O Smart #2 resgata a fórmula do Fortwo com dois lugares, carroceria de apenas 2,75 metros e motor elétrico de 80 cv. A estreia mundial está prevista para outubro de 2026, no Salão de Paris.
O modelo ainda não tem preço oficial nem previsão de venda no Brasil. Mesmo assim, sua proposta chama atenção: é menor que os hatches de entrada brasileiros e volta a tratar estacionamento como prioridade.
Smart #2 volta às origens com dois lugares
A Smart abandonou o formato de dois lugares nos modelos #1, #3 e #5. Agora, o Smart #2 recupera a identidade que fez o Fortwo conhecido nas grandes cidades.
As imagens de homologação divulgadas pelo MIIT, órgão chinês responsável por aprovar veículos, mostram um carro de produção praticamente pronto. O desenho mantém a linguagem atual da marca, mas em uma carroceria muito menor.

O comprimento fica entre 2.751 mm e 2.764 mm, conforme a configuração registrada. A largura é de 1.669 mm, enquanto a altura chega a 1.548 mm.
O entre-eixos de 1.875 mm ajuda a liberar espaço para os dois ocupantes. Também deixa as rodas mais próximas das extremidades, solução típica de carros feitos para manobrar em ruas apertadas.
| Item | Smart #2 |
|---|---|
| Segmento | Subcompacto urbano elétrico |
| Capacidade | 2 ocupantes |
| Comprimento | Entre 2.751 mm e 2.764 mm |
| Largura | 1.669 mm |
| Altura | 1.548 mm |
| Entre-eixos | 1.875 mm |
| Peso em ordem de marcha | 1.130 kg |
| Motor elétrico | 60 kW, cerca de 80 cv |
| Velocidade máxima | 140 km/h |
| Bateria | LFP, com células CATL |
| Capacidade estimada da bateria | 35,7 kWh |
| Autonomia estimada | Cerca de 300 km no ciclo WLTP |
Motor de 80 cv prioriza a cidade
O Smart #2 usa um motor elétrico de 60 kW, equivalente a aproximadamente 80 cv. O fornecedor é a Infimotion, empresa ligada ao ecossistema industrial da Geely.
A velocidade máxima de 140 km/h mostra que o carro não foi projetado para disputar desempenho. A prioridade é sair rápido dos semáforos, fazer balizas curtas e circular com baixo consumo.
A bateria utiliza química LFP, fornecida pela CATL. A capacidade estimada é de 35,7 kWh, suficiente para cerca de 300 km pelo ciclo WLTP.
Na prática, a autonomia real dependerá de temperatura, velocidade e uso do ar-condicionado. Ainda assim, o número permite rodar vários dias na cidade sem recarga para quem percorre 40 km diariamente.

Menor que Kwid e Mobi, mas sem quatro lugares
O Smart #2 é menor que Renault Kwid e Fiat Mobi, referências brasileiras de carro compacto. A comparação serve para dimensionar o porte, não para apontar concorrência direta.
O Kwid E-Tech também é elétrico, mas leva quatro ocupantes e entrega uma proposta mais convencional. O BYD Dolphin Mini segue a mesma lógica de maior versatilidade, com carroceria mais comprida e espaço para uso familiar.
| Modelo | Proposta | Relação com o Smart #2 |
|---|---|---|
| Smart #2 | Elétrico urbano de 2 lugares | Referência principal |
| Renault Kwid E-Tech | Elétrico urbano de 4 lugares | Maior e mais versátil |
| BYD Dolphin Mini | Hatch elétrico compacto | Maior e voltado ao uso familiar |
| Fiat Mobi | Hatch urbano a combustão | Comparável apenas pelo porte |
| Citroën Ami | Micromobilidade elétrica | Categoria diferente |
Dois lugares são uma limitação evidente. Para um casal que usa o carro na cidade, podem bastar. Para uma família brasileira, o Smart #2 ficaria restrito ao papel de segundo carro.
É justamente aí que a proposta ganha sentido. O comprador não escolhe espaço ou preço baixo; escolhe facilidade para estacionar e um desenho diferente dos hatches comuns.
Mercedes desenha, Geely produz
A Smart continua funcionando como uma joint venture entre Mercedes-Benz e Geely. A Mercedes participa diretamente do design, enquanto a empresa chinesa concentra engenharia, plataforma e fabricação.
A produção ficará a cargo da Zhejiang Haoqing Automotive, ligada à Geely. O arranjo mostra uma Smart menos dependente da antiga estrutura europeia e mais integrada à cadeia chinesa de carros elétricos.
O Smart #2 usa uma arquitetura elétrica compacta desenvolvida para esse tipo de veículo. Não é simplesmente um #1 encurtado, mas um projeto voltado desde o início para dois ocupantes e uso urbano.

Salão de Paris deve revelar preço e versões
O Concept #2 já antecipou o retorno do formato de dois lugares. A versão definitiva deve ser apresentada mundialmente em outubro de 2026, durante o Salão de Paris.
Até lá, faltam definições importantes para medir a força do projeto: preço, equipamentos, tempo de recarga e autonomia homologada. A capacidade de 35,7 kWh e os 300 km são estimativas baseadas nos dados de homologação.
O Smart #2 também não tem comercialização confirmada no Brasil. A marca possui atuação internacional, mas não vende atualmente esse modelo por aqui, e não há rede brasileira anunciada para atender o carro.
Isso pesa no custo total. Um eventual importado teria seguro, peças e manutenção mais caros que os de um Renault Kwid E-Tech ou BYD Dolphin Mini, além de possíveis dificuldades no pós-venda.
As especificações oficiais da marca podem ser acompanhadas no site global da Smart. O preço brasileiro, caso o carro seja oferecido no país, dependerá de importação, homologação e estratégia comercial.
O Smart #2 é um anti-SUV assumido: pequeno, elétrico e limitado a duas pessoas. A pergunta que fica é outra: quantos brasileiros aceitariam abrir mão dos bancos traseiros para estacionar em qualquer vaga?
