O Geely EX5 mudou bastante na China. O SUV elétrico passou para cerca de 333 cv, ganhou tração traseira, elevou a velocidade máxima para 201 km/h e recebeu um pacote de assistência mais sofisticado. Para quem olha o modelo nas lojas brasileiras, a pergunta é direta: isso chega aqui também?
Por enquanto, não.
O EX5 vendido no Brasil segue com 218 cv, tração dianteira e bateria LFP de 60,22 kWh. A novidade chinesa ainda não teve confirmação oficial para nosso mercado, mas mostra com clareza para onde a Geely quer levar o carro.
Mais motor e outra pegada
O salto de potência é grande. Sai de 218 cv na configuração brasileira para algo em torno de 333 cv na chinesa.
Não é detalhe de ficha técnica. É mudança de posicionamento.
Além do número maior, o motor aparece no eixo traseiro. Na prática, isso indica tração traseira, abandonando o arranjo dianteiro do EX5 vendido hoje no Brasil.
Isso mexe no comportamento do carro. Um elétrico com tração traseira costuma sair de curva com mais naturalidade e aliviar o trabalho das rodas dianteiras, que deixam de acelerar e esterçar ao mesmo tempo.
Na estrada, a diferença tende a aparecer nas retomadas e no fôlego acima de 100 km/h. A velocidade máxima subiu de 175 km/h para 201 km/h na versão chinesa. Não muda a vida no trânsito brasileiro, claro, mas mostra que houve ganho real de desempenho.
329 cv ou 333 cv? O número mais correto é 333 cv
Uma das fontes falou em 329 cv. Outras cravaram 333 cv.
A explicação é simples e técnica. O dado em kW apareceu como 245 kW, e isso equivale a cerca de 333 cv no padrão métrico usado aqui. Os 329 cv parecem ser resultado de arredondamento editorial.
Então vale guardar este número: 333 cv. É ele que faz mais sentido na conversão.
O ADAS subiu um andar
Não foi só o motor que mudou. O EX5 chinês também recebeu a plataforma G-Pilot H5, com sensores extras e arquitetura de assistência mais robusta.
Há sensor no teto, câmeras adicionais nos para-lamas dianteiros e outra área de captação próxima ao spoiler traseiro. O pacote inclui navegação assistida em rodovias e também em vias urbanas.
Traduzindo para o uso real: o carro passa a enxergar mais do entorno e a executar assistências mais complexas. Vai virar semi-autônomo de verdade? Calma. Ainda depende de homologação, calibração e regras locais, principalmente fora da China.
Mesmo assim, a direção assistida deu um salto claro. E esse item pesa cada vez mais em SUV elétrico nessa faixa.
Até a maçaneta mudou
A Geely trocou as maçanetas embutidas por peças convencionais. Parece retrocesso? Nem tanto.
Na China, cresce a pressão regulatória contra soluções retráteis muito “flush”, por causa de acionamento em emergências, confiabilidade após colisões e facilidade de resgate. O EX5 entrou nessa leva.
Também houve retoque no para-choque dianteiro. O desenho ficou levemente diferente, mas a alteração mais relevante está na segurança passiva e no uso prático.
Maçaneta comum não rende foto de lançamento. Só que funciona melhor quando alguém precisa abrir a porta rápido.
O EX5 brasileiro continua bem mais manso
Hoje, o carro vendido no Brasil é outro. Ele estreou por aqui em agosto de 2025 como o primeiro elétrico da Geely no país, com proposta mais comportada.
| Geely EX5 no Brasil | Dado confirmado |
|---|---|
| Motor | Elétrico dianteiro |
| Potência | 218 cv |
| Torque | 32,6 kgfm |
| Tração | Dianteira |
| Bateria | 60,22 kWh |
| Química da bateria | LFP |
| Estreia no Brasil | Agosto de 2025 |
Já a novidade chinesa sobe o sarrafo de forma pesada.
| Nova configuração do EX5 na China | Dado confirmado |
|---|---|
| Motor | Elétrico traseiro |
| Potência | 333 cv |
| Tração | Traseira |
| Velocidade máxima | 201 km/h |
| Química da bateria | LFP |
| Assistência à condução | G-Pilot H5 com sensores extras |
| Maçanetas | Convencionais |
Faltam dois números importantes: capacidade da bateria dessa nova versão e autonomia. Sem isso, não dá para cravar se o EX5 ficou só mais forte ou também mais eficiente.
Quem roda muito vai olhar primeiro para alcance, não para velocidade máxima. Esse pedaço da história ainda está aberto.
Se essa receita vier ao Brasil, a conversa muda
O EX5 atual já entrou num terreno disputado. Se a Geely trouxer os 333 cv e o pacote G-Pilot H5, o SUV passa a olhar de outro jeito para BYD Yuan Plus, GWM Ora 03, Volvo EX30 e futuros elétricos médios da BYD.
Mas preço e calendário vão mandar mais do que a potência. Sem valor competitivo, peça disponível e pós-venda minimamente organizado, número grande de cavalo vira argumento de folder.
Há ainda um pano de fundo importante. A Geely trabalha a nacionalização do modelo no Brasil em parceria com a Renault, no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. Se essa atualização entrar no plano industrial, o EX5 pode chegar mais ajustado ao que o consumidor brasileiro espera.
Oficialmente, porém, nada foi confirmado sobre a vinda dessa configuração. Nem preço, nem autonomia, nem cronograma.
O que já dá para cravar
O EX5 melhorou na China. Ficou mais forte, ganhou uma base eletrônica mais avançada e abandonou uma solução de design que anda perdendo espaço por motivo de segurança.
No Brasil, o carro continua sendo o de 218 cv e tração dianteira. Quem quiser acompanhar a linha global da marca pode consultar a página oficial da Geely, mas a resposta que interessa mesmo ainda não apareceu: quando a versão de 333 cv sair da China, ela vem para cá ou vai deixar o EX5 brasileiro rodando um passo atrás?
