A Leapmotor viveu em maio de 2026 seu melhor mês no Brasil, com 893 unidades vendidas. Aqui você vê o que puxou o salto, como estão C10 e B10 e por que Goiana já virou peça-chave.
Saiu da fase da curiosidade.
A marca começou a operar por aqui em novembro de 2025. Seis meses depois, já cravou um recorde mensal e mostrou que não veio só para testar o terreno.
Maio foi o primeiro recado forte da Leapmotor
893 unidades em maio. Em abril, haviam sido 681. Na conta mensal, isso significa alta de 31,1%.
É um avanço rápido para uma marca que ainda está abrindo espaço em um mercado dominado por BYD, GWM e Toyota. E acontece com apoio direto da Stellantis, o que muda bastante o tamanho da operação.

| Indicador | Dado confirmado |
|---|---|
| Início da operação no Brasil | Novembro de 2025 |
| Vendas em abril de 2026 | 681 unidades |
| Vendas em maio de 2026 | 893 unidades |
| Crescimento de abril para maio | 31,1% |
| Rede da marca no país | 38 concessionárias |
Quem acompanha eletrificados sabe como esse número pesa. Não é volume de líder de mercado, claro. Mas também já passou da fase em que a marca depende só de curiosidade e lançamento.
Os relatórios do mercado brasileiro podem ser acompanhados na Fenabrave, que reúne os dados do setor. No caso da Leapmotor, maio virou o primeiro mês realmente relevante da operação.
O C10 segurou a ponta
Até aqui, o modelo que mais representa a Leapmotor no Brasil é o C10. Ele aparece em duas frentes bem diferentes: uma 100% elétrica, chamada BEV, e outra com extensor de autonomia, a REEV.
E é justamente a REEV que conversa melhor com o brasileiro. Faz sentido. Muita gente quer rodar no modo elétrico, mas ainda não confia em depender só de carregador na estrada.
Na prática, o C10 REEV entra onde BYD Song Plus, Haval H6 e Corolla Cross Hybrid já brigam por atenção. A diferença é a receita: ele tenta vender eletrificação sem obrigar o dono a viver com ansiedade de autonomia.

Linha confirmada da Leapmotor no Brasil
| Modelo | Configuração | Situação no Brasil | Função na gama |
|---|---|---|---|
| Leapmotor C10 BEV | 100% elétrico | Já comercializado | Vitrine tecnológica da marca |
| Leapmotor C10 REEV | Elétrico com extensor de autonomia | Já comercializado | Versão mais aderente ao uso brasileiro |
| Leapmotor B10 | SUV eletrificado | Pré-venda aberta | Porta de entrada da linha |
Tem um detalhe importante aqui. O C10 não é só o carro mais visível da marca. Ele também funciona como teste real da aceitação do conceito REEV no Brasil.
Se o cliente brasileiro topar essa solução em escala, a Leapmotor ganha um atalho. Não precisa disputar apenas no campo do elétrico puro, onde a resistência ainda é maior fora dos grandes centros.
O B10 entra para puxar volume
O outro nome da vez é o B10. O SUV já apareceu em pré-venda e chega com preço informado de R$ 182.990.
É menos dinheiro do que muita gente esperava para uma estreia de marca chinesa apoiada por um grupo global. Ainda não é carro barato, longe disso. Mas entra numa faixa em que já existe briga de verdade.
BYD Yuan Plus, BYD Song Plus, GWM Haval H6, Corolla Cross Hybrid e até propostas da Caoa Chery aparecem no radar de quem olha esse pedaço do mercado. A Leapmotor não vai enfrentar rivais fracos.
Mas será que o B10 vende sozinho? Zero chance. Ele ajuda a ampliar vitrine, traz tráfego para as lojas e pode puxar volume. Só que a sustentação da marca ainda depende do C10 e da confiança no pós-venda.
Stellantis encurta o caminho
A parceria com a Stellantis é o que separa a Leapmotor de outras estreantes. Não é pouca coisa. Ter um grupo desse tamanho por trás muda rede, logística, peças e velocidade de expansão.
A confirmação de produção nacional do B10 e do C10 no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, mostra que a estratégia não é improviso. Quando uma marca fala em fábrica local, ela está falando de custo, prazo e sobrevivência.
Para o consumidor, a conta passa por dois medos bem brasileiros: peça e oficina. Em carro eletrificado, isso pesa muito mais do que design bonito ou tela grande.
Produção em Goiana também abre espaço para reduzir dependência de importação. E reduz a sensação de que o carro vai virar órfão no primeiro tropeço da marca.
O que já está de pé na estratégia industrial
| Frente | Status |
|---|---|
| Parceria no Brasil | Operação em conjunto com a Stellantis |
| Produção nacional | B10 e C10 confirmados para Goiana (PE) |
| Tecnologia em desenvolvimento | REEV Flex |
| Expansão comercial | Rede e portfólio ainda crescem em 2026 |
A tal REEV Flex merece atenção. Se sair do papel do jeito que o nome sugere, a Leapmotor pode falar uma língua muito brasileira: eletrificação com combustível flex.
Funciona? Ainda é cedo para cravar. Mas a ideia tem lógica no nosso mercado, onde etanol, viagem longa e infraestrutura irregular convivem no mesmo mapa.
38 concessionárias já tiram a marca do nicho
Outro dado que ajuda a explicar o mês forte: a Leapmotor já opera com 38 concessionárias no Brasil. Para uma marca que estreou em novembro de 2025, não é rede pequena.
Isso encurta a distância entre interesse e compra. O cliente pode ver o carro, negociar, financiar e voltar para revisão sem depender de uma operação minúscula concentrada em duas capitais.
A expansão da rede também ajuda a entender por que maio andou mais do que abril. Carro eletrificado precisa de vitrine física. Muita gente ainda compra com o pé atrás e quer tocar no produto antes de fechar.
No fundo, o recorde de 893 unidades mostra três coisas ao mesmo tempo. O C10 achou público, o B10 chegou na hora certa e a Stellantis está acelerando a estrutura.
Agora vem a parte dura. Repetir 893 unidades uma vez é notícia; transformar isso em ritmo constante contra BYD, GWM e Toyota é outra história — e é aí que a Leapmotor vai descobrir se já virou marca de mercado ou ainda está vivendo o efeito novidade.
