GWM Tank 300 PHEV flex 2027: o primeiro híbrido plug-in flex do mundo chega ao Brasil

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GWM Tank 300 PHEV flex 2027 — primeiro híbrido plug-in flex do mundo, foto oficial GWM

O GWM Tank 300 híbrido plug-in flex chegou ao Brasil por R$ 342.000 e nasce com um título inédito: é o primeiro veículo do mundo a combinar sistema híbrido plug-in com tolerância a etanol em qualquer proporção. O lançamento foi feito no Salão de Pequim, em 24 de abril, e a comercialização começa em maio com estreia comercial na Agrishow 2026.

O número impressiona quem entende de motorização: 394 cv, 750 Nm de torque, 0 a 100 km/h em 6,8 segundos e até 106 km de autonomia só com a bateria pelo ciclo WLTP. Mas o que faz esse SUV virar peça única é a engenharia: a calibração para etanol foi desenvolvida no Brasil em parceria com a Bosch, e o carro reconhece sozinho a proporção de etanol e gasolina no tanque.

GWM Tank 300 PHEV flex em vista lateral mostrando o porte off-road do SUV
Foto: divulgação GWM Brasil

Por que o Tank 300 PHEV flex é o “primeiro do mundo”

SUVs híbridos plug-in não são novidade. Tampouco são novidade carros flex no Brasil. O que ninguém tinha feito até agora era unir os dois mundos. A maioria dos PHEVs vendidos por aí roda só com gasolina pura porque a injeção e os sensores são calibrados em uma única curva de combustão.

O Tank 300 PHEV flex resolve isso com um conjunto de soluções específicas. Há sensor que identifica em tempo real a proporção etanol/gasolina dentro do tanque, mapas de combustão duplos no controle eletrônico e ajustes em peças que entram em contato com o combustível, como bicos e bomba. Tudo isso conversa com o motor elétrico, que assume sempre que possível para reduzir o consumo do propulsor a combustão.

O resultado prático é que o motorista não precisa fazer nada diferente: abastece com etanol, gasolina ou qualquer mistura entre os dois, e o carro se vira. Em uma viagem longa pode encher com gasolina; no dia a dia, com etanol mais barato. A bateria continua plugável em tomada doméstica ou em eletropostos públicos.

Quanto custa o Tank 300 PHEV flex e quando começa a vender

O preço de lançamento é R$ 342.000, segundo a GWM Brasil. O valor sai apenas R$ 3.000 acima da versão híbrida não-flex que já era vendida no país, o que mantém o modelo competitivo dentro do segmento de SUVs aventureiros premium.

A pré-venda começou em 25 de abril, com a estreia comercial agendada para a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, entre 28 de abril e 2 de maio. As primeiras entregas a clientes acontecem ao longo de maio em concessionárias da rede GWM em capitais e em cidades do agro como Sorriso, Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.

GWM Tank 300 PHEV flex 2027 — ficha técnica
Motor combustão 2.0 turbo flex
Motor elétrico Posicionado no câmbio (P2.5)
Potência combinada 394 cv
Torque combinado 750 Nm (76,4 kgfm)
Câmbio Automático de 9 marchas dedicado
Tração 4×4 real com reduzida
Bateria 37,1 kWh
Autonomia elétrica (Inmetro) 74 km
Autonomia elétrica (WLTP) 106 km
0 a 100 km/h 6,8 s
Recarga DC Até 50 kW (30%-80% em ~24 min)
Recarga AC Até 6,6 kW
Combustíveis Etanol, gasolina ou qualquer mistura
Comprimento 4,76 m
Entre-eixos 2,75 m
Vão livre do solo 22 cm
Capacidade de reboque 2.500 kg (com freio)
Travessia em água 700 mm
Preço Brasil R$ 342.000

GWM Tank 300 PHEV flex em ângulo traseiro destacando design e dimensões
Foto: divulgação GWM Brasil

Como funciona o sistema PHEV flex (e por que ele é inédito)

O coração do Tank 300 PHEV flex é a plataforma Hi4-T, batizada pela GWM para SUVs com chassi sobre longarinas. Ela foi adaptada para receber o motor elétrico no câmbio e a bateria de tração entre os eixos, sem comprometer espaço útil ou capacidade off-road.

O que entra de novo é a química do combustível. Carros flex tradicionais já lidam com diferentes proporções, mas em motorizações simples. Calibrar essa flexibilidade junto com gerenciamento eletrônico de carga, frenagem regenerativa e três modos de tração custou, segundo a GWM, dois anos de desenvolvimento da equipe brasileira em parceria com a Bosch.

Na prática, o motorista pode escolher três modos de operação:

  • EV (elétrico puro): usa só a bateria. Ideal para deslocamentos urbanos curtos.
  • Híbrido inteligente: o sistema decide quando ligar o motor a combustão. É o modo padrão.
  • 4WD/Off-road: motor a combustão sempre ligado, com tração 4×4 e bloqueios disponíveis.

A frenagem regenerativa recupera energia em descidas e desacelerações, recarregando a bateria sem precisar parar. Em condições normais, o consumo combinado fica próximo de 1,5 a 2,0 km/kWh + 12 km/litro com a bateria carregada — bem acima do que um SUV a combustão equivalente entregaria.

Capacidade off-road: tração 4×4 real e três bloqueios

Apesar de eletrificado, o Tank 300 PHEV flex não abandona a vocação off-road. A geometria foi mantida em níveis de Jeep Wrangler: 32° de ângulo de entrada, 33° de saída, 22 cm de vão livre e travessia em água até 700 mm. A capacidade de reboque chega a 2,5 toneladas com sistema de freio.

