A Hyundai apresentou no dia 20 de abril, durante a Milan Design Week, o Ioniq 3: um hatch 100% elétrico com até 496 km de autonomia WLTP e preço sugerido de cerca de £25.000 (~R$ 165 mil). E aí vem o detalhe que dói: o modelo não tem previsão para o Brasil.
O Ioniq 3 é exclusivo para o mercado europeu. Será produzido em Izmit, na Turquia, e começa a chegar nas concessionárias do Velho Continente no terceiro trimestre de 2026. A Austrália recebe o hatch em 2027.
Para o consumidor brasileiro que sonhava com um EV compacto da Hyundai, o consolo vem da Kia. O EV3 — primo direto do Ioniq 3, montado sobre a mesma plataforma E-GMP — está prometido para o mercado nacional no segundo semestre de 2026.

Ficha técnica: Standard Range x Long Range
O Ioniq 3 chega com duas configurações de bateria. A versão de entrada usa célula LFP de 42,2 kWh, enquanto a topo de linha aposta em pack NMC de 61 kWh. Veja a comparação:
| Item | Standard Range | Long Range |
|---|---|---|
| Bateria | 42,2 kWh (LFP) | 61 kWh (NMC) |
| Autonomia WLTP | 344 km | 496 km |
| Potência | 147 cv | 135 cv |
| 0–100 km/h | 9,0 s | 9,6 s |
| Velocidade máxima | 170 km/h | 170 km/h |
| Tração | Dianteira | Dianteira |
| Preço (estimado) | ~£25.000 | ~£28.000 |
Curioso: a versão Standard Range tem mais cavalos do que a Long Range. A explicação está no peso. O pack NMC maior compensa em alcance, mas penaliza o ganho de aceleração — daí a Hyundai calibrar potências diferentes para preservar a eficiência.
Aero Hatch: o design que aposta no spoiler integrado
A Hyundai batizou a linguagem visual do Ioniq 3 de Aero Hatch. O nome não é marketing puro: o teto recua em direção a um spoiler traseiro integrado que estica a carroceria visualmente e melhora o coeficiente de arrasto.
De frente, o hatch carrega os pixels iluminados que viraram assinatura da família Ioniq. As lanternas traseiras seguem o mesmo desenho, com pixels conectados por uma faixa contínua que atravessa o portão.
As rodas têm desenho aerodinâmico em duas tonalidades. Os retrovisores são compactos e fixados em haste, padrão da nova fase elétrica da marca coreana.

Pleos Connect e Android Automotive: o salto do interior
Por dentro, o Ioniq 3 estreia o Pleos Connect, novo sistema de infoentretenimento da Hyundai rodando sobre Android Automotive OS. A integração nativa com Google Maps, Assistente e Play Store entra de fábrica.
O cockpit traz duas telas de 12,3 polegadas em painel curvo. Os comandos físicos foram preservados nos atalhos de clima e volume — decisão acertada que vai contra a moda do all-touch.
O hatch oferece ainda carregamento bidirecional V2L (Vehicle-to-Load), permitindo plugar equipamentos elétricos no veículo de zero emissões e usá-lo como gerador de emergência.
O bagageiro tem 380 litros — competitivo para a categoria — e o entre-eixos generoso garante espaço de joelhos atrás compatível com sedãs médios.
Por que ele NÃO vem ao Brasil — e o que vem no lugar
A Hyundai brasileira não trabalha com importação direta de modelos europeus há anos. A operação local foca em produtos do CKD (modelos chineses montados no Brasil) e em SUVs já consagrados como Creta e HB20.
Trazer o Ioniq 3 da Turquia para o Brasil esbarraria em três problemas: imposto de importação cheio (sem cota Mercosul), volume baixo demais para justificar homologação e canibalização da gama nacional.
A boa notícia mora na Kia. O EV3 — irmão técnico do Ioniq 3, com a mesma plataforma E-GMP, motor dianteiro e baterias NMC — foi confirmado para o Brasil no segundo semestre de 2026. A Kia opera como marca premium importada e tem mais flexibilidade comercial.
O EV3 brasileiro deve vir como SUV compacto (não hatch como o Ioniq 3), com preço estimado entre R$ 250 mil e R$ 290 mil.
Concorrência: VW ID.3, BYD Dolphin e Renault 5
Na Europa, o Ioniq 3 entra num segmento aquecido. O VW ID.3 é o pioneiro, com versões a partir de €37 mil e até 558 km WLTP. O preço sugerido do Hyundai vem agressivo, abaixo do alemão.
O Renault 5 E-Tech é o queridinho do segmento retrô-elétrico, com 410 km de alcance e visual nostálgico. Custa a partir de €25 mil — confronto direto com a versão Standard Range do Ioniq 3.
O BYD Dolphin europeu (que aqui no Brasil chega em versão diferente) também opera nessa faixa, com 427 km WLTP e preço a partir de €27 mil.
O MG4 EV fecha o quarteto, com até 520 km WLTP e preço inicial em €30 mil. É hoje o que entrega mais alcance pelo dinheiro entre os populares europeus.
O Ioniq 3 entra como o sul-coreano que mistura preço competitivo, design diferenciado e a rede de assistência da Hyundai. Tem chance real de roubar mercado dos chineses — e isso preocupa quem acompanha a guerra dos elétricos no Velho Continente.

O que muda para o Brasil
Para o consumidor que segue de olho na expansão da infraestrutura de recarga no Brasil, o Ioniq 3 fica como referência indireta. A plataforma E-GMP da Hyundai-Kia está chegando — só não com o emblema H.
Quem quiser um EV compacto da família coreana terá no Kia EV3 o caminho mais provável. Já a Hyundai brasileira deve continuar focada nos elétricos chineses montados localmente e em modelos como o Kona Elétrico, hoje importado da Coreia.
O Ioniq 3 chega à Europa em produção, mas seu impacto no Brasil será apenas como referência de tecnologia. A engenharia da Hyundai mostrou para onde a marca vai — resta esperar quando esse pacote vai cruzar o Atlântico em alguma versão.

