BYD e Geely lideraram os emplacamentos em oito estados e no Distrito Federal em julho de 2026. O resultado fecha nove unidades da federação e mostra os carros elétricos avançando fora do eixo Sul-Sudeste.
A BYD venceu com o Dolphin e o Dolphin Mini. A Geely apareceu com o EX2. Enquanto isso, a Fiat Strada continuou na frente em 14 estados, sustentada pelo uso profissional e pela rede ampla da Fiat.

BYD concentrou seis lideranças estaduais
O BYD Dolphin foi o modelo mais emplacado no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Já o Dolphin Mini liderou em Alagoas, no Amapá e em Roraima.
A lista inclui três estados do Norte e Nordeste. Somados aos demais resultados, seis das nove UFs com liderança elétrica ficam nessas regiões.
| Marca | Modelo | Unidades da federação | Região |
|---|---|---|---|
| BYD | Dolphin | Distrito Federal, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul | Centro-Oeste, Sudeste e Sul |
| BYD | Dolphin Mini | Alagoas, Amapá e Roraima | Nordeste e Norte |
| Geely | EX2 | Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe | Nordeste |
O mapa também corrige uma confusão de contagem. São oito estados, mais o Distrito Federal, e não nove estados. No total, são nove UFs.
Geely estreia no mapa com o EX2
O Geely EX2 liderou na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Sergipe. É uma concentração regional clara, diferente da distribuição mais espalhada da BYD.
O hatch elétrico disputa compradores urbanos com BYD Dolphin Mini, Renault Kwid E-Tech, Leapmotor T03 e GWM Ora 03. O preço e a disponibilidade local pesam muito nesse tipo de compra.

Uma liderança estadual não significa que a Geely já tenha o mesmo volume nacional da BYD. Significa que o EX2 encontrou espaço em mercados específicos e conseguiu transformar presença comercial em emplacamentos.
Isso importa porque a marca ainda constrói sua rede no Brasil. Concessionária, estoque de peças e oficina autorizada contam tanto quanto autonomia na hora de fechar negócio.
Por que os elétricos avançaram no Norte e Nordeste?
Capitais e regiões metropolitanas concentram boa parte das vendas de carros elétricos. Nessas áreas, o uso diário costuma ser previsível, com deslocamentos urbanos e recarga em casa ou no trabalho.
Um motorista que roda 40 km por dia enfrenta menos limitações de autonomia do que quem cruza longas distâncias entre cidades. A tomada residencial também reduz a dependência de eletropostos públicos.
Há outro fator. Incentivos locais e isenções podem diminuir o custo de propriedade em algumas unidades da federação, embora as regras de IPVA variem conforme o estado.
O comprador precisa conferir a legislação da própria UF. O benefício pode mudar entre um carro elétrico e um híbrido, além de exigir cadastro ou atender limites específicos.
A rede de recarga também evoluiu nas principais cidades. Ainda assim, viajar pelo interior do Norte e do Nordeste exige planejamento, porque os pontos continuam mais espaçados do que os postos de combustíveis.
Strada mantém a força fora da disputa elétrica
A Fiat Strada liderou os emplacamentos em 14 estados. O resultado mostra que a eletrificação avançou, mas não mexeu no domínio dos veículos usados para trabalho.
A picape atende pequenos negócios, produtores rurais e entregadores. Tem manutenção conhecida, peças fáceis de encontrar e uma rede Fiat que chega a cidades onde BYD e Geely ainda não estão presentes.

Para uma empresa, ficar parado esperando uma peça custa dinheiro. É por isso que a Strada continua forte mesmo quando um elétrico oferece gasto menor por quilômetro rodado.
O comprador particular faz uma conta diferente. Ele compara combustível, recarga, seguro, IPVA, revisões e valor de revenda. O elétrico pode ganhar no uso urbano, mas o pós-venda ainda pesa contra as marcas novas.
O resultado de julho aumenta a confiança de quem mora fora dos grandes centros do Sudeste. Ver BYD e Geely liderando em estados do Norte e Nordeste indica que esses carros já deixaram de depender apenas de compradores premium.
Mas liderança estadual não elimina os cuidados básicos. Antes de assinar o contrato, vale localizar a concessionária mais próxima, confirmar o prazo de peças e verificar a estrutura de recarga na rota diária.
Também é preciso separar vendas no varejo de compras diretas. Um modelo pode liderar o ranking de uma UF com volume concentrado em empresas, locadoras ou frotas, sem dominar a garagem das famílias.
Os números completos de emplacamentos por estado podem ser acompanhados nos levantamentos da Fenabrave. A entidade separa os dados por marca e modelo, permitindo enxergar se a liderança foi apertada ou construída com folga.
BYD e Geely terão de provar que a expansão é sustentável
O resultado coloca nove UFs no radar dos carros elétricos. A BYD chega com Dolphin e Dolphin Mini em seis mercados; a Geely abre caminho com o EX2 em três estados nordestinos.
A Strada, porém, continua liderando em 14 estados. Esse contraste resume o mercado brasileiro de 2026: elétricos ganham território, mas manutenção simples e assistência próxima ainda decidem muitas compras.
Se BYD e Geely mantiverem essas posições nos próximos meses, a discussão deixará de ser sobre aceitação regional. Vai passar a ser sobre quem consegue entregar carro, peça e recarga no mesmo ritmo das vendas.