O BYD Song Pro Flex já está nas concessionárias brasileiras por R$ 176.990 na versão GL e R$ 199.990 na GS. O lançamento importa por um motivo simples: ele junta híbrido plug-in, motor flex e preço abaixo de R$ 180 mil num pedaço do mercado que vive espremido entre Corolla Cross, Haval H6 e Compass.
Bonito no folder é fácil. Quero ver no caixa da concessionária.
A BYD entendeu rápido o Brasil. Em vez de empurrar só eletrificação pura, colocou etanol no centro da conversa e entregou um SUV médio com até 72 km de autonomia elétrica pelo Inmetro e mais de 1.100 km no ciclo NEDC com gasolina.
Preço de entrada aperta os rivais
R$ 176.990. Esse é o número que muda a discussão.
Por esse valor, o Song Pro Flex GL entra abaixo de muito SUV médio tradicional e encosta em híbridos menos potentes. A GS sobe para R$ 199.990, uma diferença de R$ 23 mil que precisa fazer sentido no uso diário.
| Item | Song Pro Flex GL | Song Pro Flex GS |
|---|---|---|
| Preço | R$ 176.990 | R$ 199.990 |
| Sistema | Híbrido plug-in DM-i 5.0 com motor 1.5 flex | |
| Motor a combustão | 1.5 flex, 98 cv e 12,8 kgfm | |
| Potência combinada | 218 cv | 219 cv |
| Torque combinado | 30,6 kgfm | |
| 0 a 100 km/h | 8,8 s | 8,6 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h | |
| Bateria | 13,1 kWh | 18,3 kWh |
| Autonomia elétrica Inmetro | 57 km | 72 km |
| Autonomia total NEDC com gasolina | 1.075 km | 1.105 km |
| Autonomia total NEDC com etanol | 775 km | 805 km |
| Recarga AC | até 6,6 kW | |
| Tanque | 52 litros | |
| Entre-eixos | 2,71 m | |
| Garantia | 6 anos ou 200.000 km; bateria Blade com 8 anos ou 200.000 km | |
| Concorrentes diretos | GWM Haval H6, Toyota Corolla Cross Hybrid, Jeep Compass, Caoa Chery Tiggo 7 Pro Hybrid e BYD Song Plus | |
Tem outro detalhe. A versão de entrada já não vem pelada, e isso pesa muito quando o cliente compara etiqueta com equipamento de série.
Flex muda mais do que parece
Híbrido plug-in flex ainda é raridade por aqui. No Song Pro Flex, o motor 1.5 aceita gasolina e etanol, algo bem mais alinhado ao bolso e à rotina do brasileiro do que depender só de gasolina premium ou de recarga diária.
Quem roda pouco durante a semana pode usar boa parte do trajeto em modo elétrico. Quem pega estrada longa ou mora longe de ponto de carga continua com tanque de 52 litros e autonomia total bem alta.
Mas tem pegadinha de laboratório, sim. Os números acima de 1.000 km são no ciclo NEDC, que costuma ser mais otimista do que o uso real brasileiro, especialmente com trânsito pesado, ar-condicionado ligado e pé direito menos comportado.
No desempenho, a conta é honesta. A GL faz 0 a 100 km/h em 8,8 s, a GS em 8,6 s, com máxima de 180 km/h. Não é SUV esportivo, mas está longe de ser lerdo.
Pacote de série já vem forte
Por dentro, a BYD mexeu em pontos visíveis. O painel ganhou acabamento black piano, o quadro de instrumentos mede 22,4 cm e a multimídia chega a 32,5 cm, com Google Automotive Services, Apple CarPlay sem fio e Android Auto sem fio.
O seletor de marchas saiu do console e foi para a coluna de direção. Abre espaço na frente e dá aquele ar de carro mais moderno, ainda que esse tipo de solução divida opinião.
A lista segue boa: atualizações remotas OTA, conectividade 4G, sistema de som com oito alto-falantes, chave digital por NFC, teto solar panorâmico, sensor de chuva, carregador por indução ventilado de 50 W e retrovisor interno fotocrômico.
Na GL, o ADAS já entra na conta
Esse ponto interessa de verdade. A versão GL já traz pacote ADAS 2 com ACC, alerta de colisão frontal, alerta e assistente de faixa, frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas, farol alto automático e controle inteligente de limite de velocidade.
São seis airbags na versão de entrada. A GS adiciona ajustes elétricos para motorista e passageiro, vidros dianteiros laminados e um pacote extra de segurança com ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem traseira de emergência e aviso de abertura de porta.
Compensa pagar R$ 23 mil a mais? Para quem quer rodar mais no elétrico, a resposta tende a ser sim, porque a GS leva bateria maior de 18,3 kWh e sobe de 57 km para 72 km no Inmetro.
Concessionárias já receberam o Song Pro Flex
O SUV já está disponível no Brasil, segundo a própria BYD. Isso tira o carro do campo da pré-venda e coloca a disputa onde ela interessa: test-drive, prazo de entrega, seguro e valor de revenda.
Seguro e IPVA continuam pesando. Em estados sem benefício claro para híbridos, o imposto vem em cima de um carro entre R$ 176.990 e R$ 199.990, e isso muda bastante o custo anual.
A garantia ajuda a derrubar parte da desconfiança. São 6 anos ou 200.000 km para o carro e 8 anos ou 200.000 km para a bateria Blade, sempre para uso não comercial.
O alvo está bem definido
O Song Pro Flex mira o comprador que quer sair do SUV médio a combustão sem pular direto para um elétrico puro. É um cliente que olha Corolla Cross Hybrid, Haval H6, Tiggo 7 Pro Hybrid e até versões mais caras de Taos e ZR-V.
Só que a BYD trouxe um argumento que os rivais não exploram igual: etanol num plug-in. Para muita gente, isso fala mais alto do que acabamento bonito ou central multimídia grande.
Já nas lojas, o Song Pro Flex mexe no segmento porque mistura preço agressivo, pacote forte e autonomia elétrica útil. Falta ver se isso basta para derrubar a resistência do brasileiro com revenda, seguro e pós-venda — porque é aí que lançamento chinês deixa de ser novidade e vira compra de verdade.
