A Kasinski Mirage 250 foi uma custom vendida no Brasil e hoje só existe no mercado de usados. Em 2026, quem busca essa moto normalmente quer saber quatro coisas: ficha técnica, valor na FIPE, risco de manutenção e se ainda faz sentido comprar uma unidade fora de linha.
Ela chama atenção por um detalhe raro nessa faixa: motor bicilíndrico em V de 250 cm³. Só que o charme vem junto com peças mais difíceis, revenda lenta e uma compra que depende muito mais do estado da moto do que do preço do anúncio.
Kasinski Mirage 250: que moto é essa no Brasil
A Kasinski Mirage 250 foi a custom de entrada da marca no país, com projeto derivado da Hyosung GV 250. Era uma moto pensada para quem queria visual de estradeira, mas sem subir para cilindradas maiores e muito mais caras.
Baixa, longa e com postura relaxada, ela entregava uma proposta diferente das streets 250 da época. Em vez de agilidade no corredor, apostava em banco baixo, pedaleiras avançadas e desenho de moto maior.
O nome ainda aparece nas buscas porque a Mirage 250 ficou meio sozinha no mercado brasileiro. Não era japonesa, não virou febre de vendas, mas oferecia algo que muita moto pequena não dava: o jeito de custom de verdade.
Hoje, isso mudou de lado. O visual continua sedutor, mas a marca saiu de cena no Brasil. Resultado: a Kasinski 250 Mirage sobrevive no usado e exige bem mais atenção do comprador.
Ficha técnica da Kasinski Mirage 250
Os números ajudam a entender por que ela ainda tem fãs. O motor V2 é da moto, e até hoje dá um tempero que pouca 250 usada oferece.
| Item | Dado confirmado |
|---|---|
| Motor | V2, 4 tempos, 8 válvulas, DOHC |
| Cilindrada | 249/250 cm³ |
| Arrefecimento | Ar e óleo |
| Alimentação | Carburador nas primeiras versões; injeção eletrônica nas finais |
| Potência máxima | 29,4 cv a 9.000 rpm |
| Torque máximo | 2,2 a 2,25 kgfm a 7.000 rpm |
| Câmbio | 5 marchas |
| Transmissão final | Corrente |
| Freio dianteiro | Disco |
| Freio traseiro | Tambor |
| Peso seco | Cerca de 169 kg |
| Tanque | 14 litros |
| Consumo médio estimado | Cerca de 23 km/l em uso misto nas versões com injeção |
| Comprimento | 2.280 mm |
| Largura | 885 mm |
| Altura | 1.095 mm |
| Entre-eixos | 1.520 mm |
| Distância livre do solo | Cerca de 150 mm |
| Status no Brasil | Fora de linha |
Na prática, essa ficha mostra uma moto mais voltada ao passeio do que à pressa. O entre-eixos longo ajuda no conforto, mas cobra seu preço nas manobras apertadas e na agilidade urbana.

O motor V2 também pesa na identidade da moto. Não é só número. Ele entrega um funcionamento mais encorpado que uma monocilíndrica antiga da mesma faixa, e isso explica parte do apelo até hoje.
Quanto custa a Kasinski Mirage 250 em 2026
A referência de preço continua sendo a Tabela FIPE. Para a Mirage 250, o que importa em abril de 2026 é a leitura histórica somada ao mercado real, porque a moto saiu de linha faz tempo e cada unidade conta uma história.
Os valores de FIPE mais citados para o modelo ficam nessa faixa: R$ 13.860 para ano 2009 e R$ 14.609 para ano 2012. Nos anúncios, a realidade costuma girar perto disso, entre R$ 13 mil e R$ 15 mil, com variação grande pela conservação.
| Referência | Valor | Leitura prática |
|---|---|---|
| FIPE 2009 | R$ 13.860 | Base de mercado para unidades mais antigas |
| FIPE 2012 | R$ 14.609 | Referência para anos finais mais valorizados |
| Faixa observada no usado em 2026 | R$ 13 mil a R$ 15 mil | Preço muda muito conforme originalidade e manutenção |
| Preço quando nova | R$ 13.990 a R$ 16.490 | Valor de época, dependendo do ano e da pintura |
Esse intervalo parece tentador. E é mesmo. O problema é outro: numa Mirage 250, o valor de compra raramente é o maior gasto.
Uma unidade barata, mas mal cuidada, pode virar oficina sobre duas rodas. Parte elétrica mexida, alimentação desregulada e acabamento oxidado empurram o custo para cima logo depois da transferência.
Também vale olhar o básico brasileiro, sem pular etapa. Débitos de IPVA, licenciamento, restrições administrativas e histórico de documentação precisam ser checados no Detran do estado antes de fechar negócio.
Carburada ou injetada: qual versão da Mirage 250 faz mais sentido
A Mirage 250 teve pelo menos duas fases bem claras. As primeiras eram carburadas. Nas últimas atualizações, apareceu a injeção eletrônica.
Na velha escola, a carburada costuma agradar quem gosta de mecânica simples. Se o carburador estiver limpo e acertado, ela roda bem. Se estiver parada há meses, a dor de cabeça aparece rápido.
Partida difícil pela manhã, marcha lenta caçando e falha em baixa rotação são sinais clássicos. Em moto antiga, isso não é detalhe. É aviso.
A injetada é a fase mais interessante para uso real em 2026. Parte melhor, responde com mais previsibilidade e tende a conviver melhor com o uso cotidiano, desde que o chicote e os sensores estejam íntegros.

