O leilão da Copart de veículos eletrificados acontece em 19/05/2026 e põe BYD e Mercedes-Benz no centro da vitrine. Tem BYD Song Plus, BYD King e Mercedes-Benz EQB com FIPE alta. A questão é outra: quanto desse valor sobrevive quando o martelo bate?
A movimentação não veio do nada. A própria Copart fala em alta de 58% nas vendas de eletrificados no 1º trimestre de 2026, sinal de que híbrido e elétrico já entraram no radar do comprador de leilão.
Isso inclui o curioso, o lojista e o dono de oficina. Também atrai quem olha um SUV híbrido de R$ 225 mil na FIPE e imagina desconto gordo. Só que leilão não funciona assim.
Quem puxa a vitrine da Copart
Os nomes mais fortes são bem claros. A BYD aparece com volume e apelo de mercado. A Mercedes-Benz entra como cartão de visita premium do evento.
| Modelo | Ano-modelo | Tipo | FIPE de referência |
|---|---|---|---|
| Mercedes-Benz EQB | 2024/2025 | SUV elétrico premium | R$ 340.534,00 |
| BYD Song Plus | 2025/2026 | SUV híbrido plug-in | R$ 225.516,00 |
| BYD King | 2024/2025 | Sedã híbrido plug-in | R$ 146.498,00 |
Além deles, a lista do leilão inclui GWM Haval H6 2025, Volvo XC40 2021 e Jaecoo 7 2025/2026. É uma mistura que retrata bem o mercado brasileiro atual: chinesas em alta e premium tentando segurar valor.

Entre esses nomes, o Song Plus é o lote que mais chama comprador comum. Roda bem, virou figura conhecida nas ruas e tem mercado mais líquido. O King vai na mesma linha, só que falando com quem ainda prefere sedã.
Já o EQB conversa com outro bolso. É SUV elétrico premium, nichado, caro de reparar e mais dependente de rede autorizada. Se aparecer com avaria relevante, o desconto precisa ser grande mesmo.
FIPE ajuda, mas não paga o arremate
FIPE, aqui, é régua de comparação. Não é preço final. Em leilão, o valor vencedor pode cair muito abaixo da tabela ou encostar nela, dependendo do lote.
O que pesa de verdade? Estado geral, tipo de sinistro, quilometragem, documentação, presença de chave, demanda do dia e taxa do leiloeiro. Um híbrido plug-in com frente batida leve é uma história. Um elétrico com suspeita de dano em bateria é outra completamente diferente.
Tem mais um detalhe que muita gente ignora. Em eletrificado, peça simples já custa caro. Módulo, chicote, conector de alta tensão e sensor elevam a conta rápido.
- Sinistro: média ou alta monta muda preço e seguro.
- Bateria: degradação ou dano estrutural derruba interesse.
- Documentação: pendência trava revenda e regularização.
- Liquidez: BYD e GWM giram mais rápido que premium de nicho.
- Taxas: arremate não termina no lance vencedor.
Quem olha só a FIPE corre risco de comprar errado. E comprar errado em carro eletrificado dói mais, porque a margem para improviso é pequena.

Nos eletrificados, o risco muda de patamar
Leilão de carro a combustão já exige cuidado. Em híbrido e elétrico, a lupa precisa ser maior. Não basta ver lataria alinhada e interior inteiro.
O comprador precisa investigar bateria, sistema de alta tensão e histórico de manutenção. Se houver dano mal reparado nessa parte, o barato some num piscar de olhos.
Também entra na conta a disponibilidade de peças. BYD e GWM têm presença forte no Brasil, mas ainda dependem de operação de pós-venda amadurecendo. Mercedes-Benz e Volvo têm rede mais estabelecida, só que a conta de oficina assusta.
Seguro é outro ponto sensível. Dependendo do histórico do lote, algumas seguradoras endurecem ou cobram mais caro. A revenda também muda bastante quando o carro carrega passagem por leilão.
Quer um exemplo prático? Um BYD Song Plus com reparo bem feito e documentação limpa ainda encontra comprador com relativa facilidade. Um EQB sinistrado, fora de garantia e com dúvida sobre bateria, pode ficar parado.
Como participar sem entrar no escuro
A Copart aceita pessoa física e jurídica. O cadastro é feito no site oficial da Copart, com envio de CNH, CPF, RG e comprovante de residência.
As salas de lance ficam abertas 30 minutos antes do início de cada sessão. Parece detalhe pequeno, mas faz diferença para checar lote, regras e documentação com calma.
Também vale usar a Tabela FIPE oficial só como base de mercado. O comprador esperto compara a FIPE com o custo provável de reparo, regularização e revenda. Se essa conta não fechar, melhor deixar passar.

BYD deve puxar disputa, Mercedes-Benz vira vitrine
Se a leitura for de giro de mercado, os modelos da BYD tendem a receber mais atenção. Song Plus e King falam com um público maior e já têm nome forte no usado.
O GWM Haval H6 entra na mesma conversa. Tem boa procura e briga no mesmo território dos SUVs médios eletrificados. Já o Jaecoo 7 ainda depende de consolidação da marca no Brasil, então o comprador costuma ser mais cauteloso.
O Volvo XC40 2021 tem apelo no seminovo premium, mas versão e histórico fazem enorme diferença. Sem esse filtro, qualquer comparação de preço vira chute.
R$ 340 mil de FIPE num EQB impressionam no papel. Só que liquidez de premium elétrico não é igual à de um BYD Song Plus. Um vende rápido se o lote estiver redondo. O outro pode exigir paciência.
O leilão acontece nesta terça-feira, 19/05/2026, com cadastro já aberto no site da Copart. Para quem pensa em entrar, a pergunta certa não é “quanto abaixo da FIPE vai sair”, mas “quanto custa errar num eletrificado desses?”

