A Honda Ridgeline vai sair de cena no fim de 2026 e voltar no 3º trimestre de 2028 com novo V6, visual revisto e foco claro em emissões. Para o leitor brasileiro, o ponto-chave é outro: isso não cria regra nova por aqui, mas ajuda a entender para onde a Honda está levando suas picapes.
Tem pegadinha? Não. É pausa programada de produção, não enterro de modelo.
O que já está definido para 2026 e 2028
A produção da Ridgeline será interrompida no 4º trimestre de 2026. A retomada está prevista para o 3º trimestre de 2028.
Ou seja: a picape vai passar mais de um ano fora da linha. Nesse intervalo, a Honda deve priorizar a fabricação de Odyssey e Passport.
| Etapa | Prazo | O que significa |
|---|---|---|
| Pausa de produção | 4º trimestre de 2026 | A Ridgeline deixa temporariamente a linha de montagem |
| Retorno industrial | 3º trimestre de 2028 | A picape volta já atualizada |
| Leitura correta | 2026 a 2028 | Hiato planejado, não cancelamento do projeto |
| Prioridade da fábrica | Durante a pausa | Mais espaço para Honda Odyssey e Honda Passport |
Isso muda a leitura da notícia. Quem viu só o título poderia achar que a Honda desistiu da picape. Não foi isso.
A marca quer reorganizar a produção e encaixar uma atualização técnica maior. A questão agora é o tamanho dessa mudança.

A regra que empurrou a mudança não vem do CTB
No Brasil, nada muda em licenciamento, CRLV-e, IPVA ou exigência de uso por causa da Ridgeline. O modelo não é vendido oficialmente aqui.
A pressão regulatória vem de emissões mais rígidas no mercado em que a picape atua. Para o brasileiro, isso serve como termômetro de engenharia, não como obrigação imediata.
Na nossa legislação, a base geral sobre controle de poluentes está no art. 104 do Código de Trânsito Brasileiro. Ele trata da avaliação das condições de segurança, emissão de gases e ruído dos veículos em circulação.
Já a linha atual da picape segue listada no site oficial da Honda nos Estados Unidos. Aqui, porém, não existe tabela FIPE nacional da Ridgeline, nem rede oficial da marca vendendo o modelo.
Vale deixar isso preto no branco. Não saiu resolução nova do CONTRAN nem ato da SENATRAN obrigando dono de Honda no Brasil a fazer qualquer ajuste por causa desse retorno em 2028.
Se alguém trouxer uma Ridgeline por importação independente
Aí a conversa muda um pouco. Se houver alteração de característica do veículo, como troca de motorização fora do padrão original, entra em cena o art. 98 do CTB.
Esse artigo exige autorização e regularização da modificação. Não é o tipo de serviço para resolver na base do “depois eu documento”.
Multa ou taxa específica ligada a essa notícia? Nenhuma para o consumidor brasileiro. O que existe, no máximo, é custo de importação, regularização e manutenção de um modelo sem operação oficial no país.

O V6 atual ficou curto para a próxima rodada
A Ridgeline de hoje usa o Honda J35Y6, um 3.5 V6 com arquitetura SOHC. É um motor conhecido, robusto e bem casado com o câmbio automático de 9 marchas.
Só que o jogo regulatório apertou. A Honda já usa um V6 mais novo, o J35Y8, em Pilot e Passport, com arquitetura DOHC e sem VTEC, segundo as informações já confirmadas sobre a família atual.
Para 2028, a direção técnica aponta para algo além de uma troca simples de código. O novo V6 deve fazer parte de um sistema híbrido de próxima geração.
| Item | Ridgeline até 2026 | Ridgeline a partir de 2028 |
|---|---|---|
| Motor | Honda J35Y6 3.5 V6 | Novo V6 |
| Arquitetura citada | SOHC | Integração a sistema híbrido de nova geração |
| Objetivo principal | Manter a proposta atual da picape | Ganhar eficiência e atender emissões mais rígidas |
| Desempenho esperado | Referência da linha atual | Melhor aceleração em plena carga |
| Status de produção | Até o fim de 2026 | Retorno no 3º trimestre de 2028 |
Isso interessa mesmo para quem nunca vai comprar uma Ridgeline? Sim, porque mostra a escolha da Honda: em vez de aposentar o V6 na marra, a marca tenta salvar a fórmula com eletrificação.
E isso diz muito. A fabricante ainda vê espaço para picape confortável, de uso misto, sem virar uma mula de carga com suspensão seca e cabine barulhenta.

Por que a comparação com a Ram Rampage faz sentido
A Ridgeline não concorre com a Ram Rampage em concessionária brasileira. Ela nem é vendida aqui. Mesmo assim, o paralelo editorial é justo.
As duas falam com um comprador parecido. Gente que quer picape com rodar civilizado, cabine de SUV e uso mais familiar que agrícola.
| Modelo | Estrutura | Venda oficial no Brasil | Perfil de uso |
|---|---|---|---|
| Honda Ridgeline | Monobloco | Não | Urbano, familiar e recreativo |
| Ram Rampage | Monobloco | Sim | Urbano, rodoviário e lazer |
| Fiat Toro | Monobloco | Sim | Uso misto com foco em conforto |
| Toyota Hilux | Chassi de longarinas | Sim | Trabalho pesado e off-road |
É por isso que comparar a Ridgeline com Hilux ou Ranger pede cuidado. A Honda joga mais perto de Rampage e Toro na filosofia do que das médias tradicionais de chassi.
Na prática, o brasileiro deve ler essa notícia como sinal de estratégia global. A Honda está mexendo numa picape nichada para mantê-la viva sem abandonar conforto e sem ignorar emissões.
Quem é afetado de verdade até 2028
O impacto direto cai sobre o mercado norte-americano. Quem quiser uma Ridgeline zero na transição entre 2027 e parte de 2028 pode enfrentar oferta mais curta e dependência de estoque remanescente.
Concessionárias dos EUA também sentem. A lacuna abre espaço para rivais como Tacoma, Ranger, Colorado e Frontier ocuparem esse comprador indeciso.
No Brasil, o efeito é indireto. Entusiastas e importadores independentes ganham um indicativo do futuro técnico da Honda, mas não recebem prazo de chegada, preço nacional ou qualquer confirmação de venda local.
Faz diferença? Faz, porque a Ram Rampage já mostrou que existe público para picape monobloco mais refinada por aqui. Se a Honda topa bancar um V6 híbrido para salvar a Ridgeline lá fora, fica a dúvida que sobra na mesa: essa aposta vai continuar restrita aos EUA ou um dia vira base para uma picape global que, enfim, olhe para o Brasil?
