Atenção: Mão solta no volante pode gerar multa

Por Verificar Auto 14/06/2026 às 20:03 7 min de leitura
Atenção: Mão solta no volante pode gerar multa
7 min de leitura

Dirigir com uma mão no volante pode, sim, render multa no Brasil. A base legal está no art. 252, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro, e a regra segue valendo em 14/06/2026. Se você acha normal apoiar o braço na janela e tocar o carro assim por vários minutos, convém rever o hábito.

Tem exceção? Tem. Só que ela é curta e funcional. A lei permite tirar uma das mãos para trocar de marcha, fazer sinal regulamentar de braço ou acionar equipamentos e acessórios do veículo. Fora disso, o agente pode autuar.

A lei fala claro — e não é novidade de 2026

A regra está no CTB, Lei nº 9.503/1997. O texto permanece em vigor e não houve mudança que liberasse dirigir longos trechos com só uma mão no volante.

O art. 252, V considera infração dirigir o veículo com apenas uma das mãos, exceto quando for necessário fazer sinais regulamentares, mudar a marcha ou acionar equipamentos e acessórios.

Em português claro: você pode tirar a mão por necessidade momentânea. O que a lei pune é conduzir o carro com só uma mão por hábito, conforto ou distração.

Situação Pode? Base Leitura prática
Trocar a marcha Sim Art. 252, V Exceção pontual e necessária
Acionar seta, limpador ou farol Sim Art. 252, V Vale pelo tempo do comando
Fazer sinal de braço Sim Art. 252, V Quando o gesto for regulamentar
Guiar por vários minutos com braço apoiado Não Art. 252, V Pode gerar autuação
Pegar objeto no console Não Art. 252, V Não é exceção legal
Usar celular com a outra mão Não Enquadramento específico Infração mais pesada

Quando a multa aparece na prática

Não existe cronômetro na lei. O que existe é a constatação do agente e o contexto da condução. Se o motorista segue por um bom trecho com uma mão só, já abriu espaço para autuação.

Quer um exemplo comum? Braço esquerdo pendurado na janela, mão direita solta no volante, carro em movimento no trânsito urbano. Muita gente faz isso todo dia. Continua sendo arriscado e pode virar multa.

Em carro manual, a exceção da troca de marcha é óbvia. Você tira a mão, engata a próxima e volta ao volante. Acabou. Não é licença para rodar relaxado com uma mão no pomo do câmbio.

Nos automáticos, a desculpa fica ainda mais curta. Sem trocas frequentes, sobra menos justificativa para manter uma mão fora do volante por tempo prolongado.

Outra cena clássica: mexer nos comandos do painel. Ligar seta, ajustar limpador, acender farol, tocar a buzina. Tudo isso entra na exceção legal. Mas só durante o ato necessário.

Passou disso, complica. Ficar procurando música na multimídia, mexendo em objeto no porta-copos ou esticando o braço no banco do passageiro não entra na proteção do artigo.

Quanto custa insistir no hábito

A infração prevista no art. 252, V é de natureza média. A penalidade confirmada hoje é multa de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH.

Não há retenção específica do veículo só por esse inciso. Ainda assim, ninguém precisa subestimar esses 4 pontos. Para quem já carrega histórico ruim, esse tipo de multa boba pesa.

Item Como fica em 2026
Base legal CTB, art. 252, inciso V
Natureza Média
Multa R$ 130,16
Pontos na CNH 4 pontos
Medida administrativa específica Não há retenção prevista só por esse inciso
Vigência Regra em vigor em 14/06/2026

O erro mais comum não é trocar marcha

É dirigir relaxado demais.

Muita autuação nasce de postura, não de manobra. O sujeito está em linha reta, trânsito fluindo, e acha que segurar o carro com uma mão não dá nada. Dá, sim.

Também vale separar duas coisas que muita gente mistura. Dirigir com uma mão é uma infração. Usar celular é outra, mais pesada. Se a mão que saiu do volante foi para o telefone, o problema piora.

Nesse caso, a punição do celular ao volante é maior: R$ 293,47 e 7 pontos na CNH. Aí já não estamos falando daquela infração média do art. 252, V.

Tem mais. Comer, beber, pegar carteira no console, procurar carregador ou mexer em bolsa no banco também não entram nas exceções legais. Se o carro ficou sendo conduzido com uma mão por causa disso, o risco de abordagem existe.

Para moto, a conversa muda bastante

Este tema vale para veículo com volante. Em motocicleta, motoneta e ciclomotor, a leitura prática é mais rígida porque a estabilidade depende diretamente das mãos no guidão.

Na moto, tirar uma das mãos por mais tempo aumenta muito o risco. E o agente pode entender a conduta dentro de outros enquadramentos do CTB, conforme o que estiver acontecendo no momento.

Traduzindo: o motociclista não deve pegar essa regra do carro e tentar aplicar igual. Não funciona assim. Em duas rodas, margem para improviso é bem menor.

Como cumprir a regra sem cair em autuação boba

Dá para evitar isso sem drama. E sem dirigir duro como se estivesse em prova de autoescola.

  • Use as duas mãos como padrão: a exceção existe, mas o hábito correto continua sendo manter controle pleno do volante.
  • Faça comandos rápidos: seta, limpador e farol devem ser acionados e pronto. Nada de ficar passeando pelos botões.
  • Em carro manual, volte ao volante logo após a troca: mão no câmbio o tempo todo não tem amparo legal.
  • Não pegue objetos em movimento: carteira, garrafa, celular e mochila podem esperar uma parada segura.
  • Resolva ajustes antes de sair: espelhos, ar-condicionado, banco e rota no GPS devem estar organizados antes de engatar a primeira.

Compensa lembrar de outra coisa. A autuação depende do que o agente viu. Se a cena passa a impressão de desatenção ou perda de controle, a chance de ser parado sobe.

Quem é afetado e desde quando isso vale

Todo condutor de carro, picape, van ou utilitário com volante entra nessa regra. Ela vale no trânsito urbano, na estrada, em via rápida e até naquele deslocamento curto “só até a padaria”.

Não há prazo de adaptação nem mudança recente para esperar. O CTB está em vigor desde 1997, e o art. 252, V continua de pé em 2026. Ou seja: não é novidade, só é ignorado por muita gente.

Se você dirige um automático moderno, com direção leve e vários assistentes, a tentação de tocar com uma mão só fica maior. Mas a lei não ficou mais flexível por causa disso. O carro evoluiu. A regra, não.

R$ 130,16 parece pouco no papel. Só que 4 pontos entram na CNH do mesmo jeito — e tem motorista perdendo sono por bem menos do que um braço apoiado na janela achando que estava tudo certo.