Veículos eletrificados sofrem mais furtos em SP?

Por Verificar Auto 06/08/2026 às 17:06 5 min de leitura
Veículos eletrificados sofrem mais furtos em SP?
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Os furtos e roubos de veículos eletrificados cresceram 129,6% em São Paulo entre janeiro e maio de 2026. Foram 101 casos, contra 44 no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Ituran com dados da SSP-SP.

O termo correto é “eletrificados”. A estatística inclui carros elétricos e híbridos, não apenas modelos movidos exclusivamente a bateria.

Alta chega a 129,6%, mas volume ainda é pequeno

O salto percentual impressiona. Ainda assim, os 101 registros representam uma parcela pequena dos boletins de ocorrência do Estado.

Período Casos envolvendo eletrificados Variação
Janeiro a maio de 2025 44
Janeiro a maio de 2026 101 +129,6%

A SSP-SP registrou 40.567 boletins de ocorrência relacionados a crimes no Estado durante os cinco primeiros meses de 2026. Os 101 casos de eletrificados equivalem a aproximadamente 0,24% desse total.

Não há motivo para tratar o dado como uma epidemia. Existe, porém, um sinal claro de mudança em um mercado que colocou mais BYD, GWM, Volvo, Toyota e Honda nas ruas paulistas.

Capital concentra a maior parte dos registros

A cidade de São Paulo concentrou 74 ocorrências entre janeiro e maio de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram 23 casos na capital.

Localidade Jan–mai/2025 Jan–mai/2026
Estado de São Paulo 44 101
Município de São Paulo 23 74

A concentração acompanha a própria distribuição da frota. A capital tem mais carros eletrificados, maior circulação diária e grande quantidade de estacionamentos públicos, privados e residenciais.

Para consultar as estatísticas oficiais de criminalidade, o motorista pode acessar a página de estatísticas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Furtos passaram a dominar as ocorrências

O perfil dos crimes mudou. Em 2026, os furtos representaram 84,16% dos registros envolvendo eletrificados, enquanto os roubos ficaram em 15,84%.

Tipo de ocorrência Participação em 2025 Participação em 2026
Furto 40,91% 84,16%
Roubo 59,01% 15,84%

Em 2025, a relação era praticamente inversa: os roubos respondiam por 59,01% dos casos, contra 40,91% de furtos.

A mudança pode indicar preferência por ações menos expostas, especialmente contra veículos estacionados. Técnicas de acesso eletrônico, clonagem de chave e retirada de componentes são hipóteses compatíveis com esse perfil, mas o levantamento não detalha o método usado em cada ocorrência.

O motorista que deixa o carro durante horas na rua, em estacionamentos sem controle ou em garagens de acesso compartilhado fica mais exposto. Mas será que o risco é maior por causa da tecnologia do carro?

Por que esses carros interessam aos criminosos

Os eletrificados vendidos no Brasil têm valor médio elevado e concentram equipamentos caros. Centrais multimídia, módulos eletrônicos, sensores, faróis e peças de acabamento podem alimentar o mercado paralelo.

Nos elétricos e híbridos, a bateria de tração também tem alto valor. Isso não significa que todos os crimes envolvam a retirada do conjunto, nem que exista um padrão confirmado para uma marca específica.

Os modelos mais presentes nas ruas de São Paulo incluem BYD Dolphin, Dolphin Mini, Yuan Plus e Song Plus; GWM Haval H6 e Ora 03; Toyota Corolla Hybrid e Corolla Cross Hybrid.

Também entram nesse universo Honda Civic e:HEV, Volvo EX30, Volvo EX40, BYD Seal e os híbridos da Caoa Chery. A lista reúne tecnologias diferentes, portanto não permite apontar um único tipo de carro como mais vulnerável.

Crimes contra veículos caíram no Estado

O crescimento entre eletrificados ocorreu mesmo com a queda geral dos crimes contra veículos. São Paulo registrou 48.744 ocorrências de furtos e roubos de veículos entre janeiro e maio de 2025.

No mesmo período de 2026, foram 40.567 registros, uma redução de 16,7%. A comparação mostra que o avanço dos eletrificados não acompanha o movimento geral do mercado de veículos.

Indicador no Estado de São Paulo Jan–mai/2025 Jan–mai/2026
Furtos e roubos de veículos 48.744 40.567
Variação anual -16,7%

O contraste merece atenção, mas não autoriza calcular uma “taxa de risco” dos eletrificados. O levantamento não informa o tamanho da frota analisada, nem separa os casos por marca, modelo, tipo de propulsão ou cidade.

Seguro e prevenção entram na conta

O proprietário deve informar corretamente à seguradora se o veículo é elétrico, híbrido ou híbrido plug-in. A cobertura pode variar conforme modelo, região, local de estacionamento e disponibilidade de peças.

Rastreador, bloqueio de chave presencial, atualização de software e trava para a porta de diagnóstico podem reduzir oportunidades. Nenhum desses recursos substitui seguro completo e estacionamento protegido.

Também vale conferir as condições da apólice antes da compra. Franquia, cobertura para módulos, bateria de tração, carregador portátil e assistência em caso de pane elétrica mudam bastante entre seguradoras.

O mercado eletrificado paulista ainda está longe de registrar números comparáveis aos dos carros a combustão. Só que 74 casos na capital, contra 23 um ano antes, já colocam uma pergunta incômoda para donos, seguradoras e estacionamentos: a proteção acompanhou a velocidade com que esses carros chegaram às ruas?