Por que a Leapmotor chegou ao recorde de 893 vendas

Por Verificar Auto 08/06/2026 às 10:48 6 min de leitura
Por que a Leapmotor chegou ao recorde de 893 vendas
6 min de leitura

A Leapmotor viveu em maio de 2026 seu melhor mês no Brasil, com 893 unidades vendidas. Aqui você vê o que puxou o salto, como estão C10 e B10 e por que Goiana já virou peça-chave.

Saiu da fase da curiosidade.

A marca começou a operar por aqui em novembro de 2025. Seis meses depois, já cravou um recorde mensal e mostrou que não veio só para testar o terreno.

Maio foi o primeiro recado forte da Leapmotor

893 unidades em maio. Em abril, haviam sido 681. Na conta mensal, isso significa alta de 31,1%.

É um avanço rápido para uma marca que ainda está abrindo espaço em um mercado dominado por BYD, GWM e Toyota. E acontece com apoio direto da Stellantis, o que muda bastante o tamanho da operação.

Leapmotor C10 híbrido será o primeiro carro da marca produzido no Brasil
Leapmotor C10 híbrido será o primeiro carro da marca produzido no Brasil (Reprodução)
Indicador Dado confirmado
Início da operação no Brasil Novembro de 2025
Vendas em abril de 2026 681 unidades
Vendas em maio de 2026 893 unidades
Crescimento de abril para maio 31,1%
Rede da marca no país 38 concessionárias

Quem acompanha eletrificados sabe como esse número pesa. Não é volume de líder de mercado, claro. Mas também já passou da fase em que a marca depende só de curiosidade e lançamento.

Os relatórios do mercado brasileiro podem ser acompanhados na Fenabrave, que reúne os dados do setor. No caso da Leapmotor, maio virou o primeiro mês realmente relevante da operação.

O C10 segurou a ponta

Até aqui, o modelo que mais representa a Leapmotor no Brasil é o C10. Ele aparece em duas frentes bem diferentes: uma 100% elétrica, chamada BEV, e outra com extensor de autonomia, a REEV.

E é justamente a REEV que conversa melhor com o brasileiro. Faz sentido. Muita gente quer rodar no modo elétrico, mas ainda não confia em depender só de carregador na estrada.

Na prática, o C10 REEV entra onde BYD Song Plus, Haval H6 e Corolla Cross Hybrid já brigam por atenção. A diferença é a receita: ele tenta vender eletrificação sem obrigar o dono a viver com ansiedade de autonomia.

Citroën dispara em vendas com C3 e Basalt e supera o mercado em maio
Citroën dispara em vendas com C3 e Basalt e supera o mercado em maio (Reprodução)

Linha confirmada da Leapmotor no Brasil

Modelo Configuração Situação no Brasil Função na gama
Leapmotor C10 BEV 100% elétrico Já comercializado Vitrine tecnológica da marca
Leapmotor C10 REEV Elétrico com extensor de autonomia Já comercializado Versão mais aderente ao uso brasileiro
Leapmotor B10 SUV eletrificado Pré-venda aberta Porta de entrada da linha

Tem um detalhe importante aqui. O C10 não é só o carro mais visível da marca. Ele também funciona como teste real da aceitação do conceito REEV no Brasil.

Se o cliente brasileiro topar essa solução em escala, a Leapmotor ganha um atalho. Não precisa disputar apenas no campo do elétrico puro, onde a resistência ainda é maior fora dos grandes centros.

O B10 entra para puxar volume

O outro nome da vez é o B10. O SUV já apareceu em pré-venda e chega com preço informado de R$ 182.990.

É menos dinheiro do que muita gente esperava para uma estreia de marca chinesa apoiada por um grupo global. Ainda não é carro barato, longe disso. Mas entra numa faixa em que já existe briga de verdade.

BYD Yuan Plus, BYD Song Plus, GWM Haval H6, Corolla Cross Hybrid e até propostas da Caoa Chery aparecem no radar de quem olha esse pedaço do mercado. A Leapmotor não vai enfrentar rivais fracos.

Mas será que o B10 vende sozinho? Zero chance. Ele ajuda a ampliar vitrine, traz tráfego para as lojas e pode puxar volume. Só que a sustentação da marca ainda depende do C10 e da confiança no pós-venda.

Stellantis encurta o caminho

A parceria com a Stellantis é o que separa a Leapmotor de outras estreantes. Não é pouca coisa. Ter um grupo desse tamanho por trás muda rede, logística, peças e velocidade de expansão.

A confirmação de produção nacional do B10 e do C10 no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, mostra que a estratégia não é improviso. Quando uma marca fala em fábrica local, ela está falando de custo, prazo e sobrevivência.

Para o consumidor, a conta passa por dois medos bem brasileiros: peça e oficina. Em carro eletrificado, isso pesa muito mais do que design bonito ou tela grande.

Produção em Goiana também abre espaço para reduzir dependência de importação. E reduz a sensação de que o carro vai virar órfão no primeiro tropeço da marca.

O que já está de pé na estratégia industrial

Frente Status
Parceria no Brasil Operação em conjunto com a Stellantis
Produção nacional B10 e C10 confirmados para Goiana (PE)
Tecnologia em desenvolvimento REEV Flex
Expansão comercial Rede e portfólio ainda crescem em 2026

A tal REEV Flex merece atenção. Se sair do papel do jeito que o nome sugere, a Leapmotor pode falar uma língua muito brasileira: eletrificação com combustível flex.

Funciona? Ainda é cedo para cravar. Mas a ideia tem lógica no nosso mercado, onde etanol, viagem longa e infraestrutura irregular convivem no mesmo mapa.

38 concessionárias já tiram a marca do nicho

Outro dado que ajuda a explicar o mês forte: a Leapmotor já opera com 38 concessionárias no Brasil. Para uma marca que estreou em novembro de 2025, não é rede pequena.

Isso encurta a distância entre interesse e compra. O cliente pode ver o carro, negociar, financiar e voltar para revisão sem depender de uma operação minúscula concentrada em duas capitais.

A expansão da rede também ajuda a entender por que maio andou mais do que abril. Carro eletrificado precisa de vitrine física. Muita gente ainda compra com o pé atrás e quer tocar no produto antes de fechar.

No fundo, o recorde de 893 unidades mostra três coisas ao mesmo tempo. O C10 achou público, o B10 chegou na hora certa e a Stellantis está acelerando a estrutura.

Agora vem a parte dura. Repetir 893 unidades uma vez é notícia; transformar isso em ritmo constante contra BYD, GWM e Toyota é outra história — e é aí que a Leapmotor vai descobrir se já virou marca de mercado ou ainda está vivendo o efeito novidade.