Peugeot 1007: 1.291 kg e portas elétricas de van

Por Verificar Auto 23/08/2026 às 20:41 4 min de leitura
Peugeot 1007 prata em vista lateral, mostrando claramente as duas portas corrediças abertas, estacionamento urbano europeu, orientação horizontal landscape
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O Peugeot 1007 foi o compacto europeu com portas laterais corrediças elétricas, 1.291 kg e traseira que lembra a da Peugeot Hoggar. O modelo não foi vendido oficialmente no Brasil.

Pequeno por fora, complicado por dentro. O 1007 nasceu para facilitar a vida em vagas apertadas, mas carregou peso, preço e manutenção acima do esperado para um carro urbano.

Peugeot 1007 tinha portas de van em carro compacto

A Peugeot apresentou o conceito Sésame no Salão de Paris de 2002. A ideia virou carro de produção dois anos depois, com o nome 1007.

O destaque eram as duas portas laterais corrediças elétricas. Elas deslizavam por trilhos externos e dispensavam espaço adicional ao lado do carro.

Peugeot 1007 vermelho em movimento de traseira
Peugeot 1007 vermelho em movimento de traseira (Foto: Auto+)

Para quem estacionava em ruas estreitas, a solução fazia sentido. Bastava apertar o comando para abrir ou fechar cada porta, mesmo com pouco espaço entre os carros.

O problema estava no preço dessa comodidade. Trilhos, motores elétricos e reforços estruturais acrescentavam complexidade a um automóvel de apenas 3,73 metros.

Compacto no tamanho, pesado como carro maior

O Peugeot 1007 tinha cerca de 2,31 metros de entre-eixos e quatro assentos individuais. A cabine aproveitava bem a altura, como uma minivan pequena.

Mas o peso chegava a 1.291 kg. Para um carro desse porte, era muita massa — mais próxima de compactos maiores do que de um hatch urbano simples.

Item Peugeot 1007
Estreia 2004
Carroceria Minivan urbana de três portas
Lugares Quatro assentos individuais
Comprimento Cerca de 3,73 metros
Entre-eixos Cerca de 2,31 metros
Peso 1.291 kg
Motores 1.4 e 1.6 a gasolina
Câmbios Manual ou automatizado 2-Tronic
Produção Encerrada em 2009

Os motores 1.4 e 1.6 vieram da mesma família usada em modelos como o Peugeot 206. O conjunto era conhecido, mas o peso prejudicava acelerações e retomadas.

Alguns mercados europeus também receberam versões a diesel. No Brasil, essa configuração nunca chegou oficialmente pela Peugeot.

O câmbio 2-Tronic piorava a experiência

Além do câmbio manual, o 1007 podia usar a transmissão automatizada 2-Tronic. Ela tinha uma embreagem simples, diferente de um automático convencional.

Na cidade, as trocas eram lentas e as arrancadas podiam apresentar trancos. Em subidas ou manobras, o motorista precisava dosar bem o acelerador.

Um automático confortável teria ajudado. O 2-Tronic, porém, reforçava a impressão de que o carro era mais engenhoso do que agradável.

Por que o Peugeot 1007 não deu certo?

O projeto tinha uma solução rara, mas cobrava caro por ela. O cliente pagava mais por um carro pequeno, pesado e com desempenho apenas mediano.

A manutenção das portas elétricas também exigia atenção. Motores, sensores, trilhos e módulos criavam mais pontos de falha do que as portas convencionais de um hatch.

Não era apenas uma questão mecânica. A proposta ficou presa entre dois públicos: cara demais para ser um compacto popular e pequena demais para substituir uma minivan familiar.

Na Europa, o 1007 enfrentava carros como Fiat Panda, Renault Modus, Opel Meriva e Ford Fusion europeu. Todos entregavam praticidade semelhante com soluções mais simples.

O 1007 saiu de produção em 2009. A Peugeot não manteve um sucessor direto com portas laterais elétricas.

A traseira lembra a Peugeot Hoggar, mas não há parentesco direto

A comparação com a Hoggar surgiu pelo desenho das lanternas traseiras. No 1007, o conjunto visual se integra ao vidro e às colunas da carroceria.

A Peugeot brasileira usou linguagem semelhante na Hoggar, picape compacta derivada do 207. A semelhança está no estilo, não em peças compartilhadas ou plataforma.

A Hoggar foi produzida no Brasil e ainda aparece no mercado de usados. O 1007, não. Importações independentes podem existir, mas não houve venda oficial nem rede local dedicada ao modelo.

Por isso, peças específicas das portas e componentes eletrônicos podem ser difíceis de encontrar por aqui. O proprietário dependeria de importadores, desmanches especializados ou adaptação.

O Peugeot 1007 chegou oficialmente ao Brasil?

Não. O modelo foi desenvolvido para o mercado europeu e nunca entrou no catálogo nacional da Peugeot.

Isso significa que não há preço de tabela brasileira nem referência regular na tabela FIPE para o 1007. Seguro, manutenção e documentação também dependem da situação de cada unidade importada.

Quem procura um Peugeot compacto brasileiro encontra opções como 206, 207 e Hoggar, mas nenhum deles reproduz as portas corrediças elétricas do 1007.

O modelo tinha uma ideia brilhante para a cidade. Só que 1.291 kg, câmbio automatizado e reparos caros transformaram praticidade em dor de cabeça. Teria sobrevivido com portas manuais?

A história da marca e seus modelos pode ser consultada no site oficial da Peugeot Brasil.