Celular ao volante continua virando multa pesada no Brasil. São Paulo já passou de 127 mil autuações ligadas a essa prática, e Goiânia somou 40.077 infrações em 2025 mais 5.667 até 15/03/2026. Abaixo, você vê quanto custa o erro, como o CTB enquadra cada conduta e por que até o semáforo entra nessa conta.
Não é exagero. Dois segundos olhando a tela já bastam para perder a moto no corredor, o ciclista na lateral ou o pedestre que entrou na faixa.
São Paulo e Goiânia viram o número subir
Na capital paulista, o volume impressiona pelo tamanho e pelo detalhe. Não foi um único tipo de flagrante, mas um pacote de distrações que virou rotina no trânsito mais carregado do país.
Em São Paulo, 68.587 autuações foram por dirigir segurando o celular. Outras 50.802 vieram de quem digitava no aparelho, e 8.501 envolveram falar ao telefone enquanto o carro seguia em movimento.
- Segurando o celular: 68.587 autuações em São Paulo
- Digitando no aparelho: 50.802 autuações em São Paulo
- Falando ao telefone: 8.501 autuações em São Paulo
- Goiânia: 40.077 infrações em 2025 e 5.667 até 15/03/2026
O avanço também preocupa. Dirigir segurando o celular cresceu 20% em São Paulo, enquanto falar ao telefone subiu 5%. Em Goiânia, 2026 mal tinha chegado à metade de março e a fiscalização já tinha encontrado milhares de condutores repetindo o mesmo hábito.
Não é um problema de duas cidades. É um vício urbano nacional, alimentado por mensagem, mapa, áudio, aplicativo de corrida e aquela falsa sensação de que “foi só uma olhadinha”.
O CTB trata cada gesto de um jeito
Segurar ou manusear o celular durante a condução costuma ser enquadrado no artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro. Quando o motorista está com o aparelho na mão, a infração é gravíssima: multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH.
Digitar mensagem, ler notificação, trocar música ou mexer no aplicativo de navegação entra na mesma linha. O problema não é só falar. Olhar para a tela já quebra tempo de reação e reduz percepção periférica.
Falando ao telefone, o enquadramento pode variar conforme a abordagem do agente e do órgão autuador. Ainda assim, a fiscalização trata a conduta como distração relevante, porque atenção dividida no trânsito nunca sai barato.
| Conduta | Situação legal | Efeito prático |
|---|---|---|
| Segurar o celular | Infração gravíssima | R$ 293,47 e 7 pontos na CNH |
| Digitar ou ler mensagem | Infração gravíssima | R$ 293,47 e 7 pontos na CNH |
| Falar ao telefone em movimento | Conduta sujeita a autuação | Fiscalização conforme enquadramento aplicado |
| Usar GPS no suporte, sem manuseio | Permitido | Menor risco, mas ainda exige atenção |
| Mexer no celular no semáforo | Pode gerar autuação | Via pública e condição de condução continuam |
No vermelho, a multa continua possível
Muita gente ainda acha que carro parado no semáforo libera o uso do celular. Não libera. Se o veículo está na via pública e o condutor segue em condição de condução, a autuação continua possível.
Faz sentido? Faz. O sinal abre, o carro demora a sair, a moto vem pela esquerda e o pedestre entra na travessia. Esse atraso de dois segundos muda a cena inteira.
Na prática, a fiscalização acontece com agentes de trânsito, operações presenciais e sistemas de videomonitoramento onde houver regulamentação local. O flagrante, hoje, não depende só de uma abordagem ao lado do carro.
Para quem já está pendurado na pontuação, o impacto fica maior. Sete pontos de uma vez aceleram o risco de suspensão do direito de dirigir quando se somam a outras infrações do histórico.
Quem paga a pior conta nem sempre é o motorista multado
O celular ao volante machuca primeiro quem está mais exposto. Motociclista some no corredor, ciclista desaparece na lateral e pedestre vira surpresa em cruzamento cheio, especialmente nas avenidas com travessia curta.
Corredor de ônibus, centro comercial e via com tráfego travado são pontos críticos. Nessas áreas, a distração não gera só colisão traseira. Ela também aumenta risco de atropelamento e avanço de sinal.
Motorista de aplicativo, entregador e quem usa navegação o dia inteiro precisam de disciplina extra. Suporte ajuda, comando de voz ajuda, mas tocar na tela com o carro rodando continua sendo o erro clássico.
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A campanha deste ano insistiu em “enxergar o outro” no trânsito. A frase funciona porque o celular faz o contrário: fecha o foco do motorista e apaga quem está fora da tela.
Campanha educativa ajuda, claro. Só que o comportamento mudou pouco. São Paulo segue acima de 127 mil autuações, e Goiânia abriu 2026 acumulando milhares de flagrantes antes mesmo do primeiro trimestre acabar.
R$ 293,47 e 7 pontos já doem no bolso e na CNH. Mesmo assim, muita gente ainda troca segundos de atenção por uma mensagem qualquer — e a dúvida que fica é dura: se nem a multa freou esse hábito, o que vai frear antes do próximo atropelamento?
