O Geely EX5 EM-i e o BYD Song Pro DM-i chegaram em 2026 com o mesmo preço de partida: R$ 189.990. São dois SUVs híbridos plug-in chineses, médios, com porta-malas grande e ambição de brigar pelo consumidor que cansou de pagar combustível.
A pergunta é direta: qual leva mais por R$ 190 mil?
O Geely chegou pesado. Trouxe motor de 262 cv, autonomia de até 1.300 km, tela de 14,6 polegadas e ADAS nível 2 já na versão de entrada. Virou o carro do prêmio do BBB 26 antes mesmo de aparecer nas ruas.
A BYD reagiu cortando R$ 4.810 do Song Pro 2026 para empatar no número da etiqueta. Agora os dois custam o mesmo. Mas não entregam o mesmo.
Ficha técnica lado a lado: o que cada R$ 190 mil compra
O ponto de partida é o mesmo, o que vem dentro não é. A versão de entrada do Geely (PRO) entrega mais potência, mais autonomia e mais tela do que a de entrada da BYD (GL). A BYD compensa em duas frentes: porta-malas e tradição de pós-venda no Brasil.
| Item | Geely EX5 EM-i PRO | BYD Song Pro DM-i GL |
|---|---|---|
| Preço | R$ 189.990 | R$ 189.990 |
| Motor combustão | 1.5 atmosférico (gerador) | 1.5 atmosférico, 98 cv |
| Motor elétrico | 160 kW | 197 cv |
| Potência combinada | 262 cv | 223 cv |
| Torque | 380 Nm | 40,8 kgfm |
| 0–100 km/h | 7,8 s | 8,3 s |
| Bateria | 18,4 kWh | 12,9 kWh (Blade LFP) |
| Autonomia elétrica | até 65 km | até 49 km |
| Autonomia total | até 1.300 km | mais de 1.000 km |
| Comprimento | 4.740 mm | 4.738 mm |
| Entre-eixos | 2.750 mm | 2.712 mm |
| Porta-malas | 428 L | 520 L |
| Multimídia | 14,6″ + cluster 10,2″ | tela rotativa DiLink |
| ADAS nível 2 | de série (todas as versões) | parcial (God’s Eye C) |
O motor 1.5 do Geely não move o carro diretamente — ele vira gerador para a bateria, no esquema série/paralelo da plataforma EM-i. Quem empurra o SUV é o motor elétrico.
Já o BYD Song Pro usa o sistema DM-i, que combina os dois motores de forma mais convencional. Em consumo, ambos prometem números altos. Na prática, o Geely larga na frente em autonomia elétrica e total.
Motor e desempenho: 39 cv de diferença pesam
São 262 cv contra 223 cv no Geely, com vantagem no 0 a 100 km/h (7,8 s contra 8,3 s). Para um SUV familiar de 1,7 tonelada não é desprezível — é meio segundo a menos em ultrapassagem na estrada.
O torque também favorece o Geely: 380 Nm contra cerca de 400 Nm da BYD na ponta combinada. Mas a entrega elétrica linear do EX5 dá sensação de mais força em retomadas urbanas.

Na prática diária, o que muda mesmo é o comportamento em modo elétrico. Com 65 km de alcance, o Geely cobre a rotina urbana de quem mora a até 30 km do trabalho sem ligar o motor a combustão por uma semana inteira. O BYD, com 49 km, exige carregar com mais frequência.
Autonomia real: 1.300 km contra 1.000 km
O número de 1.300 km do Geely é alcançado em condições ideais, com tanque cheio e bateria cheia. O da BYD passa de 1.000 km no mesmo cenário. A vantagem do EX5 vem de uma bateria 43% maior (18,4 kWh contra 12,9 kWh) e de um motor a combustão otimizado para gerar energia.
Para quem viaja, esse delta importa. Significa parar uma vez a menos em rota longa entre capitais. Significa também encarar o trecho rodoviário sem ansiedade de bateria — algo que SUV híbrido plug-in costuma sofrer quando o pacote elétrico é pequeno.
A versão topo do Geely (ULTRA, R$ 234.990) sobe a aposta para 29,8 kWh e 112 km de alcance elétrico — pra essa briga ela já tem o pacote de bateria de carro elétrico de verdade. Mas custa R$ 45 mil a mais.
Bateria, recarga e tecnologia BYD Blade
A BYD joga a carta da Blade Battery, formato lâmina em química LFP. É reconhecidamente segura — passa em testes de perfuração sem inflamar — e tem boa durabilidade em ciclos.
O Geely não tem nome de marketing pra bateria, mas oferece recarga 30-80% em 20 minutos no carregador de 30 kW. Na versão ULTRA, esse tempo cai para 16 minutos com carregador de 60 kW.

