O Peugeot 1007 foi o compacto europeu com portas laterais corrediças elétricas, 1.291 kg e traseira que lembra a da Peugeot Hoggar. O modelo não foi vendido oficialmente no Brasil.
Pequeno por fora, complicado por dentro. O 1007 nasceu para facilitar a vida em vagas apertadas, mas carregou peso, preço e manutenção acima do esperado para um carro urbano.
Peugeot 1007 tinha portas de van em carro compacto
A Peugeot apresentou o conceito Sésame no Salão de Paris de 2002. A ideia virou carro de produção dois anos depois, com o nome 1007.
O destaque eram as duas portas laterais corrediças elétricas. Elas deslizavam por trilhos externos e dispensavam espaço adicional ao lado do carro.

Para quem estacionava em ruas estreitas, a solução fazia sentido. Bastava apertar o comando para abrir ou fechar cada porta, mesmo com pouco espaço entre os carros.
O problema estava no preço dessa comodidade. Trilhos, motores elétricos e reforços estruturais acrescentavam complexidade a um automóvel de apenas 3,73 metros.
Compacto no tamanho, pesado como carro maior
O Peugeot 1007 tinha cerca de 2,31 metros de entre-eixos e quatro assentos individuais. A cabine aproveitava bem a altura, como uma minivan pequena.
Mas o peso chegava a 1.291 kg. Para um carro desse porte, era muita massa — mais próxima de compactos maiores do que de um hatch urbano simples.
| Item | Peugeot 1007 |
|---|---|
| Estreia | 2004 |
| Carroceria | Minivan urbana de três portas |
| Lugares | Quatro assentos individuais |
| Comprimento | Cerca de 3,73 metros |
| Entre-eixos | Cerca de 2,31 metros |
| Peso | 1.291 kg |
| Motores | 1.4 e 1.6 a gasolina |
| Câmbios | Manual ou automatizado 2-Tronic |
| Produção | Encerrada em 2009 |
Os motores 1.4 e 1.6 vieram da mesma família usada em modelos como o Peugeot 206. O conjunto era conhecido, mas o peso prejudicava acelerações e retomadas.
Alguns mercados europeus também receberam versões a diesel. No Brasil, essa configuração nunca chegou oficialmente pela Peugeot.
O câmbio 2-Tronic piorava a experiência
Além do câmbio manual, o 1007 podia usar a transmissão automatizada 2-Tronic. Ela tinha uma embreagem simples, diferente de um automático convencional.
Na cidade, as trocas eram lentas e as arrancadas podiam apresentar trancos. Em subidas ou manobras, o motorista precisava dosar bem o acelerador.
Um automático confortável teria ajudado. O 2-Tronic, porém, reforçava a impressão de que o carro era mais engenhoso do que agradável.
Por que o Peugeot 1007 não deu certo?
O projeto tinha uma solução rara, mas cobrava caro por ela. O cliente pagava mais por um carro pequeno, pesado e com desempenho apenas mediano.
A manutenção das portas elétricas também exigia atenção. Motores, sensores, trilhos e módulos criavam mais pontos de falha do que as portas convencionais de um hatch.
Não era apenas uma questão mecânica. A proposta ficou presa entre dois públicos: cara demais para ser um compacto popular e pequena demais para substituir uma minivan familiar.
Na Europa, o 1007 enfrentava carros como Fiat Panda, Renault Modus, Opel Meriva e Ford Fusion europeu. Todos entregavam praticidade semelhante com soluções mais simples.
O 1007 saiu de produção em 2009. A Peugeot não manteve um sucessor direto com portas laterais elétricas.
A traseira lembra a Peugeot Hoggar, mas não há parentesco direto
A comparação com a Hoggar surgiu pelo desenho das lanternas traseiras. No 1007, o conjunto visual se integra ao vidro e às colunas da carroceria.
A Peugeot brasileira usou linguagem semelhante na Hoggar, picape compacta derivada do 207. A semelhança está no estilo, não em peças compartilhadas ou plataforma.
A Hoggar foi produzida no Brasil e ainda aparece no mercado de usados. O 1007, não. Importações independentes podem existir, mas não houve venda oficial nem rede local dedicada ao modelo.
Por isso, peças específicas das portas e componentes eletrônicos podem ser difíceis de encontrar por aqui. O proprietário dependeria de importadores, desmanches especializados ou adaptação.
O Peugeot 1007 chegou oficialmente ao Brasil?
Não. O modelo foi desenvolvido para o mercado europeu e nunca entrou no catálogo nacional da Peugeot.
Isso significa que não há preço de tabela brasileira nem referência regular na tabela FIPE para o 1007. Seguro, manutenção e documentação também dependem da situação de cada unidade importada.
Quem procura um Peugeot compacto brasileiro encontra opções como 206, 207 e Hoggar, mas nenhum deles reproduz as portas corrediças elétricas do 1007.
O modelo tinha uma ideia brilhante para a cidade. Só que 1.291 kg, câmbio automatizado e reparos caros transformaram praticidade em dor de cabeça. Teria sobrevivido com portas manuais?
A história da marca e seus modelos pode ser consultada no site oficial da Peugeot Brasil.