O sistema de tração inclui caixa de transferência com reduzida e três bloqueios de diferencial — dianteiro, central e traseiro. Esse pacote coloca o Tank 300 em uma briga direta com nomes consagrados em trilha como Land Cruiser, Wrangler Rubicon e Defender. A diferença é que o GWM faz tudo isso rodando até 74 km no zero emissão, segundo medição Inmetro.

Detalhe do GWM Tank 300 PHEV flex destacando grade frontal e faróis
Foto: divulgação GWM Brasil

Engenharia brasileira: a parceria com a Bosch

A GWM destaca em comunicado oficial que o sistema flex foi desenvolvido com forte participação da engenharia brasileira em parceria com a Bosch do Brasil. A escolha não é por acaso: a Bosch já fornecia componentes para PHEVs e tem expertise consolidada em flex desde os anos 2000.

O conjunto inclui sensores específicos para etanol hidratado, mapas de injeção duplos no ECU e calibração da partida a frio — historicamente um dos calcanhares de Aquiles do flex. Em PHEVs, o motor a combustão pode ficar parado por horas em modo elétrico puro, e religar com etanol em dia frio sempre foi um desafio. A solução adotada usa um pequeno reservatório auxiliar de gasolina e aquecimento dos bicos, similar ao usado em alguns modelos brasileiros tradicionais.

Para os mais técnicos: é um caso raro de inovação automotiva nascida no Brasil para o mundo. A GWM já adiantou que o sistema deve ser exportado para outros mercados latino-americanos, especialmente Argentina, Paraguai e Bolívia, onde também há produção de etanol em escala.

Tank 300 flex vs concorrentes: como ele se posiciona

No Brasil, o Tank 300 PHEV flex entra em uma faixa de preço que tem poucos rivais diretos. Os SUVs com chassi sobre longarinas e tração 4×4 real custam quase sempre mais. Já os SUVs PHEV mais comuns são monoblocos urbanos, sem vocação off-road.

Modelo Preço (R$) Potência Aut. elétrica Combustível
GWM Tank 300 PHEV flex 342.000 394 cv 74 km (Inmetro) Etanol/gasolina
Jeep Commander híbrido 289.990 185 cv Não plug-in Flex
BYD Song Plus PHEV 289.800 323 cv 80 km Gasolina
Caoa Chery Tiggo 8 PHEV 299.990 326 cv 83 km Gasolina
Toyota RAV4 PHEV 338.490 306 cv 75 km Gasolina

O Tank 300 entrega o pacote mais completo: maior potência, autonomia elétrica acima da média, único capaz de rodar a etanol e o único com vocação off-road real do grupo. Os concorrentes são SUVs urbanos eletrificados — não competidores diretos para quem quer trilha.

Para quem quer entender a diferença entre veículos eletrificados, o glossário traz explicações sobre motor híbrido, benefícios dos carros híbridos e os benefícios dos veículos flex.

Vai ser produzido no Brasil?

Não. Apesar de a GWM ter inaugurado a fábrica de Iracemápolis (SP) em 2024, a unidade brasileira foi homologada apenas para os modelos Haval H6, Haval H9 e Poer P30. O Tank 300 PHEV flex segue importado da China, o que afeta prazos de entrega e custos de manutenção em partes específicas.

A GWM estuda nacionalizar o Tank 300 em fases — primeiro o conjunto de baterias, depois peças do conjunto mecânico, conforme a demanda do mercado se confirme. A produção 100% brasileira, porém, depende de volume mínimo: a empresa fala em mais de 5.000 unidades anuais para justificar a linha local.

Para quem o Tank 300 PHEV flex faz sentido

O modelo não é para todo mundo. Por preço e proposta, atende um perfil específico: motoristas que precisam de capacidade off-road real, fazem viagens longas em estrada e querem reduzir custo operacional com etanol — ou rodar gratuitamente em deslocamentos urbanos com a bateria.

Setores como agronegócio, construção civil em zonas remotas, atividades de turismo de aventura e família com chácara/sítio são o público-alvo evidente. Para uso 100% urbano, há opções mais baratas e eficientes — como a faixa dos PHEVs monoblocos chineses, ou os híbridos sem plug-in. Antes de fechar negócio, vale conferir débitos e multas pela placa de qualquer usado equivalente que estiver no comparativo, e simular o custo total de propriedade.

O Tank 700 segue como opção de luxo da marca, e o GWM Ora 5 e o Ora 03 ficam para quem busca elétricos puros mais acessíveis. O ecossistema GWM no Brasil cresceu no último ano e o Tank 300 flex é a aposta mais técnica do portfólio.

O que esperar nos próximos meses

A primeira leva de Tank 300 PHEV flex chega às concessionárias em maio, e a expectativa da GWM é vender 200 a 300 unidades por mês — número alto para o segmento aventureiro premium no Brasil. A homologação em outros mercados sul-americanos deve acontecer no segundo semestre, com Argentina e Paraguai como prioridade.

O modelo abre uma frente nova na corrida da eletrificação: o Brasil deixa de ser apenas consumidor de tecnologia importada e passa a oferecer uma solução híbrida adaptada ao etanol que pode virar referência em mercados emergentes. Resta saber se o consumidor brasileiro topa pagar R$ 342 mil em um SUV chinês para validar a tese — ou se vai esperar a marca colocar o preço em condição mais agressiva. A resposta começa em maio, no balcão das concessionárias.

Site oficial GWM Brasil

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