A multa de bafômetro custa R$ 2.934,70 em 2026 e pode suspender a CNH por 12 meses. A recusa ao teste também gera penalidade, enquanto resultados mais altos podem levar ao crime de trânsito.
O nome popular esconde três situações diferentes: dirigir sob influência de álcool, recusar o procedimento e apresentar sinais que caracterizem embriaguez ao volante.
Quanto custa a multa de bafômetro em 2026
Na primeira autuação, a multa é de R$ 2.934,70. O valor vem da infração gravíssima multiplicada por dez, conforme os artigos 165 e 165-A do Código de Trânsito Brasileiro.
Se houver reincidência dentro de 12 meses, a cobrança sobe para R$ 5.869,40. Pagar o débito, porém, não elimina a suspensão do direito de dirigir.
| Situação | Base legal | Multa | Efeito na CNH |
|---|---|---|---|
| Resultado positivo para álcool | Art. 165 do CTB | R$ 2.934,70 | Suspensão por 12 meses |
| Recusa ao teste ou procedimento | Art. 165-A do CTB | R$ 2.934,70 | Suspensão por 12 meses |
| Reincidência em 12 meses | Art. 165 ou 165-A | R$ 5.869,40 | Suspensão conforme o processo administrativo |
| Alteração da capacidade psicomotora | Art. 306 do CTB | Além da esfera administrativa | Possível processo criminal |
Resultado positivo e recusa não são a mesma coisa
O artigo 165 trata de dirigir sob influência de álcool ou outra substância psicoativa. Já o artigo 165-A pune quem recusa o teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento previsto na fiscalização.
Na prática, o motorista pode ser autuado mesmo sem soprar o aparelho. A recusa gera uma infração própria, com o mesmo valor de multa e a mesma suspensão de 12 meses.
Esse é o ponto que costuma causar confusão. A recusa não impede automaticamente a autuação, mas também não transforma todo caso em crime.
O bafômetro não é a única prova
A fiscalização pode registrar o resultado do etilômetro, exame de sangue, exame clínico, vídeos, testemunhos e sinais de alteração psicomotora.
Fala alterada, dificuldade de equilíbrio, olhos vermelhos, odor de álcool e comportamento incompatível podem aparecer no auto de infração. O conjunto precisa ser analisado no processo.
Por isso, a chamada tolerância zero não significa que qualquer leitura isolada tenha o mesmo efeito. O aparelho considera uma margem técnica de erro, prevista nos procedimentos do Contran.
| Leitura de referência | Efeito prático |
|---|---|
| 0,00 a 0,04 mg/L | Em regra, não configura o art. 165 apenas pelo resultado do aparelho |
| 0,05 a 0,33 mg/L | Infração administrativa do art. 165 |
| A partir de 0,34 mg/L | Pode caracterizar o crime do art. 306, além da infração administrativa |
Essas faixas são referências operacionais. Sinais de alteração psicomotora e outras provas podem influenciar o enquadramento, inclusive quando o resultado numérico não é suficiente sozinho.
Quando a multa vira crime de trânsito
O artigo 306 do CTB pode ser aplicado quando a concentração de álcool ou o conjunto de provas indica alteração da capacidade psicomotora.
O crime não depende apenas de uma leitura no bafômetro. Exame clínico, vídeos, testemunhas e relatos dos agentes também podem sustentar o encaminhamento à autoridade policial.
Nessa situação, o motorista enfrenta duas frentes. Há o processo administrativo para a CNH e a apuração criminal, com consequências próprias.
O que acontece com a CNH depois da abordagem
A suspensão é uma penalidade específica. A infração também tem natureza gravíssima, mas o efeito decisivo não é acumular pontos: é o enquadramento autossuspensivo.
O motorista recebe uma notificação e pode apresentar defesa prévia. Se a autuação for mantida, ainda existem recursos nas instâncias administrativas indicadas pelo órgão responsável.
Os prazos aparecem em cada notificação. Perder uma dessas datas pode encerrar uma etapa de defesa, então guardar o auto, a abordagem e os documentos faz diferença.
Quando a suspensão é aplicada, não basta quitar a multa. O condutor precisa cumprir o período determinado e seguir as exigências do órgão de trânsito, que normalmente incluem curso de reciclagem e aprovação no exame correspondente.
O carro pode ficar retido na blitz
Se o motorista não puder continuar dirigindo, o veículo pode ser retido até a apresentação de outro condutor habilitado e em condições de assumir o volante.
A medida não transfere a multa para esse segundo motorista. Ela serve para impedir que a pessoa autuada prossiga na condução depois da abordagem.
Se ninguém aparecer, o veículo pode ser removido conforme o procedimento adotado pelo órgão fiscalizador. A liberação costuma envolver custos adicionais, como guincho e estadia, além da multa.
Base legal usada na fiscalização
O artigo 165 do CTB trata da condução sob influência de álcool. O artigo 165-A aborda a recusa aos procedimentos, enquanto o artigo 306 define o crime de embriaguez ao volante.
A Resolução Contran nº 432/2013 estabelece procedimentos para fiscalização, documentação dos sinais e uso do etilômetro. A consulta ao texto atualizado do Código de Trânsito Brasileiro ajuda a conferir a redação legal.
O que fazer depois de receber a notificação
Primeiro, confira a identificação do veículo, local, horário, enquadramento, resultado do teste e dados do equipamento. Erros formais podem ser relevantes na análise da autuação.
Depois, observe o prazo para defesa ou recurso. A multa, a suspensão da CNH e eventual investigação criminal não são necessariamente resolvidas no mesmo documento.
Quem depende do carro para trabalhar deve agir rápido. Dirigir durante a suspensão pode criar uma nova infração e agravar a situação administrativa.
R$ 2.934,70 é apenas a parte financeira do problema. Entre multa, 12 meses sem dirigir, reciclagem e possível retenção do carro, a abordagem pode custar muito mais do que parece — e a pergunta é se vale arriscar por uma única viagem.
