A Leapmotor entregou 101.267 veículos eletrificados em julho de 2026 e entrou em um grupo restrito da indústria chinesa. A marca agora tenta transformar escala doméstica em presença global, com a Stellantis como principal ponte — inclusive no Brasil.
O resultado não veio por acaso. A fabricante chinesa registrou o quarto recorde mensal consecutivo, cresceu 102% sobre julho de 2025 e avançou 8,5% na comparação com junho.
A Leapmotor já virou gigante na China?
Em volume, está perto disso. A Leapmotor alcançou uma marca que poucas startups chinesas de carros elétricos conseguiram sustentar: mais de 100 mil entregas em apenas um mês.
A empresa ficou atrás apenas de BYD e Geely Galaxy entre as marcas de veículos de nova energia, os chamados NEVs. O resultado mostra que a Leapmotor deixou de depender apenas de compradores pioneiros.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Entregas em julho de 2026 | 101.267 veículos eletrificados |
| Crescimento anual | 102% sobre julho de 2025 |
| Crescimento mensal | 8,5% sobre junho de 2026 |
| Entregas no ano | 457.754 veículos entre janeiro e julho |
| Posição entre marcas NEV na China | 3ª colocada, atrás de BYD e Geely Galaxy |
| Meta para 2026 | 1 milhão de veículos |
O acumulado de 457.754 unidades também chama atenção. Para chegar a 1 milhão em 2026, a marca precisaria entregar cerca de 108,4 mil veículos por mês entre agosto e dezembro.
É um ritmo acima do registrado em julho. A meta, então, não está garantida. Mas deixou de parecer uma aposta distante.

Mais modelos, mais volume
A escalada comercial foi acompanhada por uma linha de produtos mais ampla. A Leapmotor atualizou os SUVs C10, C11 e C16, lançou o MPV D99 e reforçou a família B com os modelos B01 e B10.
O A05 também entrou na ofensiva. Fora da China, ele será vendido como B03, um hatch compacto elétrico com versões de 95 cv e 122 cv.
O B03 pode rodar até 510 km no ciclo chinês CLTC e terá LiDAR nas configurações mais completas. Esse número exige cautela: o CLTC costuma ser mais otimista que os ciclos WLTP e Inmetro.
Na rua, temperatura, velocidade, relevo, ar-condicionado e carga reduzem a autonomia. Um carro anunciado com 510 km não deve ser tratado como capaz de repetir essa distância em qualquer viagem brasileira.
O A05/B03 não foi anunciado oficialmente para o Brasil. Por aqui, a marca concentra a operação nos SUVs C10 e B10, modelos que conversam melhor com o gosto local e com a disputa atual entre BYD, GWM e Volvo.
O Brasil entra no plano internacional
A parceria com a Stellantis é o grande atalho da Leapmotor para fora da China. A aliança oferece distribuição, estrutura logística e experiência industrial em mercados onde a marca ainda precisa construir confiança.
No Brasil, o C10 já é vendido nas versões elétrica e REEV. Essa segunda configuração usa um motor a combustão como gerador, sem tracionar diretamente as rodas.
| Modelo | Segmento | Brasil | Rivais principais |
|---|---|---|---|
| Leapmotor C10 | SUV médio | BEV e REEV | BYD Song Plus, GWM Haval H6 PHEV |
| Leapmotor B10 | SUV compacto/médio | BEV; REEV previsto | BYD Yuan Plus, Volvo EX30 |
| Leapmotor B03 | Hatch compacto | Sem anúncio oficial | BYD Dolphin, GWM Ora 03 |
O B10 é vendido no país exclusivamente como elétrico. Até o fim de 2026, a marca deve acrescentar a opção B10 REEV, justamente a configuração com maior apelo fora dos grandes centros.
Por quê? A rede pública de recarga brasileira ainda é desigual. Em cidades menores e rodovias afastadas, um gerador a bordo reduz a ansiedade de autonomia sem abandonar a condução elétrica.

Stellantis pode acelerar a operação brasileira
A chegada do B10 REEV deve anteceder o início da montagem local dos modelos Leapmotor. A Stellantis já possui fábricas, fornecedores e distribuição no Brasil, o que reduz a distância entre importar um carro e produzir parte dele aqui.
Montagem local não significa preço baixo automaticamente. Impostos, escala, nacionalização de componentes, bateria e margem da rede ainda definem o valor final para o consumidor.
Também há um desafio menos visível: pós-venda. A Leapmotor precisa ampliar concessionárias, treinar técnicos e manter peças disponíveis. Um SUV tecnológico pode ser atraente na vitrine, mas perde força se um componente eletrônico exigir semanas de espera.
Esse cuidado pesa ainda mais contra BYD e GWM, que já ganharam reconhecimento no mercado brasileiro. A Volvo, por sua vez, conserva uma imagem forte entre compradores de elétricos premium.
O consumidor também terá de observar seguro, revisões, disponibilidade de carregadores e valor de revenda. A FIPE ainda não serve como referência ampla para toda a linha Leapmotor, porque a presença nacional é recente.
A escala chinesa começa a chegar ao consumidor brasileiro
O marco de julho reforça a capacidade industrial e comercial da Leapmotor. A fabricante não está apenas testando produtos: vendeu mais de 100 mil veículos eletrificados em um mês e mantém uma expansão acelerada.
Para o Brasil, a notícia interessa menos pelo número absoluto e mais pelo que ele viabiliza. Volume maior pode financiar novos modelos, melhorar peças, reduzir custos logísticos e dar sustentação à rede da Stellantis.
O B10 REEV será o teste decisivo. Se chegar com preço competitivo e assistência bem distribuída, poderá levar a tecnologia de autonomia estendida para além do público que já compra elétricos. A pergunta é: a Leapmotor conseguirá repetir no Brasil a escala que alcançou na China?
Os números globais da marca podem ser consultados no site oficial da Leapmotor. Por enquanto, C10 e B10 são os produtos disponíveis no país; o B03 continua fora do plano brasileiro divulgado.
