A fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) completou um ano de operação com mais de 15 mil veículos produzidos entre janeiro e agosto de 2026. A unidade ganhou terceiro turno, novos modelos e já prepara a marca para ampliar a produção brasileira.
Inaugurada oficialmente em 15/08/2025, a planta é a primeira unidade industrial da GWM nas Américas. Ela integra o plano de investimentos de R$ 10 bilhões anunciado para o Brasil até 2032.
O aniversário chega em um momento de aceleração. A empresa encerrou julho com mais de 9.200 emplacamentos no país e entrou no grupo das oito marcas mais vendidas.
Iracemápolis já opera com três turnos
A expansão começou em abril de 2026, com a adoção do terceiro turno na área de pintura. Não foi apenas uma mudança de escala: a medida aumentou a capacidade operacional da linha e acompanhou a chegada de mais produtos.
O quadro de funcionários também cresceu rapidamente. Eram cerca de 600 trabalhadores no início da operação; agora, são mais de 1.800 pessoas envolvidas na unidade.
| Indicador | Dado da fábrica |
|---|---|
| Localização | Iracemápolis (SP) |
| Inauguração | 15 de agosto de 2025 |
| Área total | 1,2 milhão de m² |
| Área construída | 94 mil m² |
| Capacidade instalada | 50 mil veículos por ano |
| Produção acumulada em 2026 | Mais de 15 mil veículos entre janeiro e agosto |
| Meta para 2026 | 32 mil unidades até dezembro |
| Investimento anunciado | R$ 10 bilhões até 2032 |
A capacidade instalada de 50 mil veículos anuais ainda não foi alcançada. A projeção de 32 mil unidades em 2026, porém, mostra uma curva de crescimento relevante para uma operação que completou apenas o primeiro ano.
Para atingir esse volume, a GWM precisa manter o terceiro turno, ampliar fornecedores e aumentar o conteúdo nacional. A fábrica foi desenhada para abastecer o mercado brasileiro e, mais adiante, exportar para outros países da América Latina.
Haval H6 concentra o volume local
O GWM Haval H6 é o principal produto da operação. O SUV médio passou a ser fabricado em versões híbridas flex, incluindo configurações HEV e híbridas plug-in.
Entre as opções da linha estão HEV ONE, HEV2, PHEV19, PHEV35 e GT. Nas versões PHEV, a potência combinada chega a 326 cv, enquanto o H6 PHEV19 registra autonomia elétrica de aproximadamente 77 km no ciclo PBEV.
A fabricação nacional também envolve o H6 híbrido flex, uma solução que conversa melhor com a realidade brasileira. O proprietário pode abastecer com gasolina ou etanol, sem abrir mão do sistema elétrico.
O desempenho comercial acompanha a expansão industrial. A linha Haval H6 permaneceu entre os híbridos mais vendidos do país em julho, ajudando a sustentar a ocupação da unidade paulista.
Poer P30, H9 e P30 Pro ampliam a linha
A fábrica não ficou restrita aos SUVs híbridos. A GWM passou a produzir também a Poer P30, picape média com motor 2.4 turbo diesel, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4.
| Modelo produzido em Iracemápolis | Configuração principal | Posição na linha |
|---|---|---|
| GWM Haval H6 | Híbrido flex e híbrido plug-in | SUV médio e maior volume da planta |
| GWM Poer P30 | 2.4 turbo diesel, 4×4, automático de nove marchas | Picape média |
| GWM Haval H9 | Diesel, com capacidade para sete ocupantes | SUV grande |
| GWM Poer P30 Pro | Diesel | Nova picape incorporada à produção |
Na versão Exclusive, a Poer P30 entrega 184 cv e 48,9 kgfm. O consumo informado fica perto de 9,5 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada, números compatíveis com uma picape média 4×4.
A referência FIPE da Poer P30 Exclusive é de R$ 219.537. A versão Trail aparece em R$ 208.040, colocando a picape na mesma disputa de Hilux, S10, Ranger, Triton e Frontier.
O Haval H9 completa a operação com uma proposta diferente. O SUV de sete lugares mira famílias que precisam de espaço e consumidores que usam o carro em rodovias ou trechos fora de estrada.
Produção local pode mexer nos preços
Fabricar no Brasil reduz a dependência de veículos importados e protege a operação contra variações cambiais. Mas o preço final não cai automaticamente, principalmente enquanto a marca ainda amplia a rede de fornecedores nacionais.
O efeito mais imediato tende a aparecer na disponibilidade. Com produção local, a GWM consegue planejar melhor os estoques, reduzir prazos de entrega e corrigir a oferta entre SUVs, picapes e modelos híbridos.
Para o comprador, a nacionalização também pesa na manutenção. Mais peças produzidas ou distribuídas no país podem facilitar o atendimento nas concessionárias, embora a rede ainda precise crescer para alcançar a capilaridade de Toyota, Chevrolet e Ford.
Esse é um ponto decisivo para a Poer P30 e o Haval H9. São veículos grandes, caros e com mecânica mais específica. Uma rede limitada fora dos grandes centros pode elevar seguro, tempo de reparo e custo de peças.
GWM tenta transformar fábrica em base regional
A operação de Iracemápolis tem uma missão maior que abastecer o mercado brasileiro. A GWM estruturou a unidade para atender também exportações na América Latina, transformando São Paulo em possível centro regional da marca.
A estratégia combina três caminhos: híbridos flex para o consumidor brasileiro, picapes e SUVs a diesel para os segmentos tradicionais, além de exportações para diluir os custos industriais.
Em julho, o Haval H9 liderou entre os SUVs grandes, enquanto o H6 continuou entre os híbridos mais vendidos. A marca já encontrou demanda; agora precisa provar que consegue entregar volume, pós-venda e preço competitivo.
Os números da fábrica e os modelos produzidos podem ser acompanhados nas informações institucionais da GWM Brasil. Iracemápolis tem capacidade para 50 mil veículos por ano, mas a previsão de 32 mil unidades em 2026 ainda deixa uma pergunta no ar: quanto tempo falta para a planta trabalhar no limite?