O SUV híbrido flex da GWM que encaixa nessa conversa de etanol, gasolina e uso familiar é o Tank 300 PHEV Flex. O número de 743 km, porém, não aparece como dado oficial fechado; o que dá para cravar hoje é R$ 342 mil, 394 cv e 74 km de autonomia elétrica no Inmetro.
Não é detalhe pequeno.
Quando um carro nasce cercado por autonomia “milagrosa”, o leitor brasileiro precisa separar marketing de ficha técnica. E, no caso do Tank 300, a história mais interessante nem é essa conta solta: é o fato de a GWM trazer ao Brasil um plug-in flex 4×4 com reduzida, algo que quase ninguém oferece por aqui.
743 km? Esse número não fecha na ficha oficial
Até agora, a GWM não consolidou os 743 km como autonomia total oficial do Tank 300 PHEV Flex no Brasil. O dado público mais sólido é outro: 74 km em modo elétrico, no ciclo do Inmetro, ou 106 km no WLTP.
Isso muda bastante a conversa.
Em híbrido plug-in, consumo e autonomia total nem sempre andam juntos de forma simples. Dá para ter número alto em uso misto, com bateria cheia e trajeto favorável, mas isso não vira automaticamente “autonomia oficial” de catálogo.
Então vamos ao que interessa: o Tank 300 PHEV Flex existe, já foi apresentado pela marca e tem pacote técnico forte. Na página oficial da GWM Brasil, ele aparece como produto estratégico da ofensiva eletrificada da marca por aqui.

O que o Tank 300 entrega de verdade
A base é de SUV parrudo. São cerca de 4,76 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,90 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. Traduzindo: porte de carro grande, não de SUV médio urbano com fantasia aventureira.
Debaixo do capô, entra um 2.0 turbo flex com sistema híbrido plug-in. A potência combinada chega a 394 cv, com 76,4 kgfm de torque. O câmbio é automático de 9 marchas, e a tração é 4×4 com reduzida.
Esse último ponto muda o posicionamento do carro. BYD Song Plus e Corolla Cross Hybrid falam mais com cidade e estrada; o Tank 300 quer entrar também no terreno de quem olha para trilha leve, sítio e viagem longa com piso ruim.
| Item | Dado confirmado |
|---|---|
| Modelo | GWM Tank 300 PHEV Flex |
| Motor | 2.0 turbo flex, injeção direta |
| Sistema híbrido | Plug-in |
| Potência combinada | 394 cv |
| Torque combinado | 76,4 kgfm |
| Câmbio | Automático de 9 marchas |
| Tração | 4×4 com reduzida |
| Bateria | 37,1 kWh |
| Autonomia elétrica | 74 km no Inmetro / 106 km no WLTP |
| 0 a 100 km/h | 6,8 s |
| Consumo com gasolina | 18,3 km/l cidade / 18,8 km/l estrada |
| Consumo com etanol | 13,1 km/l cidade / 14,1 km/l estrada |
| Comprimento | 4,76 m |
| Entre-eixos | 2,75 m |
| Vão livre do solo | 22,2 cm |
| Tanque | 70 litros |
| Preço inicial | R$ 342.000 |
| Concorrentes diretos | BYD Song Plus, GWM Haval H6, Corolla Cross Hybrid, Honda ZR-V, RAV4 Hybrid |
Na prática, o Tank 300 junta três mundos. Anda como híbrido plug-in no dia a dia, aceita etanol ou gasolina quando a bateria baixa e ainda leva estrutura de off-road que falta nos rivais mais urbanos.

Família, estrada e tanque cheio: faz sentido para quem?
Faz sentido para quem roda muito e não quer depender só de tomada. Com 74 km elétricos no padrão do Inmetro, muita gente consegue fazer o trajeto diário sem queimar combustível.
Quem viaja bastante ganha outra vantagem. Quando a bateria acaba, o carro não vira peso morto elétrico: segue com motor flex, tanque de 70 litros e a liberdade de abastecer com etanol ou gasolina em qualquer posto de estrada.
Mas ele não é um SUV “racional” no sentido tradicional. R$ 342 mil já colocam o modelo numa faixa em que seguro sobe, peças tendem a custar mais e o IPVA pesa; em São Paulo, por exemplo, 4% sobre esse valor passam de R$ 13 mil.
Também existe a questão da rede. A GWM cresceu rápido, mas ainda não entrega a capilaridade de Toyota, Jeep ou Honda fora dos grandes centros. Para um carro desse preço, pós-venda e disponibilidade de peças viram assunto sério.
O Tank 300 vai além do Haval H6
Muita gente conhece a GWM pelo Haval H6. Só que o Tank 300 fala com outro público. O H6 é o SUV eletrificado de família que mora no asfalto; o Tank 300 é o primo fortão, com caixa reduzida e cara de jipe moderno.
A engenharia local ajuda a entender essa aposta. O desenvolvimento do sistema flex teve participação da Bosch no Brasil, o que mostra que a marca não quis apenas adaptar um importado qualquer para beber etanol e pronto.
Aí está a parte boa dessa história. Em vez de vender eletrificação como solução distante da realidade brasileira, a GWM tenta casar bateria com o combustível que o país já conhece e usa há décadas.

R$ 342 mil, lote inicial de 600 unidades e venda limitada
O Tank 300 PHEV Flex chegou com lote inicial de 600 unidades. Já houve disponibilidade em concessionárias, inclusive no Espírito Santo, o que mostra que a operação começou para valer e não ficou só em salão ou evento fechado.
Mesmo assim, é carro de nicho. Pelo preço, ele encosta em SUVs premium menores e importados híbridos, mas entrega algo raro: conjunto flex plug-in com 4×4 reduzida. Não tem muita comparação direta no mercado brasileiro atual.
Se a ideia era resumir o carro a “743 km para viajar mais”, ficou curto demais. O Tank 300 é mais complexo que isso — e mais interessante também. Agora resta ver se o brasileiro vai comprar a proposta completa, com etanol, tomada e off-road no mesmo pacote, ou se R$ 342 mil já colocam esse experimento num território estreito demais.
