O Mercedes-Maybach Classe S é o sedã de ultra luxo usado por Miranda Priestly em Diabo Veste Prada 2. No cinema, ele entra como símbolo de poder; fora da tela, é um carro que parte de US$ 207.150 nos EUA e passa fácil de R$ 3 milhões no Brasil por importação independente.
Não é um Classe S comum com mais cromados. É outro campeonato.
E tem um detalhe que muita matéria apressada embaralhou: o carro do filme foi tratado como se misturasse várias versões da linha. Na prática, a configuração mais coerente hoje é a Mercedes-Maybach S 580 4MATIC, não o V12 mais raro que costuma aparecer em listas de internet.
O Maybach da chefona não parece ser o V12
O nome do carro está certo. O resto pede filtro.
A versão mais documentada da Maybach Classe S atual usa motor V8 biturbo com sistema híbrido leve, tração integral 4MATIC e câmbio 9G-TRONIC de 9 marchas. Nessa configuração, a potência gira em torno de 496 cv, com cerca de 70 kgfm.
Já os números de 530 cv e 621 cv que circularam em textos sobre o filme misturam variantes diferentes do universo Maybach. O V12 existe em versões muito mais exclusivas, mas ele não foi confirmado como o carro usado por Miranda Priestly.
Faz diferença? Faz. Porque um leitor brasileiro pode achar que está olhando um Maybach “máximo” quando, na real, o filme pode estar mostrando a configuração mais comum da linha de ultra luxo da Mercedes.

Ficha técnica da versão mais provável do carro do filme
| Item | Dado |
|---|---|
| Modelo | Mercedes-Maybach Classe S |
| Versão mais provável | S 580 4MATIC |
| Segmento | Sedã de ultra luxo |
| Motor | V8 biturbo com sistema híbrido leve |
| Potência | Cerca de 496 cv |
| Torque | Cerca de 70 kgfm |
| Câmbio | Automático 9G-TRONIC, 9 marchas |
| Tração | Integral 4MATIC |
| Consumo urbano | Aproximadamente 6,8 km/l |
| Consumo rodoviário | Aproximadamente 11,5 km/l |
| Preço nos EUA | A partir de US$ 207.150 |
| Preço no Brasil | Acima de R$ 3 milhões via importação direta |
Os dados internacionais da linha podem ser consultados na página oficial da Mercedes-Maybach, no site da Mercedes-Benz dos EUA. É dali que sai a referência mais sólida para separar fato de chute.
Luxo de quem vai atrás
Esse é o tipo de sedã pensado primeiro para o banco traseiro. Quem compra quer ser levado, não brincar de trocar marcha em estrada vazia.
Por dentro, a Maybach vai além do Classe S convencional com foco total em isolamento acústico, conforto traseiro e personalização. Entram na conta portas com fechamento suave, suspensão a ar, bancos com massagem, acabamento em madeira e um sistema Burmester com 30 alto-falantes.
Tem ainda multimídia traseira de 13,1 polegadas no padrão internacional, ionização do ar com fragrância exclusiva, frigobar, mesas dobráveis e até taças de champanhe em algumas configurações. É carro de CEO, chefe de Estado e bilionário discreto. Ou nem tão discreto assim.
O visual também joga esse jogo. Grade Maybach maior, contorno iluminado, rodas forjadas específicas e detalhes de acabamento que separam o modelo de um Classe S “normal” já nos primeiros segundos.
No Brasil, a conta sobe muito rápido
A Maybach Classe S não é vendida oficialmente no Brasil como carro de linha regular. Se aparecer por aqui, quase sempre será via importação independente.
Aí o valor dispara. Imposto, frete, homologação, margem da importadora e personalização empurram a conta para cima sem dó. Por isso, a estimativa de mais de R$ 3 milhões faz sentido no mercado brasileiro, mesmo com preço bem menor na origem.
E não para na compra. Em estados que cobram 4% de IPVA para automóveis de passeio, um exemplar avaliado em R$ 3 milhões já geraria algo perto de R$ 120 mil por ano só de imposto.
Peças de acabamento, itens eletrônicos e componentes exclusivos de carroceria não costumam estar na prateleira. Vêm sob encomenda. Seguro? Restrito e caro, como acontece com qualquer importado de nicho extremo.
Compensa para quem? Para um público minúsculo: executivos de altíssimo patrimônio, colecionadores e compradores que querem um sedã com mais presença que um BMW Série 7 e mais discrição que um Rolls-Royce Phantom.
Mais Rolls-Royce Ghost do que Mercedes comum
É aí que o Maybach muda de patamar. Ele não disputa com sedã grande “de luxo” só pelo tamanho. Disputa por símbolo.
Os rivais mais próximos são Rolls-Royce Ghost, Bentley Flying Spur e, em mercados específicos, versões mais nobres de Audi A8 e BMW Série 7. A diferença é que o Maybach ainda carrega o desenho-base de um Mercedes, o que deixa tudo menos espalhafatoso.
Funciona no filme. Miranda Priestly não pisaria num carro barulhento visualmente. O Maybach entrega exatamente o oposto: manda recado sem precisar gritar.
Nos EUA, o ponto de partida do sedã gira em US$ 207.150. No Brasil, o mesmo carro pode passar de R$ 3 milhões antes mesmo de falar em personalização pesada — e isso deixa uma pergunta no ar: no universo real, quem ainda escolhe um sedã desse porte quando até bilionário anda migrando para SUV blindado?
