A Suzuki Yes 125 saiu de linha e a marca não vende mais nenhuma moto pequena no Brasil. O catálogo oficial de 2026 começa no GSX-8S, a R$ 54.300.
Mesmo assim ela continua sendo uma das 125 mais procuradas no mercado de usadas, por um motivo simples: já desvalorizou tudo o que tinha para desvalorizar.
Uma Yes 2005 vale R$ 5.333 na tabela FIPE. A 2012, sete anos mais nova, vale R$ 6.724. São R$ 1.391 de diferença em sete anos de idade.
A Suzuki ainda vende motos pequenas no Brasil?
Não. E esse é o contexto que muda a decisão de compra.
O catálogo brasileiro da Suzuki em 2026 tem 11 modelos, todos de média e alta cilindrada. A lista vai do GSX-8S, a R$ 54.300, até a Hayabusa, a R$ 124.500.
Nenhuma 125. Nenhuma moto de entrada.
Na prática, isso significa que a concessionária da marca deixou de ser um caminho natural para revisar uma Yes. O dono passa a depender de mecânico independente, o que não é problema, já que a moto é mecanicamente simples.
Vale registrar uma ressalva: o último ano-modelo da Yes com valor na tabela FIPE é 2016, na versão SE. Isso é forte indício de quando a produção acabou, mas não é anúncio oficial de descontinuação.
Quanto custa uma Yes 125 hoje
Aqui está a correção mais importante desta atualização. Circulam por aí valores de R$ 9.500 a R$ 11 mil para a Yes, e eles não se sustentam.
A faixa real na FIPE de julho de 2026 vai de R$ 5.234 a R$ 7.706, dependendo da versão e do ano.
Versão base (EN 125 Yes)
| Ano | Preço FIPE |
|---|---|
| 2012 | R$ 6.724 |
| 2011 | R$ 6.504 |
| 2010 | R$ 6.051 |
| 2009 | R$ 5.903 |
| 2008 | R$ 5.759 |
| 2007 | R$ 5.618 |
| 2006 | R$ 5.467 |
| 2005 | R$ 5.333 |
Versão SE
| Ano | Preço FIPE |
|---|---|
| 2016 | R$ 7.706 |
| 2015 | R$ 7.468 |
| 2014 | R$ 7.232 |
| 2013 | R$ 6.973 |
| 2012 | R$ 6.729 |
| 2011 | R$ 6.508 |
Existe ainda a versão Cargo, voltada a trabalho, avaliada em R$ 5.234.
Preste atenção nesse detalhe na hora de negociar: são três versões distintas com preços diferentes. Muito comprador chega achando que “Yes 125” é uma coisa só e acaba pagando preço de SE por uma base.
Os valores completos e atualizados estão em tabela FIPE da EN 125 Yes e tabela FIPE da versão SE.
Ficha técnica
| Suzuki EN 125 Yes | |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico 4 tempos, 2 válvulas, refrigerado a ar |
| Cilindrada | 124 cc |
| Potência | 13 cv a 8.500 rpm |
| Torque | 1,15 kgfm a 7.000 rpm |
| Alimentação | Carburador |
| Câmbio | Manual de 5 marchas |
| Freios | Disco na dianteira, tambor atrás |
| Tanque | 14 litros |
| Peso | 112 kg |
| Altura do assento | 735 mm |
| Rodas | Aro 18 de liga leve, pneus tubeless |
Uma observação sobre a potência: circulam três números diferentes, de 11,3 cv a 13 cv, com rotações entre 8.500 e 9.000 rpm. As duas fontes mais confiáveis convergem em 13 cv a 8.500 rpm, mas a variação entre versões e anos é real.
A moto nunca teve injeção eletrônica nem ABS. Saía de fábrica com ignição digital, partida elétrica, marcador de combustível, conta-giros e alarme antifurto.
A fama de econômica se sustenta?
Sim, e os números confirmam.
Medições de uso urbano registram consumo acima de 30 km/l. A média mais citada por proprietários fica em torno de 35 km/l, e em estrada com velocidade constante ela chega a 45 km/l.
Com tanque de 14 litros, a autonomia prática passa de 490 km.
Proprietários dão nota 4,5 de 5 à moto no geral, com destaque para câmbio, ergonomia e custo-benefício, todos com 4,8.
“Ótima moto, econômica e segura”, resumiu um dono de um exemplar 2008.
