BYD Song Pro Flex estreia com etanol e 72 km elétricos

Por Verificar Auto 04/08/2026 às 15:24 5 min de leitura Atualizado: 04/08/2026
BYD Song Pro Flex estreia com etanol e 72 km elétricos
5 min de leitura

O BYD Song Pro Flex já está nas concessionárias brasileiras por R$ 176.990 na versão GL e R$ 199.990 na GS. O lançamento importa por um motivo simples: ele junta híbrido plug-in, motor flex e preço abaixo de R$ 180 mil num pedaço do mercado que vive espremido entre Corolla Cross, Haval H6 e Compass.

Bonito no folder é fácil. Quero ver no caixa da concessionária.

A BYD entendeu rápido o Brasil. Em vez de empurrar só eletrificação pura, colocou etanol no centro da conversa e entregou um SUV médio com até 72 km de autonomia elétrica pelo Inmetro e mais de 1.100 km no ciclo NEDC com gasolina.

Preço de entrada aperta os rivais

R$ 176.990. Esse é o número que muda a discussão.

Por esse valor, o Song Pro Flex GL entra abaixo de muito SUV médio tradicional e encosta em híbridos menos potentes. A GS sobe para R$ 199.990, uma diferença de R$ 23 mil que precisa fazer sentido no uso diário.

Item Song Pro Flex GL Song Pro Flex GS
Preço R$ 176.990 R$ 199.990
Sistema Híbrido plug-in DM-i 5.0 com motor 1.5 flex
Motor a combustão 1.5 flex, 98 cv e 12,8 kgfm
Potência combinada 218 cv 219 cv
Torque combinado 30,6 kgfm
0 a 100 km/h 8,8 s 8,6 s
Velocidade máxima 180 km/h
Bateria 13,1 kWh 18,3 kWh
Autonomia elétrica Inmetro 57 km 72 km
Autonomia total NEDC com gasolina 1.075 km 1.105 km
Autonomia total NEDC com etanol 775 km 805 km
Recarga AC até 6,6 kW
Tanque 52 litros
Entre-eixos 2,71 m
Garantia 6 anos ou 200.000 km; bateria Blade com 8 anos ou 200.000 km
Concorrentes diretos GWM Haval H6, Toyota Corolla Cross Hybrid, Jeep Compass, Caoa Chery Tiggo 7 Pro Hybrid e BYD Song Plus

Tem outro detalhe. A versão de entrada já não vem pelada, e isso pesa muito quando o cliente compara etiqueta com equipamento de série.

Flex muda mais do que parece

Híbrido plug-in flex ainda é raridade por aqui. No Song Pro Flex, o motor 1.5 aceita gasolina e etanol, algo bem mais alinhado ao bolso e à rotina do brasileiro do que depender só de gasolina premium ou de recarga diária.

Quem roda pouco durante a semana pode usar boa parte do trajeto em modo elétrico. Quem pega estrada longa ou mora longe de ponto de carga continua com tanque de 52 litros e autonomia total bem alta.

Mas tem pegadinha de laboratório, sim. Os números acima de 1.000 km são no ciclo NEDC, que costuma ser mais otimista do que o uso real brasileiro, especialmente com trânsito pesado, ar-condicionado ligado e pé direito menos comportado.

No desempenho, a conta é honesta. A GL faz 0 a 100 km/h em 8,8 s, a GS em 8,6 s, com máxima de 180 km/h. Não é SUV esportivo, mas está longe de ser lerdo.

Pacote de série já vem forte

Por dentro, a BYD mexeu em pontos visíveis. O painel ganhou acabamento black piano, o quadro de instrumentos mede 22,4 cm e a multimídia chega a 32,5 cm, com Google Automotive Services, Apple CarPlay sem fio e Android Auto sem fio.

O seletor de marchas saiu do console e foi para a coluna de direção. Abre espaço na frente e dá aquele ar de carro mais moderno, ainda que esse tipo de solução divida opinião.

A lista segue boa: atualizações remotas OTA, conectividade 4G, sistema de som com oito alto-falantes, chave digital por NFC, teto solar panorâmico, sensor de chuva, carregador por indução ventilado de 50 W e retrovisor interno fotocrômico.

Na GL, o ADAS já entra na conta

Esse ponto interessa de verdade. A versão GL já traz pacote ADAS 2 com ACC, alerta de colisão frontal, alerta e assistente de faixa, frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas, farol alto automático e controle inteligente de limite de velocidade.

São seis airbags na versão de entrada. A GS adiciona ajustes elétricos para motorista e passageiro, vidros dianteiros laminados e um pacote extra de segurança com ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem traseira de emergência e aviso de abertura de porta.

Compensa pagar R$ 23 mil a mais? Para quem quer rodar mais no elétrico, a resposta tende a ser sim, porque a GS leva bateria maior de 18,3 kWh e sobe de 57 km para 72 km no Inmetro.

Concessionárias já receberam o Song Pro Flex

O SUV já está disponível no Brasil, segundo a própria BYD. Isso tira o carro do campo da pré-venda e coloca a disputa onde ela interessa: test-drive, prazo de entrega, seguro e valor de revenda.

Seguro e IPVA continuam pesando. Em estados sem benefício claro para híbridos, o imposto vem em cima de um carro entre R$ 176.990 e R$ 199.990, e isso muda bastante o custo anual.

A garantia ajuda a derrubar parte da desconfiança. São 6 anos ou 200.000 km para o carro e 8 anos ou 200.000 km para a bateria Blade, sempre para uso não comercial.

O alvo está bem definido

O Song Pro Flex mira o comprador que quer sair do SUV médio a combustão sem pular direto para um elétrico puro. É um cliente que olha Corolla Cross Hybrid, Haval H6, Tiggo 7 Pro Hybrid e até versões mais caras de Taos e ZR-V.

Só que a BYD trouxe um argumento que os rivais não exploram igual: etanol num plug-in. Para muita gente, isso fala mais alto do que acabamento bonito ou central multimídia grande.

Já nas lojas, o Song Pro Flex mexe no segmento porque mistura preço agressivo, pacote forte e autonomia elétrica útil. Falta ver se isso basta para derrubar a resistência do brasileiro com revenda, seguro e pós-venda — porque é aí que lançamento chinês deixa de ser novidade e vira compra de verdade.