A Mercedes-Benz revelou em 20 de abril de 2026, em Stuttgart, a sexta geração do Classe C — e ela estreia 100% elétrica. É o sedã médio mais radical já feito pela marca, com plataforma nova, arquitetura 800V e mira direta no Tesla Model 3 Performance.
A versão de lançamento é a C400 4MATIC, que entrega 489 cv e 762 km de autonomia no ciclo WLTP. As vendas começam na Europa em setembro de 2026, e a Mercedes-Benz já confirmou que o modelo virá ao Brasil — provavelmente em 2027.
O carro a combustão, baseado na atual plataforma W206, segue em linha como facelift. A montadora não substitui o sedã a gasolina de imediato. Por enquanto, o Classe C terá vida dupla: combustão e elétrico convivendo no portfólio.
Ficha técnica do Mercedes Classe C elétrico (C400 4MATIC)
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motorização | Dois motores elétricos (dianteiro + traseiro) |
| Potência total | 489 cv (360 kW) |
| Torque | 81,57 kgfm |
| Tração | Integral 4MATIC |
| Bateria | 94 kWh (NMC), arquitetura 800V |
| Autonomia WLTP | 762 km |
| 0 a 100 km/h | 4,1 segundos |
| Velocidade máxima | 209 km/h |
| Recarga rápida | 330 kW (325 km em 10 min) |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | 0,22 |
| Peso | ~2.460 kg |
| Plataforma | MB.EA (Mercedes-Benz Electric Architecture) |
| Preço Europa estimado | ~70 mil euros (~R$ 425 mil) |
| Início vendas Europa | Setembro/2026 |

Sexta geração estreia 100% elétrica e mira o Tesla Model 3
O novo Classe C abandona o sedã tradicional de três volumes. A linguagem agora é cupê quatro portas, com teto descendente e proporções esticadas. Lembra muito o GLC EV revelado meses antes — proposital, porque os dois compartilham a plataforma MB.EA.
A grade frontal é fechada, claramente inspirada nos clássicos W111 e W108 dos anos 1960. A estrela central é iluminada e pode contar com 1.050 LEDs opcionais que se acendem à noite. É um aceno retrô em pleno carro elétrico.
O entre-eixos cresceu 97 mm, chegando a 2.962 mm. Isso libera espaço interno generoso para um sedã do segmento, com porta-malas de 470 litros mais um frunk dianteiro de 101 litros. A direção nas quatro rodas (4,5° atrás) reduz o raio de giro para 11,2 m — útil em cidade.
O alvo é direto: tirar clientes do Tesla Model 3 Performance e do BMW i4 M50. Mas com luxo de Classe C, não com pegada de carro elétrico nichado.
MBUX Hyperscreen de 39,1″: o painel atravessa todo o carro
A grande estrela do interior é a tela opcional MBUX Hyperscreen. São 39,1 polegadas que vão de pilar a pilar, com 1.000 LEDs de retroiluminação. Atravessa o painel inteiro, do motorista ao passageiro.
Quem não quiser pagar pela tela gigante recebe três telas separadas: 10,3″ para o cluster do motorista, 14″ para a central multimídia e mais 14″ para o passageiro. Mesmo a configuração base já é mais sofisticada do que muito carro de luxo do mercado.
O sistema MBUX agora roda com Google integrado nativo. Mapas, busca, assistente de voz — tudo embarcado, sem precisar do celular pareado. A Mercedes virou cliente do Google em vez de competir com Apple CarPlay.

Plataforma MB.EA e 800V: 325 km em 10 minutos de recarga
O Classe C inaugura no segmento médio da Mercedes a plataforma MB.EA, exclusiva para elétricos. A bateria de 94 kWh usa química NMC (níquel-manganês-cobalto) e arquitetura de 800V — a mesma dos Porsche Taycan e Hyundai Ioniq 5.
Na prática, o que isso significa? Recarga rápida de até 330 kW. Em 10 minutos plugado, o carro recupera 325 km de autonomia. Em uma viagem de 800 km, dá para fazer só uma parada curta de café.
O Cx de 0,22 ajuda a explicar os 762 km de alcance. É 49 km a mais que o GLC EV (que tem a mesma bateria), só por ter carroceria mais aerodinâmica. Engenharia básica: vento bate menos no sedã do que no SUV.
Para entender melhor o que veículos zero emissões têm de diferente dos modelos a combustão, vale conferir o glossário. E quem quiser saber como ficou o ecossistema de recarga no Brasil pode olhar o plano da BYD de 1.000 carregadores ultrarrápidos até 2027.
Quando o Classe C elétrico chega ao Brasil
A Mercedes-Benz do Brasil confirmou o lançamento por aqui, mas não cravou data. O cenário mais provável aponta para 2027, depois da estreia europeia em setembro de 2026 e da chegada aos EUA no primeiro semestre de 2027.
O preço estimado na Europa é de cerca de 70 mil euros, o equivalente a R$ 425 mil ao câmbio atual. No Brasil, com impostos de importação e a maior carga tributária do segmento de luxo, é razoável projetar algo entre R$ 600 mil e R$ 700 mil.
Não é carro popular, e nunca foi a proposta. O Classe C compete com BMW Série 3, Audi A4 e Genesis G70 — sedãs médios premium importados que sempre passam de meio milhão por aqui. Para quem está nesse mercado, vale comparar com o teaser anterior do Classe C 2027 e com o Classe C elétrico 2026, que já tinha sido antecipado.
A presença do Lotus no Brasil em 2026 e a aposta cada vez maior das chinesas em sedãs elétricos premium devem pressionar a Mercedes a antecipar a chegada — ou a justificar muito bem a diferença de preço.
Por enquanto, fica o registro: a Mercedes acertou na ficha técnica, na tela e na pegada retrô da grade. O preço e o calendário brasileiro vão definir se o Classe C elétrico vira sucesso comercial ou só vitrine de tecnologia em concessionária.

