tanque ampliado, equipamentos de navegação, proteção de chassi, ajustes de suspensão e preparação para longas distâncias.
| Moto-base | Cilindrada | Potência aproximada | Torque aproximado | Câmbio | Preço público no Brasil |
|---|---|---|---|---|---|
| Honda CRF450R | 449,7 cm³ | 59 cv | 5,4 kgfm | 5 marchas | R$ 74.878 |
| Honda CRF450RX | 449,7 cm³ | 59 cv | 5,4 kgfm | 5 marchas | R$ 77.126 |
| Yamaha WR450F | 449 cm³ | 4 tempos | 4 tempos | 5 marchas | R$ 91.995 |
Os valores da Honda são preços públicos sugeridos para as versões off-road. A Yamaha WR450F aparece com referência de cerca de R$ 91.995, antes de preparação, documentação e eventuais custos de importação ou concessionária.
Não existe preço FIPE aplicável às motos de competição preparadas para o Sertões. A tabela FIPE cobre modelos comercializados como produtos de mercado, não protótipos ou unidades modificadas por equipes.
O interessado em uma CRF ou WR450F precisa procurar a rede oficial e confirmar disponibilidade. Essas motos não têm a mesma distribuição de uma Honda CRF 250F ou de uma Yamaha Lander 250.

Martim Ventura estreia na Moto 2
Martim Ventura representa a nova geração da Honda no rally raid. O português estreia no Sertões 2026 depois de liderar o Mundial Rally Raid na categoria Rally 2.
A Moto 2 merece atenção porque reúne pilotos de fábrica, independentes e equipamentos próximos das motos de elite. Ventura chega sem experiência anterior no percurso brasileiro, mas com ritmo internacional.
Gabriel Bruning é outro nome forte da categoria. O brasileiro lidera o campeonato e terá a vantagem de conhecer melhor as características do terreno nacional.
Big Trail, Moto 3, Over e Rally Brasil completam o grid
A elite não corre sozinha. O Sertões 2026 mantém Moto 1, Moto 2, Moto 3, Big Trail, Over e Rally Brasil, com disputas paralelas durante as oito etapas.
Ricardo Martins defende o título da Big Trail. Nessa categoria, peso e dimensões maiores mudam a pilotagem, especialmente em areia fofa, erosões e trechos estreitos.
Na Over, experiência e resistência contam muito. Já a Rally Brasil funciona como porta de entrada para competidores nacionais que ainda não estão nas estruturas de fábrica.
O percurso pode decidir entre velocidade e sobrevivência
Uma especial de 300 km pune mais do que um erro de aceleração. Pneus, corrente, filtro de ar e sistema de refrigeração precisam sobreviver ao calor e à poeira.
Na etapa maratona, a equipe não pode simplesmente apagar todos os problemas durante a noite. O piloto precisa chegar inteiro, cuidar da moto e aceitar perder alguns segundos para evitar uma falha maior.
Schareina tem o melhor ponto de partida pelo título de 2025. Crivilin carrega a torcida brasileira. Metge traz dois troféus e uma Yamaha competitiva.
Os detalhes da programação e do percurso estão no site oficial do Sertões. Com 2.611 km cronometrados, a pergunta fica aberta: quem ainda estará inteiro quando a prova chegar novamente a Goiânia?