Compensa pagar um pouco mais por ela? Para quem quer usar de verdade, sim. Em moto fora de linha, menos improviso no dia a dia já faz diferença.
Peças, elétrica e manutenção: o custo escondido da Kasinski 250 Mirage
É aqui que muita compra desanda. A rede de assistência da Kasinski não existe mais como marca ativa, e na rotina de quem compra uma Mirage 250 hoje.
Peças originais podem exigir garimpo. Às vezes aparecem em estoque antigo, oficina especializada ou importação paralela. Às vezes não aparecem quando você precisa.
O comprador precisa prestar atenção em cinco áreas logo de cara:
- Sistema de alimentação: carburador ou injeção precisam funcionar redondo, sem engasgos.
- Parte elétrica: bateria, chicote, conectores e carga do sistema merecem teste.
- Vazamentos: sinais de óleo no motor e nas tampas não combinam com compra tranquila.
- Relação e freios: corrente, coroa, pinhão e lonas contam a história de uso.
- Cromados e escapamento: oxidação e soldas malfeitas entregam abandono.
Tem mais. Moto dessa idade precisa pegar frio e quente sem drama. Se o dono já deixa a desculpa pronta antes de dar partida, convém ligar o alerta.
Nota de peças e serviços ajuda muito. Originalidade também. Unidade muito mexida pode até ficar bonita em foto, mas costuma complicar a reposição depois.
Quem roda pouco, passeia no fim de semana e aceita procurar oficina certa pode conviver bem com ela. Quem depende da moto todo dia, para trabalho e deslocamento fixo, entra num terreno mais arriscado.

Quais motos entram na conta antes de comprar uma Mirage 250
A Mirage 250 não disputa só com outras customs antigas. Em 2026, ela também entra na comparação com motos mais novas de proposta clássica, mesmo que custem mais.
| Modelo | Tipo de rivalidade | Leitura rápida |
|---|---|---|
| Yamaha Virago 250 usada | Custom pequena clássica | Tem apelo parecido, mas também depende muito do estado |
| Suzuki Intruder 250 usada | Custom usada de época | Entra na mesma lógica de compra racional e garimpo |
| Honda Shadow 600/750 usadas | Subida de categoria | Mais moto, mas também com custo e porte maiores |
| Royal Enfield Meteor 350 / Classic 350 | Alternativa moderna | Custam mais, mas entregam rede ativa e pós-venda atual |
A comparação mais honesta é simples. A Mirage briga por estilo e preço de entrada, não por tecnologia. E isso muda completamente o perfil do comprador.
Se a ideia é ter uma custom diferente, gastar menos na compra e aceitar pesquisa de peças, ela ainda entra no radar. Se o plano é rodar sem surpresas e vender rápido depois, uma moto mais nova costuma ser caminho melhor.
Comprar uma Kasinski Mirage 250 em 2026 exige mais inspeção do que paixão
Funciona assim: a moto ainda chama atenção pelo visual, pelo V2 e pela posição de pilotagem. Só que o jogo mudou. Em 2026, a Mirage 250 é menos uma pechincha e mais uma compra técnica.
Na rua, ela continua entregando presença de custom maior. Na planilha, pesa o que não aparece na foto: peça rara, oficina certa e revenda demorada.
Antes de fechar, faça o básico bem feito. Consulte a FIPE, confira débitos, teste a moto fria e quente, examine sinais de adaptação elétrica e peça histórico de manutenção. Numa Mirage 250 anunciada por R$ 13 mil a R$ 15 mil, a pergunta decisiva não é quanto ela custa — é quanto trabalho ela vai dar depois.

