O BYD Song Pro 2027 chega ao Brasil com menos torque, mais autonomia elétrica e suspensão recalibrada. As versões GL e GS também adotam motor flex, mirando o uso urbano de famílias que conseguem carregar o SUV em casa.
A mudança parece estranha na ficha técnica. Na rua, porém, a proposta ficou mais coerente: trocar parte da força por eficiência, conforto e rodagem elétrica mais longa.
Song Pro 2027 perdeu força no papel
O conjunto híbrido continua formado por um motor 1.5 aspirado flex e um propulsor elétrico de 163 cv. A potência combinada ficou em 218 cv na GL e 219 cv na GS.
O torque combinado caiu de 43 kgfm para 30,6 kgfm. É uma redução grande, especialmente para quem olha apenas os números de desempenho.
Mesmo assim, o 0 a 100 km/h não despencou. A GL faz o percurso em 8,6 segundos, enquanto a GS precisa de 8,8 segundos.
| Item | Song Pro GL | Song Pro GS |
|---|---|---|
| Motor a combustão | 1.5 aspirado flex | 1.5 aspirado flex |
| Potência do motor a combustão | 98 cv | 98 cv |
| Motor elétrico | 163 cv | 163 cv |
| Potência combinada | 218 cv | 219 cv |
| Torque combinado | 30,6 kgfm | 30,6 kgfm |
| Tração | Dianteira | Dianteira |
| Bateria | 13,1 kWh | 18,3 kWh |
| 0 a 100 km/h | 8,6 segundos | 8,8 segundos |
| Autonomia elétrica | 57 km | 72 km |
O desempenho ainda é suficiente para um SUV familiar. A diferença aparece mais em retomadas fortes do que em saídas normais, nas quais o motor elétrico entrega resposta imediata.

Mais quilômetros sem ligar o motor a gasolina
A bateria maior é a principal novidade funcional da atualização. A GL usa um conjunto de 13,1 kWh, enquanto a GS recebe 18,3 kWh.
Segundo a homologação do Inmetro, a GL roda 57 km no modo elétrico. A GS chega a 72 km, distância suficiente para cobrir muitos deslocamentos diários sem consumir gasolina ou etanol.
Quem percorre 30 ou 40 km por dia pode terminar a rotina ainda no modo elétrico. Isso depende do trânsito, da temperatura e do uso do ar-condicionado, mas a margem ficou mais confortável.
A autonomia total divulgada pela BYD chega a 1.075 km na GL com gasolina e 775 km com etanol. Na GS, os números sobem para 1.105 km e 805 km, respectivamente.
O etanol também muda a conversa no Brasil. O proprietário não fica preso à gasolina e pode escolher o combustível conforme o preço da região, além de usar eletricidade nos trajetos curtos.
Para conferir a operação e as especificações brasileiras, a referência oficial é o site da BYD Brasil. A autonomia elétrica homologada deve ser consultada na documentação do Inmetro.
Suspensão mais firme muda a impressão ao volante
A BYD também mexeu na suspensão. O acerto ficou mais firme e controlado, reduzindo a sensação de carro solto em mudanças de direção e frenagens.
O teste foi realizado em um circuito curto, com cerca de 15 km. Não é distância suficiente para medir consumo real ou desgaste, mas permite perceber o comportamento da carroceria.
A mudança faz sentido para o Song Pro. Um SUV híbrido plug-in carrega bateria, motor elétrico e tanque de combustível. Sem controle adequado, o peso aparece nas curvas.
Mais firme não significa automaticamente mais confortável. Em ruas brasileiras remendadas, a calibração precisa filtrar valetas e tampas de bueiro sem transmitir pancadas para a cabine.
A impressão inicial é de um carro menos preocupado em impressionar na arrancada. O foco passou para estabilidade, previsibilidade e uso elétrico prolongado.

Preços colocam o Song Pro entre SUVs chineses
O BYD Song Pro 2027 parte de R$ 176.999 na versão GL. A GS custa R$ 199.990, diferença de R$ 22.991 entre as configurações.
| Versão | Bateria | Autonomia elétrica | Preço de lançamento |
|---|---|---|---|
| GL | 13,1 kWh | 57 km | R$ 176.999 |
| GS | 18,3 kWh | 72 km | R$ 199.990 |
A GS cobra mais, mas entrega 15 km adicionais de autonomia elétrica. Para quem carrega o carro diariamente, essa diferença pode ser mais útil que alguns cavalos extras.
O modelo enfrenta Jaecoo 7 Elite, Geely EX5 Pro e GWM Haval H6 One. Também divide atenção com o BYD Song Plus, que ocupa uma posição mais sofisticada dentro da própria marca.
O Song Pro aposta em eficiência e preço de entrada. O Song Plus mira mais desempenho e refinamento. A separação evita que os dois SUVs disputem exatamente o mesmo comprador.
Na faixa de R$ 177 mil a R$ 200 mil, a rede de concessionárias pesa tanto quanto a ficha técnica. A BYD ampliou sua presença no país, mas a cobertura ainda varia bastante entre capitais e cidades médias.
Para quem o Song Pro 2027 faz sentido
O comprador ideal tem vaga com tomada, roda bastante na cidade e aceita planejar as recargas. Nesse cenário, os 57 km ou 72 km elétricos reduzem o uso diário do motor a combustão.
Também é uma alternativa para quem viaja. Com combustível no tanque, o motorista não depende exclusivamente de carregadores públicos em rodovias.
Já quem não consegue carregar em casa perde parte da vantagem do sistema plug-in. O carro continua híbrido, mas a bateria maior passa a ser menos aproveitada.
O BYD Song Pro 2027 não ficou mais rápido. Ficou mais ajustado ao cotidiano brasileiro, com flex, suspensão revisada e até 72 km de alcance elétrico homologado. A pergunta é se o comprador aceitará pagar quase R$ 200 mil pela GS para usar essa autonomia todos os dias.
