A Lotus chegou oficialmente ao Brasil em abril de 2026. A operação é independente, comandada pela LTS Brasil, sob liderança do empresário e ex-piloto de F3 Sul-Americana Clemente Faria Junior.
A marca britânica fundada por Colin Chapman em 1948 tem hoje portfólio dividido entre esportivos clássicos e elétricos premium. No Brasil, todos os modelos vão custar acima de R$ 900 mil.

Quem está por trás da Lotus no Brasil
Clemente Faria Junior é nome conhecido no automobilismo. Foi campeão da Fórmula 3 Sul-Americana e atualmente comanda o grupo Bamaq, que distribui Porsche, Mercedes-Benz e GWM em Minas Gerais.
A operação Lotus no Brasil será independente. A LTS Brasil cuida de importação, distribuição, rede de concessionárias, pós-venda, garantia e peças.
O detalhe importante: a Lotus pertence à Geely (chinesa) desde 2017. Mas a importação para o Brasil não passa pela Geely Brasil — vem direto via LTS, com vínculo comercial com a matriz inglesa.
Os modelos confirmados para o Brasil
A Lotus chega com quatro modelos principais. Dois esportivos britânicos e dois eletrificados produzidos na China:
- Emira: esportivo cupê, último com motor a combustão da Lotus, importado do Reino Unido.
- Evija: hipercarro 100% elétrico, edição limitada produzida em Hethel, Inglaterra.
- Eletre: SUV elétrico premium, produzido em Wuhan (China). Versões BEV e PHEV.
- Emeya: sedã elétrico de luxo, também produzido em Wuhan.
O modelo de entrada da gama será o Eletre, com preço estimado entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão. O Emira deve sair próximo a R$ 1 milhão também.

Lotus Emira: o último esportivo com motor a combustão
O Emira é o cupê esportivo de motor central traseiro. É o último modelo a combustão que a Lotus vai produzir — depois dele, toda a linha vira elétrica.
O motor é um V6 supercharged de 3.5 litros (origem Toyota), gerando 400 cv. Há também versão com motor 2.0 turbo de 4 cilindros (origem AMG/Mercedes), com 360 cv e câmbio DCT.
O preço internacional do Emira parte de £ 75 mil (cerca de R$ 540 mil em conversão direta). No Brasil, com impostos e operação Lotus independente, deve chegar próximo a R$ 1 milhão.
Lotus Eletre: o SUV que pode redefinir o luxo elétrico no Brasil
O Eletre é o produto de volume da operação. É um SUV elétrico de luxo com proposta clara: combinar dinâmica esportiva (DNA Lotus) com espaço útil de SUV grande.
São três versões:
- Eletre: 603 cv, 0-100 em 4,5 s, autonomia ~600 km
- Eletre S: mesma potência, acabamento mais refinado
- Eletre R: 905 cv, 0-100 em 2,95 s, autonomia ~490 km
Os concorrentes diretos são Porsche Cayenne Turbo GT e BMW iX M70 — ambos custando acima de R$ 1,3 milhão. O Eletre entra com proposta de oferecer performance similar por R$ 900 mil.
| Lotus Eletre — ficha técnica | |
|---|---|
| Tipo | SUV elétrico premium |
| Motor | 2 motores elétricos (AWD) |
| Potência base | 603 cv |
| Potência R | 905 cv |
| 0 a 100 km/h | 4,5 s (base) / 2,95 s (R) |
| Bateria | 112 kWh |
| Autonomia | 490-600 km (WLTP) |
| Recarga rápida | 350 kW (10-80% em 20 min) |
| Preço Brasil (estimativa) | R$ 900 mil a R$ 1,2 milhão |
Lotus Emeya: o sedã elétrico de luxo

O Emeya compartilha plataforma com o Eletre. A diferença é a carroceria sedã 4 portas, mais baixa e voltada para autobahn.
São números similares ao Eletre — 603 a 905 cv, autonomia próxima de 600 km, recarga rápida em 20 minutos. O preço internacional é praticamente idêntico ao Eletre.
No Brasil, a Lotus deve trazer o Emeya como modelo de nicho. O segmento de sedã elétrico de luxo é dominado por Porsche Taycan e Mercedes EQS — ambos premium estabelecidos.
Lotus Evija: o hipercarro elétrico de R$ 12 milhões
O Evija é a peça de imagem da marca. Hipercarro 100% elétrico de produção limitada (130 unidades no mundo), com 1.972 cv. A Lotus faz dele referência de tecnologia, não de volume.
O preço internacional do Evija parte de £ 2 milhões (cerca de R$ 14 milhões). No Brasil, com impostos, passa fácil dos R$ 18 milhões.
Não vai ser produto de venda em concessionária. O Evija no Brasil será produto sob encomenda, com cliente certo na hora do pedido.
Estratégia da Lotus no Brasil: nicho premium
A LTS Brasil planeja começar com poucas concessionárias. São Paulo e Belo Horizonte abrem primeiro. Rio de Janeiro e Brasília vêm depois.
A previsão de volume é modesta: 200 a 400 unidades por ano nos primeiros três anos. A Lotus não compete em volume — compete em diferenciação e prestígio.
O serviço de pós-venda é a parte crítica. Marcas premium novas no Brasil costumam tropeçar em peças e oficinas autorizadas. A LTS já adiantou que vai investir em estoque local de peças e treinamento de mecânicos especializados.
Como a Lotus se posiciona contra concorrentes

O competidor mais direto do Eletre é o Porsche Cayenne. Ambos são SUVs premium, ambos vendem performance, ambos miram o cliente que fez patrimônio e quer carro top de linha.
A diferença é o pedigree. Porsche tem 75 anos de Brasil. Lotus está chegando agora. Para o cliente conservador, isso pesa.
Mas a Lotus tem dois trunfos: ser nicho (escassez vende em luxo) e preço relativo. Um Eletre bem equipado pode sair R$ 300 mil abaixo de um Cayenne Turbo GT comparável.
Outros concorrentes diretos:
- BMW iX: R$ 750 mil a R$ 1,1 milhão — SUV elétrico premium estabelecido
- Mercedes EQS SUV: R$ 1 milhão+ — luxo conservador
- Audi e-tron GT: R$ 900 mil — sedã esportivo elétrico
- Volvo XC40 Recharge: R$ 480 mil — SUV elétrico mais acessível
O que esperar da Lotus em 2026 e 2027
A operação começa em 2026 com o Emira e o Eletre. O Emeya deve chegar no segundo semestre, e o Evija fica como produto de encomenda especial.
A meta da LTS Brasil é ter 5 concessionárias até o fim de 2027. O foco inicial são capitais com clientes premium consolidados.
Para quem está pensando em comprar premium elétrico em 2026, a Lotus é mais uma opção. A grande questão é se a marca consegue construir confiança no Brasil — onde Tesla, Polestar e outras marcas premium chegaram com promessa e tropeçaram em rede de pós-venda.
Quem compra um carro de R$ 900 mil quer suporte. A Lotus precisa entregar isso desde o primeiro dia, ou o boca a boca em segmento premium destrói operação rápido. Antes de qualquer compra, vale consultar débitos pela placa e a depreciação esperada de modelos importados de marca recém-chegada.
A Lotus traz história, DNA esportivo e produtos refinados. Resta saber se o público brasileiro dispõe a pagar por uma marca que sumiu por décadas — e voltou agora sob bandeira chinesa, mas com herança britânica intacta. Site oficial Lotus Cars.