Peças em 2026: o medo que não se confirma
Essa é a dúvida número um de quem considera comprar, e a resposta é melhor do que a fama sugere.
Apesar de a Suzuki ter abandonado a baixa cilindrada no Brasil, há oferta ativa de peças de reposição em marketplaces e catálogos especializados. Itens de manutenção corrente, como kit relação, pastilhas, filtros, velas e componentes de carburador, continuam acessíveis.
A explicação é a simplicidade mecânica: motor monocilíndrico refrigerado a ar, carburador e câmbio de cinco marchas são tecnologias sem mistério, com peças frequentemente compatíveis ou facilmente adaptáveis.
O que exige mais paciência são itens de carroceria e acabamento específicos, como plásticos originais em cores descontinuadas.
Os pontos de atenção da Yes usada
A moto mais nova em circulação tem cerca de dez anos, e a mais antiga passa dos vinte. Isso define a lista de verificação.
- Carburador: é o item que mais gera queixa. Moto parada por longos períodos cristaliza o carburador, causando partida difícil, marcha lenta irregular e afogamento
- Corrente e kit de relação: transmissão por corrente pede lubrificação e regulagem constantes. Em moto dessa idade, quase sempre precisa de troca
- Embreagem: teste patinação em subida e curso alto da alavanca, sinais de desgaste em uso urbano intenso
- Suspensão traseira: o monoamortecedor perde eficiência com o tempo. Teste por saltos e procure vazamento de óleo
- Parte elétrica e corrosão: chicote, bateria, farol e pontos de ferrugem no escapamento e no chassi merecem inspeção cuidadosa
Sobre freios, vale ajustar a expectativa: disco na frente e tambor atrás, sem ABS nem CBS. Não é defeito, é limitação de projeto de uma moto lançada há duas décadas, mas é o maior ponto fraco frente a rivais mais recentes.
Verifique a documentação antes de pagar
Moto barata e antiga costuma acumular pendência, e esse é o risco que custa mais caro.
É comum encontrar exemplar com IPVA atrasado, multas acumuladas, gravame ativo ou transferência não concluída. Nada disso aparece olhando a moto.
Consultar a placa antes de fechar mostra restrições e débitos, e o histórico veicular revela sinistro e passagem por leilão. Numa moto de R$ 6 mil, uma dívida de IPVA de três anos representa parcela relevante do valor.
Yes 125 contra as rivais usadas
| Modelo | Faixa FIPE |
|---|---|
| Suzuki Yes 125 (base) | R$ 5.333 a R$ 6.724 |
| Suzuki Yes 125 SE | R$ 6.508 a R$ 7.706 |
| Honda CG 125 Titan | R$ 5.633 a R$ 6.739 |
| Honda CG 125 Fan | R$ 7.644 a R$ 10.871 |
| Yamaha YBR 125 Factor E | R$ 6.596 a R$ 9.505 |
| Yamaha YBR 125 E | R$ 3.452 a R$ 6.457 |
A leitura é reveladora. A Yes SE 2016, a R$ 7.706, custa praticamente o mesmo que a CG 125 Fan mais barata, a R$ 7.644, e menos que boa parte da linha Factor E.
Entre as rivais tradicionais, só a CG 125 Titan bate a Yes em preço de entrada.
A vantagem da Honda continua sendo a rede: peça em qualquer cidade e mecânico em qualquer esquina. Se esse for o critério decisivo, vale ver a Honda Biz 125 ou a Bros 160.
Quem procura marca com garantia longa pode olhar a Haojue, que virou trunfo da Suzuki no Brasil com garantia estendida.
Vale a pena comprar em 2026?
Depende do que você procura.
Faz sentido se: você quer a moto mais barata possível para deslocamento urbano curto, tem mecânico de confiança e não se importa com ausência de ABS e injeção eletrônica. A depreciação praticamente parou, então você não perde dinheiro na revenda.
Não faz sentido se: você depende da moto para trabalhar todo dia, quer garantia de fábrica ou prioriza segurança com freio combinado. Nesses casos, uma CG 160 mais nova compensa a diferença de preço.
O catálogo atual da marca está no site da Suzuki Motos Brasil.
A Yes 125 virou aquele tipo de moto que só faz sentido comprar sabendo exatamente o que se está comprando: mecânica simples de uma marca que saiu do segmento, a um preço que já bateu no fundo. Para quem aceita esse contrato, é das compras mais racionais do mercado de usadas.
