A Yamaha XT 660 saiu de linha no Brasil em 2018, mas continua sendo procurada como se ainda estivesse na vitrine. O motor de 659,7 cm³ passou 13 anos em produção e ganhou fama de aguentar mais de 100 mil km sem drama. Não é nostalgia vazia: é uma trail que fez a fama por merecimento.
O apelido “meiota” pegou tanto que virou letra de funk, mas por trás da brincadeira existe uma moto que ainda define o que muita gente espera de uma trail de estrada. Entender por que ela resiste no imaginário coletivo ajuda a decidir se vale a pena procurar uma usada hoje.
| Ficha técnica Yamaha XT 660 R | |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico 4 tempos, 659,7 cm³, refrigeração líquida, 4 válvulas |
| Potência | 48 cv a 6.000 rpm |
| Torque | 5,95 kgf.m a 5.520 rpm |
| Transmissão | Manual de 5 marchas |
| Tanque | 15 litros |
| Altura do assento | 86,5 cm |
| Rodas | Aro 21 dianteira (raiada) / aro 17 traseira |
| Produção no Brasil | 2005 a 2018 |
A história da XT 660 no Brasil: de lançamento a ícone
A Yamaha lançou a XT 660 no Brasil em 2005, herdeira direta da linha XT que a marca vende desde os anos 1980. A proposta era simples: uma trail de estrada, monocilíndrica, fácil de manter e capaz de rodar tanto na cidade quanto numa viagem mais longa de asfalto.
O motor de 659,7 cm³ virou a assinatura do modelo. Robusto, de manutenção relativamente barata para a cilindrada, e com fama consolidada entre proprietários de resistir a rodagens muito acima da média sem trocar peças internas do motor.
Ao longo de 13 anos de produção em Manaus, a XT 660 vendeu mais de 30.110 unidades no Brasil, uma média de cerca de 2 mil motos por ano. Números discretos perto de scooters populares, mas consistentes para uma trail de médio porte num mercado que sempre privilegiou motos de entrada.
XT 660, XT 660 R e XT 660 X: entenda as diferenças entre as versões
A confusão mais comum de quem pesquisa a moto é não saber que existiram variações com propostas diferentes:
- XT 660 R: a versão trail “padrão”, com suspensão de curso mais longo (225 mm dianteiro) e pegada mais voltada a estrada de terra e uso misto.
- XT 660 X: variante supermotard, com rodas aro 17 nas duas pontas e freios a disco maiores, priorizando asfalto e agilidade sobre capacidade off-road.
- XT 660 Z Ténéré: a irmã mais off-road, com tanque maior e curso de suspensão reduzido a 210 mm, focada em viagem e trilha pesada.
A R foi a mais vendida no Brasil por equilibrar as duas propostas. É também a versão que domina o mercado de usados hoje, o que facilita encontrar peças e histórico de manutenção com outros donos.
Por que a XT 660 saiu de linha no Brasil
A descontinuação não foi um capricho da Yamaha. A Resolução 509 do CONTRAN passou a exigir freio ABS em motos acima de 660 cm³, e o PROMOT 4 endureceu os limites de emissão de poluentes.
Adaptar o projeto da XT 660 a essas duas exigências custaria caro demais para um modelo que já vendia moderado. A Yamaha optou por encerrar a produção em 5 de fevereiro de 2018, sem substituta direta na mesma cilindrada e proposta.
Por que a XT 660 ainda tem fãs tão fiéis
Motociclista que teve uma XT 660 dificilmente fala mal do motor. A fama de durabilidade não é lenda: relatos recorrentes de proprietários em fóruns e comunidades apontam unidades passando dos 100 mil km sem necessidade de retificação.
Some a isso a simplicidade mecânica de um monocilíndrico, peças de reposição ainda fáceis de achar e uma comunidade de donos ativa trocando informação sobre manutenção. É o tipo de moto que vira patrimônio de garagem, não descarte.

Tabela FIPE da Yamaha XT 660 R: quanto custa uma usada hoje
A tabela FIPE ainda cobre 14 anos-modelo diferentes da XT 660 R, sinal de que o mercado de usados continua girando o suficiente para manter a referência de preço atualizada.
| Ano-modelo | Preço FIPE de referência |
|---|---|
| 2013 | R$ 38.045 |
| 2014 | R$ 40.929 |
| 2015 | R$ 42.752 |
| 2017 | R$ 46.258 (preço médio de mercado) |
Vale checar a tabela FIPE completa antes de fechar negócio, já que o valor varia por ano e estado de conservação. E, claro, nunca compre uma moto usada sem consultar a placa primeiro, para confirmar histórico de sinistro, roubo e furto.
O que verificar antes de comprar uma XT 660 usada
A fama de robustez do motor não isenta o comprador de checar o resto da moto com atenção. Antes de fechar negócio:
- Quadro e solda atrás do banco: ponto clássico de trinca em motos que já caíram ou rodaram muito fora de estrada.
- Farol e óptica: marcas de queimado no bloco óptico indicam superaquecimento recorrente do sistema elétrico.
- Histórico da ECU: perguntar se já houve reparo ou substituição do módulo eletrônico, item mais caro de resolver se falhar.
- Ruído do comando de válvulas: um som parecido com “máquina de costura” é normal em baixa rotação, mas ruído excessivo pode indicar folga fora do padrão.
- Corrente de transmissão e retificador: itens citados com frequência em reclamações de proprietários, valem inspeção e teste de temperatura em uso.
Motos com documentação regular, quilometragem compatível com o ano e revisões registradas tendem a justificar preço mais próximo do topo da tabela FIPE.

Vale a pena comprar uma XT 660 usada em 2026?
Para quem busca uma trail de estrada durável, com motor testado e comunidade de suporte ativa, sim. A ausência de ABS de fábrica é a principal ressalva perto de rivais mais recentes como a Honda Transalp, que já nasce com o item obrigatório pela mesma resolução que tirou a XT de linha.
Quem pesquisa hoje uma Suzuki V-Strom 1050XT ou uma CFMOTO Ibex zero paga muito mais caro pela mesma proposta de trail versátil. A XT 660 usada segue como porta de entrada honesta nesse segmento, desde que o comprador leve o checklist a sério antes de assinar qualquer papel.
Com peças ainda disponíveis e um motor que resiste ao tempo, a XT 660 prova que nem toda moto boa precisa estar à venda numa concessionária para continuar valendo o investimento.
