O Smart #2 cabe na cidade com 300 km de autonomia?

Por Verificar Auto 10/08/2026 às 13:37 5 min de leitura
O Smart #2 cabe na cidade com 300 km de autonomia?
5 min de leitura

O Smart #2 resgata a fórmula do Fortwo com dois lugares, carroceria de apenas 2,75 metros e motor elétrico de 80 cv. A estreia mundial está prevista para outubro de 2026, no Salão de Paris.

O modelo ainda não tem preço oficial nem previsão de venda no Brasil. Mesmo assim, sua proposta chama atenção: é menor que os hatches de entrada brasileiros e volta a tratar estacionamento como prioridade.

Smart #2 volta às origens com dois lugares

A Smart abandonou o formato de dois lugares nos modelos #1, #3 e #5. Agora, o Smart #2 recupera a identidade que fez o Fortwo conhecido nas grandes cidades.

As imagens de homologação divulgadas pelo MIIT, órgão chinês responsável por aprovar veículos, mostram um carro de produção praticamente pronto. O desenho mantém a linguagem atual da marca, mas em uma carroceria muito menor.

Novo Smart #2 terá cerca de 2,75 metros de comprimento e entre-eixos de 1,87 metro.
Novo Smart #2 terá cerca de 2,75 metros de comprimento e entre-eixos de 1,87 metro. (Reprodução)

O comprimento fica entre 2.751 mm e 2.764 mm, conforme a configuração registrada. A largura é de 1.669 mm, enquanto a altura chega a 1.548 mm.

O entre-eixos de 1.875 mm ajuda a liberar espaço para os dois ocupantes. Também deixa as rodas mais próximas das extremidades, solução típica de carros feitos para manobrar em ruas apertadas.

Item Smart #2
Segmento Subcompacto urbano elétrico
Capacidade 2 ocupantes
Comprimento Entre 2.751 mm e 2.764 mm
Largura 1.669 mm
Altura 1.548 mm
Entre-eixos 1.875 mm
Peso em ordem de marcha 1.130 kg
Motor elétrico 60 kW, cerca de 80 cv
Velocidade máxima 140 km/h
Bateria LFP, com células CATL
Capacidade estimada da bateria 35,7 kWh
Autonomia estimada Cerca de 300 km no ciclo WLTP

Motor de 80 cv prioriza a cidade

O Smart #2 usa um motor elétrico de 60 kW, equivalente a aproximadamente 80 cv. O fornecedor é a Infimotion, empresa ligada ao ecossistema industrial da Geely.

A velocidade máxima de 140 km/h mostra que o carro não foi projetado para disputar desempenho. A prioridade é sair rápido dos semáforos, fazer balizas curtas e circular com baixo consumo.

A bateria utiliza química LFP, fornecida pela CATL. A capacidade estimada é de 35,7 kWh, suficiente para cerca de 300 km pelo ciclo WLTP.

Na prática, a autonomia real dependerá de temperatura, velocidade e uso do ar-condicionado. Ainda assim, o número permite rodar vários dias na cidade sem recarga para quem percorre 40 km diariamente.

Smart #2 mantém proposta de dois lugares e dimensões ultracompactas inspiradas no antigo Fortwo.
Smart #2 mantém proposta de dois lugares e dimensões ultracompactas inspiradas no antigo Fortwo. (Reprodução)

Menor que Kwid e Mobi, mas sem quatro lugares

O Smart #2 é menor que Renault Kwid e Fiat Mobi, referências brasileiras de carro compacto. A comparação serve para dimensionar o porte, não para apontar concorrência direta.

O Kwid E-Tech também é elétrico, mas leva quatro ocupantes e entrega uma proposta mais convencional. O BYD Dolphin Mini segue a mesma lógica de maior versatilidade, com carroceria mais comprida e espaço para uso familiar.

Modelo Proposta Relação com o Smart #2
Smart #2 Elétrico urbano de 2 lugares Referência principal
Renault Kwid E-Tech Elétrico urbano de 4 lugares Maior e mais versátil
BYD Dolphin Mini Hatch elétrico compacto Maior e voltado ao uso familiar
Fiat Mobi Hatch urbano a combustão Comparável apenas pelo porte
Citroën Ami Micromobilidade elétrica Categoria diferente

Dois lugares são uma limitação evidente. Para um casal que usa o carro na cidade, podem bastar. Para uma família brasileira, o Smart #2 ficaria restrito ao papel de segundo carro.

É justamente aí que a proposta ganha sentido. O comprador não escolhe espaço ou preço baixo; escolhe facilidade para estacionar e um desenho diferente dos hatches comuns.

Mercedes desenha, Geely produz

A Smart continua funcionando como uma joint venture entre Mercedes-Benz e Geely. A Mercedes participa diretamente do design, enquanto a empresa chinesa concentra engenharia, plataforma e fabricação.

A produção ficará a cargo da Zhejiang Haoqing Automotive, ligada à Geely. O arranjo mostra uma Smart menos dependente da antiga estrutura europeia e mais integrada à cadeia chinesa de carros elétricos.

O Smart #2 usa uma arquitetura elétrica compacta desenvolvida para esse tipo de veículo. Não é simplesmente um #1 encurtado, mas um projeto voltado desde o início para dois ocupantes e uso urbano.

Sucessor do Smart ForTwo vaza e é menor que Kwid e Mobi: Design
Sucessor do Smart ForTwo vaza e é menor que Kwid e Mobi: Design (Reprodução)

Salão de Paris deve revelar preço e versões

O Concept #2 já antecipou o retorno do formato de dois lugares. A versão definitiva deve ser apresentada mundialmente em outubro de 2026, durante o Salão de Paris.

Até lá, faltam definições importantes para medir a força do projeto: preço, equipamentos, tempo de recarga e autonomia homologada. A capacidade de 35,7 kWh e os 300 km são estimativas baseadas nos dados de homologação.

O Smart #2 também não tem comercialização confirmada no Brasil. A marca possui atuação internacional, mas não vende atualmente esse modelo por aqui, e não há rede brasileira anunciada para atender o carro.

Isso pesa no custo total. Um eventual importado teria seguro, peças e manutenção mais caros que os de um Renault Kwid E-Tech ou BYD Dolphin Mini, além de possíveis dificuldades no pós-venda.

As especificações oficiais da marca podem ser acompanhadas no site global da Smart. O preço brasileiro, caso o carro seja oferecido no país, dependerá de importação, homologação e estratégia comercial.

O Smart #2 é um anti-SUV assumido: pequeno, elétrico e limitado a duas pessoas. A pergunta que fica é outra: quantos brasileiros aceitariam abrir mão dos bancos traseiros para estacionar em qualquer vaga?