Os novos SUVs da Xiaomi, identificados como Skynomad N70 e N90, podem ter superado 100 mil pedidos na China em menos de uma semana. A linha combina propulsão elétrica, autonomia estendida e preços agressivos para o mercado local.
O número ainda é uma estimativa da imprensa chinesa, não um balanço oficial da Xiaomi Auto. Mesmo assim, a velocidade das reservas repete o fenômeno visto no YU7, SUV que colocou a marca no centro da disputa contra BYD, Tesla, Li Auto e Nio.
Skynomad N70 e N90 miram famílias chinesas
A nova família tem dois formatos. O Skynomad N70 leva cinco ocupantes, enquanto o N90 aposta em sete lugares para atender famílias maiores.
Os dois usam a plataforma Kunlun e tecnologia EREV, sigla para veículo elétrico de autonomia estendida. Nesse sistema, as rodas são movimentadas por motores elétricos, enquanto um motor a combustão atua como gerador para recarregar a bateria.
Na prática, o motorista ganha a resposta imediata de um elétrico sem depender exclusivamente de uma recarga em viagens longas. Não é um híbrido convencional: o motor a combustão não traciona diretamente as rodas.
| Modelo | Lugares | Sistema | Preço de pré-venda |
|---|---|---|---|
| Xiaomi Skynomad N70 | 5 | Elétrico com autonomia estendida | 259.900 yuans |
| Xiaomi Skynomad N90 | 7 | Elétrico com autonomia estendida | 299.900 yuans |
A apresentação ocorreu em 30/07/2026, e o lançamento oficial está previsto para setembro. Os preços equivalem a cerca de R$ 190 mil e R$ 219 mil em conversão direta, sem impostos, frete ou custos de importação para o Brasil.
Mais de 100 mil pedidos, mas com cautela
Os relatos indicam mais de 300 depósitos de intenção em uma loja principal de Pequim. Na região de Pequim e Tianjin, as pré-encomendas teriam passado de 30 mil.
Também houve um pico de 4.800 depósitos em um único dia na capital chinesa. A Xiaomi Auto conta com 499 lojas no país, uma rede que ajuda a transformar lançamento digital em pedido efetivo.
O número de 100 mil unidades precisa ser lido com cuidado. “Pedido” pode significar reserva reembolsável, depósito de intenção ou encomenda confirmada, dependendo da metodologia usada.
A cifra é plausível pelo histórico recente da marca. O YU7 acumulou mais de 240 mil pedidos fechados nas primeiras horas de lançamento, e alguns levantamentos apontaram 315.900 pedidos em 72 horas.
O YU7 explica a confiança na Xiaomi Auto
O YU7 é a referência oficial mais sólida para medir a força comercial da divisão automotiva. Ele tem versões Standard, Pro e Max, com tração traseira ou integral conforme a configuração.
A versão Standard declara autonomia de aproximadamente 835 km no ciclo chinês CLTC, usando bateria próxima de 96 kWh. Já a configuração Max chega a potência próxima de 690 cv, número elevado para um SUV familiar.
| Modelo | Configuração | Autonomia declarada | Preço na China |
|---|---|---|---|
| Xiaomi YU7 Standard | Motor elétrico, tração traseira | 835 km CLTC | 253.500 yuans |
| Xiaomi YU7 Pro | Motor elétrico, configuração intermediária | Até 770 km CLTC | 279.900 yuans |
| Xiaomi YU7 Max | Dois motores, tração integral | Autonomia conforme configuração | 329.900 yuans |
O YU7 custa menos na entrada que o Skynomad N70, mas pertence a uma proposta diferente. Ele é um SUV elétrico puro. A nova linha tenta reduzir a ansiedade de autonomia com um gerador a combustão.
Produção tenta evitar filas longas
A Xiaomi já teria iniciado a produção dos Skynomad na segunda fase da fábrica em Pequim. A promessa é entregar os primeiros carros em setembro e concluir os pedidos antecipados antes do fim do ano.
A estratégia responde a um problema conhecido da própria marca. O YU7 teve procura muito acima da capacidade inicial, gerando espera e pressão sobre a logística.
Produzir antes do lançamento ajuda, mas não resolve tudo. Fornecedores, baterias, transporte e preparação das lojas precisam acompanhar o volume. Cem mil reservas não significam cem mil carros entregues rapidamente.
A Xiaomi Auto trabalha com meta anual de 550 mil veículos. Até julho, teria entregue cerca de 220 mil unidades, volume que exige uma aceleração forte no segundo semestre.
O que o sucesso representa para o mercado chinês
Os Skynomad entram em uma briga pesada. O N70 mira SUVs como Li Auto L7, Tesla Model Y, Nio ES6, Aito M7 e XPeng G9, enquanto o N90 acrescenta a disputa por modelos familiares de sete lugares.
Preço é uma arma importante. Entre 259.900 e 299.900 yuans, os SUVs da Xiaomi chegam com posicionamento tecnológico e produção local, sem carregar os custos de um importado.
A marca também usa sua força fora dos carros. Celulares, eletrodomésticos, sistema operacional e lojas criam uma relação direta com o comprador. Quem já conhece o ecossistema Xiaomi pode enxergar o carro como mais um produto conectado.
Esse modelo de venda gera atenção, mas também aumenta a cobrança. O consumidor vai exigir software estável, atualização rápida e assistência capaz de resolver problemas eletrônicos, não apenas manutenção mecânica.
A Xiaomi Auto ainda não vende carros no Brasil
Não há operação automotiva oficial da Xiaomi confirmada no Brasil. Os Skynomad N70, N90 e o YU7 não têm preço de tabela brasileiro, código FIPE ou registros de vendas na Fenabrave.
Isso também significa ausência de rede oficial de concessionárias, peças homologadas, garantia local e suporte específico para esses SUVs. Uma unidade importada por conta própria dependeria de homologação, assistência independente e disponibilidade de componentes.
O interesse brasileiro é real, especialmente depois da expansão de BYD, GWM, Volvo e Zeekr. Porém, transformar 259.900 yuans em um preço competitivo aqui exigiria fábrica ou importação estruturada.
As informações oficiais sobre os modelos e a estratégia da marca podem ser acompanhadas no site da Xiaomi Auto. Por enquanto, o dado mais concreto para o Brasil é a distância: a fila existe na China, não nas concessionárias brasileiras.
Se os pedidos realmente passarem de 100 mil antes de setembro, a Xiaomi terá outro teste pela frente: entregar rápido sem repetir as longas esperas do YU7. A demanda já apareceu; falta saber se a produção acompanhará o entusiasmo.
