O nome estava em discussão há meses, e agora saiu: a nova picape média da BYD para o Brasil vai se chamar Mako. A informação, antecipada pela CNN Brasil, encerra o suspense sobre a estreia da marca em um segmento dominado por Fiat Toro, Ram Rampage e Ford Maverick.
O lançamento está previsto para setembro de 2026, com produção começando em meados do ano em Camaçari (BA) — na ex-fábrica da Ford que a BYD comprou em 2023. Será a primeira picape híbrida plug-in flex fabricada no Brasil.
O preço estimado vai de R$ 160 mil na versão de entrada (4×2) a R$ 220 mil na topo de linha (4×4), miscando direto no território onde a Toro e a Fiat Strada topo de linha brigam.

Ficha técnica: Mako 4×2 e Mako 4×4 lado a lado
A BYD Mako vai chegar em duas configurações bem distintas. A 4×2 é a versão de entrada, focada em consumo e preço; a 4×4 mira quem quer performance e capacidade off-road. Veja o comparativo direto:
| Item | Mako 4×2 (DM-i) | Mako 4×4 (DM-i) |
|---|---|---|
| Motor a combustão | 1.5 aspirado flex (110 cv) | 1.5 turbo flex (130 cv) |
| Motor elétrico | 1 unidade (180 cv) | 2 unidades (204 cv diant. + 163 cv tras.) |
| Potência combinada | 235 cv | até 324 cv |
| Torque combinado | 40,1 kgfm | acima de 50 kgfm |
| Bateria | menor capacidade | 26,6 kWh |
| Autonomia 100% elétrica | ~63 km | até 100 km |
| Autonomia combinada | ~1.200 km | ~1.000 km |
| Consumo combinado | ~35 km/l | ~28 km/l |
| Caçamba | ~500 L | ~500 L |
| Comprimento | ~4,7 m | ~4,7 m |
| Entre-eixos | 3,0 m | 3,0 m |
| Construção | monobloco | monobloco |
| Preço estimado | R$ 160 mil | até R$ 220 mil |
A construção em monobloco é a escolha que mais separa a Mako das picapes médias tradicionais. Hilux, Ranger e L200 usam chassi sobre longarina, conceito mais robusto para uso pesado. A Mako segue o caminho da Toro e da Rampage — um SUV alongado com caçamba.

Mako: o nome do tubarão mais rápido do mundo
A BYD escolheu Mako por uma razão específica: é o nome em inglês do tubarão-mako, considerado o tubarão mais rápido em mar aberto. O peixe atinge picos de 75 km/h.
O nome também conversa com a Shark, irmã maior já vendida no México, que a BYD não trouxe ao Brasil. A Mako vai ser menor, mais barata e nasce já adaptada ao etanol.
É a segunda picape global da marca. Diferente da Shark — que é fabricada no México em plataforma própria — a Mako vai ser construída sobre uma versão adaptada da plataforma do BYD Song Pro/Plus, SUV que é o carro-chefe da marca no exterior.
Híbrido plug-in flex: como funciona o motor da Mako
A Mako usa o sistema DM-i (Dual Mode intelligent), o mesmo dos hatches e SUVs da BYD vendidos por aqui. Mas com uma novidade: o motor 1.5 aceita etanol e gasolina. É o segundo modelo da marca no mundo a receber adaptação flex, depois do Song Pro nacional.
Na maior parte do tempo, quem move o carro é o motor elétrico. O motor a combustão funciona como gerador, recarregando a bateria ou apoiando em alta velocidade. Quem quiser entender melhor o conceito pode consultar nosso glossário sobre veículos de zero emissões.
Por ser plug-in, a bateria também aceita recarga em tomada. A versão 4×4 tem 26,6 kWh — bateria grande para uma picape média. A autonomia em modo 100% elétrico chega a 100 km, suficiente para o uso urbano da semana inteira sem usar uma gota de combustível.
Na 4×4, o sistema ganha um segundo motor elétrico no eixo traseiro. Não há eixo cardã ligando os dois — a tração nas quatro rodas é eletrônica, gerenciada por software. Para quem quer aprofundar, vale ler sobre o que é tração 4×4.

Camaçari: a ex-fábrica da Ford volta a ter picape
O endereço escolhido carrega peso simbólico. Camaçari foi onde a Ford produzia o EcoSport, o Ka e a Fiesta antes de fechar a operação no Brasil em 2021. Ficou três anos parada.
A BYD comprou o complexo em 2023 e investiu mais de R$ 5,5 bilhões na reconversão. A fábrica vai produzir tanto SUVs quanto a Mako, com capacidade inicial estimada em 150 mil veículos por ano.
Detalhe que importa: até hoje, a Ford Maverick é importada do México. A Mako vai colocar a primeira picape híbrida plug-in produzida em solo nacional na linha de produção, ganhando incentivos do programa Mover (ex-Rota 2030).
Mako vs Toro vs Ranger: o que muda no segmento
A briga não vai ser fácil. A Toro está consolidada, a Rampage acabou de ganhar versão flex e a Maverick híbrida tem fila de espera. Mas a Mako traz três trunfos.
O primeiro é o consumo. Se os 35 km/l combinados se confirmarem nos testes brasileiros, nenhum concorrente chega perto — Toro Ranch diesel faz cerca de 12 km/l e a Maverick híbrida faz cerca de 18 km/l.
O segundo é a potência sob demanda. Os 324 cv da 4×4 superam qualquer picape média à venda hoje no país, incluindo a Ram Rampage R/T com seus 272 cv.
O terceiro é o preço. R$ 160 mil na 4×2 colocaria a Mako abaixo da Toro Ranch (que parte de R$ 175 mil) e da Maverick (R$ 220 mil). É um espaço que a Strada topo de linha já tenta ocupar, mas com proposta totalmente diferente.
A questão aberta é a aceitação de uma picape monobloco com tração eletrônica num mercado que ainda valoriza chassi reforçado. Se a Mako convencer o comprador da Toro, a BYD pode reordenar todo o segmento médio.
O cronograma é apertado: produção começa em meados de 2026 e as primeiras unidades chegam às concessionárias em setembro. Quem está de olho em uma picape híbrida nacional tem menos de um ano para esperar.