A BYD ainda não divulgou os tempos de recarga oficiais para o Song Pro brasileiro. Em compensação, anunciou em abril de 2026 um plano para instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até 2027 — recarga de 9 minutos em algumas unidades.
Quem usar o carro em viagem longa pode se beneficiar da rede da BYD. Quem só carrega na garagem não vai sentir diferença prática.
Espaço, dimensões e o porta-malas que decide compra
Os dois SUVs têm comprimento praticamente idêntico — 4,74 metros. Diferenças aparecem em dois pontos: entre-eixos e porta-malas.
O Geely tem 38 mm a mais entre os eixos (2.750 mm contra 2.712 mm). Isso se traduz em mais espaço para os joelhos no banco traseiro. Quem tem família com filhos adolescentes ou pais idosos vai notar.
A BYD ganha no porta-malas: 520 litros contra 428 litros. São 92 litros de diferença — mais ou menos o tamanho de uma mochila de viagem. Para quem usa o SUV pra rodar com bagagem, o Song Pro é mais prático.
| Quando o porta-malas decide | Geely EX5 (428 L) | BYD Song Pro (520 L) |
|---|---|---|
| 2 malas grandes + 1 média | aperto | cabe |
| Carrinho de bebê + sacolas | ok | folga |
| Compras de mês para 4 pessoas | ok | ok |
| Caixa térmica grande + bagagem fim de semana | aperto | cabe |
Equipamentos e tecnologia: o Geely entrega mais
Aqui está o ponto onde o EX5 PRO mais distancia o Song Pro GL pelo mesmo preço. A versão de entrada do Geely traz tela central de 14,6 polegadas, cluster digital de 10,2 polegadas, ADAS nível 2 completo (com piloto adaptativo e frenagem de emergência), Apple CarPlay e Android Auto sem fio.
A versão GL da BYD tem central rotativa do sistema DiLink — um diferencial visual icônico, mas o pacote de assistências God’s Eye C é mais limitado que o ADAS do Geely. Algumas funções ficam disponíveis só na GS (versão superior, mais cara).

O EX5 PRO já vem com câmera 360°, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e bancos com seis ajustes elétricos. Equipamentos que na BYD aparecem mais frequentemente na GS.
Para quem encara tecnologia como item central na decisão de compra, o Geely é vantagem clara nessa faixa.
Versões e preço: até onde vai cada modelo
O Geely tem três versões. A BYD Song Pro tem duas. O ranking de preços fica assim:
| Versão | Preço | Destaque |
|---|---|---|
| Geely EX5 EM-i PRO | R$ 189.990 | tela 14,6″ + ADAS de série |
| BYD Song Pro DM-i GL | R$ 189.990 | porta-malas 520 L + Blade Battery |
| BYD Song Pro DM-i GS | preço superior (não confirmado) | 112 km elétricos + bateria 18,3 kWh |
| Geely EX5 EM-i MAX | R$ 209.990 | head-up display + 16 alto-falantes |
| Geely EX5 EM-i ULTRA | R$ 234.990 | 112 km elétricos + bateria 29,8 kWh |
A BYD ainda não confirmou oficialmente o preço da versão GS no Brasil — informação que sai nas próximas semanas, conforme apurou a Motor1 Brasil.
Pontos fortes e fracos de cada um
👍 Geely EX5 EM-i
- Tecnologia: tela 14,6″ e ADAS nível 2 já na entrada
- Autonomia: até 1.300 km totais e 65 km elétricos
- Potência: 39 cv a mais e 0,5 s mais rápido no 0-100
- Espaço traseiro: 38 mm a mais entre eixos
- Exposição: carro do prêmio do BBB 26 = lembrança de marca
👎 Geely EX5 EM-i
- Rede: menos concessionárias que a BYD no Brasil
- Histórico: marca recém-relançada — pós-venda em construção
- Porta-malas: 92 litros menor que o concorrente
- Revenda: ainda sem histórico no mercado de usados brasileiro
👍 BYD Song Pro DM-i
- Porta-malas: 520 litros, melhor da categoria
- Blade Battery: química LFP segura e durável
- Rede: mais concessionárias e estrutura de pós-venda
- Tela rotativa: diferencial visual marcante
- Histórico: SUV híbrido já testado no Brasil desde 2023
👎 BYD Song Pro DM-i
- Tecnologia: ADAS limitado na versão GL
- Autonomia: 49 km elétricos contra 65 km do Geely
- Potência: 39 cv a menos pelo mesmo preço
- Equipamentos: precisa subir para a GS para ter pacote tecnológico do PRO Geely
Geely EX5 EM-i ou BYD Song Pro: qual escolher
Pelo mesmo R$ 189.990, o EX5 PRO entrega mais SUV na ficha. Mais potência, mais autonomia, mais tela, mais ADAS. É a escolha racional pelo papel.
Mas a BYD tem dois trunfos que o número não captura: rede de pós-venda madura e porta-malas 92 litros maior. Para quem viaja com a família ou já está no ecossistema BYD (eventualmente quer conectar com um carregador da rede da marca), o Song Pro faz sentido.

Vale comparar também com outros chineses que estão entrando agora na faixa de R$ 130 a 200 mil. O Omoda 4 chega por R$ 130 mil com proposta de tecnologia parecida em pacote menor. O Lepas L6 da Chery mira a mesma fatia. E o GWM Tank 300 PHEV flex joga numa categoria acima, mas com flex bicombustível.
Para quem está decidindo agora: o Geely entrega mais por menos. A BYD entrega mais segurança de rede e história. Quem prioriza ficha técnica vai de Geely. Quem prioriza confiança de pós-venda vai de BYD.
O detalhe que ninguém quer falar: nenhum dos dois tem revenda consolidada no Brasil. Em três anos, esse mercado vai ter respondido qual marca chinesa segura preço e qual desvalorizou rápido. É o teste real que a etiqueta de R$ 189.990 ainda não conseguiu fazer.

