O iCAUR V25 é um SUV REEV cotado para o Brasil em 2027, com até 150 km de autonomia elétrica. A nova marca do Grupo Chery aposta em visual aventureiro, tração integral opcional e motor a combustão usado apenas como gerador.
A operação brasileira deve compartilhar estrutura com Omoda & Jaecoo. Ainda não há preço, versões nacionais ou homologação publicada, mas o modelo já teve dados antecipados por registros chineses.
iCAUR V25 roda como elétrico, mas não é um elétrico puro
REEV significa Range Extended Electric Vehicle, ou veículo elétrico com extensor de autonomia. No V25, as rodas são movimentadas por motor elétrico.
Quando a bateria perde carga, o motor 1.5 a gasolina entra em funcionamento para gerar energia. Ele não transmite força diretamente às rodas, como ocorre em um híbrido convencional.
A bateria usa células LFP e tem 33,6 kWh. Essa química costuma ser escolhida por custo, durabilidade e resistência térmica, embora a capacidade seja menor que a de muitos SUVs elétricos grandes.

Na versão RWD, com tração traseira, a autonomia elétrica divulgada chega a 150 km. O modelo AWD, com dois motores elétricos e tração integral, fica em 145 km.
A diferença é pequena no papel. Ainda assim, quem comprar a versão 4×4 não terá os mesmos 150 km anunciados na manchete.
Ficha técnica antecipada do iCAUR V25
| Item | iCAUR V25 |
|---|---|
| Arquitetura | REEV, elétrico com extensor de autonomia |
| Motor a combustão | 1.5 a gasolina, usado como gerador |
| Potência do gerador | 154 cv |
| Bateria | LFP de 33,6 kWh |
| Autonomia elétrica RWD | 150 km |
| Autonomia elétrica AWD | 145 km |
| Consumo com bateria descarregada — RWD | 14,4 km/l |
| Consumo com bateria descarregada — AWD | 13,9 km/l |
| Comprimento | 4,63 metros |
| Largura | 1,92 metro |
| Altura | 1,85 metro |
| Entre-eixos | 2,82 metros |
| Altura do solo | 19,7 cm |
| Ângulo de ataque | 30° |
| Ângulo de saída | 28° |
| Capacidade de reboque | 1.800 kg |
| Rodas | Aro 21 |
Os números mostram um SUV grande para o uso urbano brasileiro. São 4,63 metros de comprimento e 2,82 metros entre os eixos, medidas próximas às de modelos médios vendidos por aqui.
A altura livre do solo de 19,7 centímetros não transforma o V25 em jipe. Porém, os ângulos de ataque e saída ajudam em estradas de terra, rampas e trechos de baixa dificuldade.
Visual quadrado e equipamentos de SUV aventureiro
O desenho segue uma receita conhecida: linhas retas, teto quase plano, faróis circulares e para-brisa verticalizado. A porta traseira abre lateralmente, como em SUVs de proposta off-road.
As maçanetas semi-ocultas reduzem o aspecto utilitário, enquanto os estribos laterais suportam até 130 kg. Há também um sensor LiDAR instalado no teto, sinal de que a eletrônica terá papel importante no carro.
O conjunto visual lembra mais um produto de estilo de vida do que um SUV urbano discreto. É uma escolha calculada: o comprador de um carro eletrificado chinês costuma buscar tecnologia, mas também quer que o veículo pareça diferente no estacionamento.
O reboque de 1.800 kg amplia o uso possível. No Brasil, esse número interessa a donos de barcos pequenos, carretinhas e equipamentos de lazer, desde que a configuração nacional mantenha a mesma capacidade.
Como o V25 pode disputar espaço no Brasil
O rival mais próximo por tecnologia é o Leapmotor C10 REEV. Os dois usam um motor elétrico para tracionar e um motor a combustão para ampliar a autonomia em viagens.
O BYD Song Plus DM-i, o GWM Haval H6 PHEV e o Jaecoo 7 PHEV também entram na conversa, mas adotam sistemas híbridos plug-in diferentes. Neles, o motor a combustão pode participar da tração, dependendo da estratégia do conjunto.
O iCAUR V25 tentará vender outra ideia: dirigir como elétrico durante a semana e abastecer com gasolina quando a viagem exigir. Para quem tem tomada em casa, os 150 km elétricos podem cobrir vários dias de deslocamento.
Na estrada, a conta muda. Com a bateria descarregada, o consumo divulgado cai para 14,4 km/l no RWD e 13,9 km/l no AWD. Esses números são chineses e não equivalem ao ciclo homologado brasileiro.
REEV tende a ser tratado como híbrido plug-in
O V25 não deve ser documentado no Brasil como elétrico puro. Como tem tanque de combustível e bateria recarregável na tomada, a tendência é receber enquadramento de híbrido plug-in.
Isso pode afetar IPVA, incentivos estaduais e benefícios de circulação. Cada estado define sua própria política, e o proprietário precisará consultar o Detran e a legislação tributária da unidade federativa.
Essa diferença também interfere na expectativa de compra. Quem procura isenção ou alíquota destinada exclusivamente a elétricos pode descobrir que um REEV não recebe o mesmo tratamento.
Brasil fica para 2027, mas preço ainda é incógnita
A iCAUR aparece no planejamento do Grupo Chery para estrear no Brasil em 2027, ao lado da operação de Omoda & Jaecoo. A marca ainda precisa definir rede de concessionárias, peças, assistência técnica e treinamento.
Não existe preço oficial brasileiro nem valor de tabela FIPE para o V25. Sem esses dados, qualquer comparação financeira seria chute — especialmente porque impostos, equipamentos e configuração local alteram bastante o valor final.
A apresentação internacional da marca pode ser acompanhada no site oficial da iCAUR. A homologação brasileira, o consumo no padrão nacional e a garantia serão decisivos para medir a viabilidade do SUV.
O V25 chega à disputa com uma proposta clara: elétrico na rotina, gasolina nas viagens e visual de aventureiro. Mas, no Brasil, a pergunta que pode definir seu futuro não é apenas quantos quilômetros roda na tomada — é quanto custará manter essa tecnologia fora da garantia.
