O leilão da Copart com Hilux, SW4 e híbridos abre junho mirando um gatilho que sempre chama atenção: até 30% abaixo da tabela FIPE. No papel, parece pechincha. , o foco é outro: quanto esse desconto representa de verdade, quais lotes chamam mais atenção e onde mora o risco para quem comprar no Brasil.
Tem nome forte na lista. E isso muda o interesse do público.
Hilux, SW4 e eletrificados puxam a fila
Entre os destaques divulgados para a primeira semana de junho aparecem Toyota SW4 2020, Toyota Hilux CD 2022, Ford Ranger CD 2024, Nissan Frontier CD 2025, Jeep Compass 2018, GWM Haval H6 2025 e BYD Song Plus DM-i 2026.
A lógica é clara. Hilux e SW4 atraem pelo giro rápido na revenda. Haval H6 e Song Plus puxam quem quer eletrificação pagando menos do que pagaria numa loja.

A SW4 2020, por exemplo, entra como um dos lotes mais chamativos. A FIPE citada é de R$ 261.706, com sessão marcada para 03/06 ao meio-dia. Já a Hilux CD 2022 aparece com FIPE de R$ 238.069.
Nos eletrificados, o Haval H6 2025 foi listado com FIPE de R$ 245.856. O BYD Song Plus DM-i 1.5 16V 2026 surge com R$ 225.516. É um recorte curioso do mercado: de picape diesel casca-grossa a SUV híbrido plug-in cheio de tela.
Quanto 30% abaixo da FIPE realmente significa
Agora vem a parte que empolga. Se o desconto máximo acontecer, a diferença para a FIPE fica pesada.
| Modelo | FIPE citada | Preço com 30% de desconto | Sessão |
|---|---|---|---|
| Toyota SW4 2020 | R$ 261.706 | R$ 183.194 | 03/06, 12h |
| Toyota Hilux CD 2022 | R$ 238.069 | R$ 166.648 | sem horário informado no material |
| GWM Haval H6 2025 | R$ 245.856 | R$ 172.099 | sem horário informado no material |
| BYD Song Plus DM-i 2026 | R$ 225.516 | R$ 157.861 | sem horário informado no material |
| Ford Ranger CD 2024 | R$ 235.485 | R$ 164.840 | 03/06, 18h |
| Nissan Frontier CD 2025 | R$ 203.651 | R$ 142.556 | 05/06, 8h30 |
| Jeep Compass 2018 | R$ 88.584 | R$ 61.009 | 03/06, 18h |
É muito dinheiro. Uma SW4 perto de R$ 183 mil, por exemplo, entra no radar de quem hoje olha SUV médio zero-quilômetro. Uma Hilux perto de R$ 166 mil também bagunça a conta de muita picape usada em loja.
Mas calma. “Até 30%” é teto promocional, não piso automático. Em leilão, o valor final depende de disputa, estado do lote, quilometragem, histórico e documentação. Às vezes o desconto some na reta final.
Se quiser comparar a referência de mercado, a consulta oficial está na tabela FIPE. Ela ajuda a dimensionar o lance, mas não resolve a parte mais cara da compra: o pós-arremate.
Desconto bonito não apaga avaria cara
Leilão não é loja. Quem entra achando que comprou só pelo preço costuma tropeçar depois.
Hilux, SW4 e Compass têm uma vantagem objetiva: liquidez. São modelos conhecidos, com mercado grande, boa oferta de peças e oficinas que já dominam a mecânica. Isso reduz parte do susto depois do arremate.
Nos híbridos, a conversa muda. Haval H6 e Song Plus podem sair por valor muito abaixo da FIPE, só que bateria, módulos eletrônicos e acabamento específico elevam o custo se houver dano relevante. Fora da rede, a conta pode crescer rápido.
E tem outro detalhe. Híbrido comum e híbrido plug-in não são a mesma coisa. O Haval H6 pode aparecer em configuração HEV ou PHEV, dependendo da versão. Já o Song Plus DM-i é plug-in, então faz sentido checar recarga, sistema elétrico e garantia remanescente.
Seguro também pesa. Veículo de leilão pode enfrentar restrições de aceitação ou prêmio mais alto, conforme o histórico. Antes de dar lance, vale cotar seguro e estimar regularização. Sem isso, o “desconto” vira fumaça.
Quem faz mais sentido nesse leilão
Para quem quer robustez e revenda, Hilux e SW4 continuam sendo os nomes mais lógicos. A Toyota tem rede ampla, mercado aquecido e fama de durabilidade que segura preço. Não é hype. É comportamento real do usado no Brasil.
A Ranger 2024 entra como alternativa mais moderna em projeto. Só que manutenção e peças podem variar bastante conforme a versão. Se o lote parecer barato demais, desconfie do que não aparece na foto.
Frontier é o meio-termo interessante. Costuma entregar conforto melhor que muita rival de trabalho pesado, com motor 2.3 turbodiesel e câmbio automático de 7 marchas nas configurações mais desejadas. Pena que a revenda não acompanha Hilux.
Já o Compass 2018 conversa com outro bolso. Com FIPE citada de R$ 88.584, ele pode aparecer em patamar de hatch compacto zero se realmente bater perto de 30% abaixo. Funciona para quem quer entrar num SUV médio sem rasgar a carteira — desde que a estrutura esteja em ordem.
Como entram os lances nesta semana
A participação é online, pelo site da Copart. As salas abrem 30 minutos antes de cada sessão, e o cadastro pede CNH, CPF, RG e comprovante de residência.
Isso vale para consumidor final, lojista e frotista. Ou seja: não é um leilão fechado só para profissional. A concorrência, por isso mesmo, pode esquentar bastante nos lotes mais procurados.
| Documento | Exigência para cadastro |
|---|---|
| CNH | Obrigatória |
| CPF | Obrigatório |
| RG | Obrigatório |
| Comprovante de residência | Obrigatório |
O melhor caminho é simples: olhar fotos com lupa, checar descrição do lote, estimar funilaria, mecânica, documentação e seguro antes do primeiro clique. Parece básico. E é. Mesmo assim, muita gente entra no embalo do desconto e esquece que a conta real começa depois do martelo.
As sessões desta semana concentram modelos com saída forte no mercado brasileiro e alguns eletrificados ainda raros em leilão. O lance barato chama. A pergunta que fica é outra: quanto desse desconto sobre a FIPE continua de pé depois da oficina, do seguro e da papelada?
