Uber testa taxa de até R$ 1,88 por corrida recusada

Por Verificar Auto 22/08/2026 às 20:52 5 min de leitura
motorista da Uber olhando uma solicitação de corrida no celular dentro do carro, painel visível e enquadramento horizontal landscape
5 min de leitura

A Uber testa na Europa uma taxa cobrada do motorista por cada corrida enviada pelo aplicativo, mesmo quando a chamada é recusada ou ignorada. O modelo está em avaliação em Malmö, na Suécia, e Basileia, na Suíça.

O valor chega a R$ 1,88 por solicitação. No Brasil, a cobrança ainda não está em vigor e não foi confirmada pela empresa.

Como funciona a nova taxa da Uber

O motorista recebe uma corrida enquanto está online. Se aceitar, recusar ou simplesmente deixar a oferta expirar, a chamada poderá gerar uma cobrança no teste europeu.

A orientação da plataforma é direta: quem não quiser receber novas solicitações deve mudar o status para offline. Permanecer ativo passa a ter um custo potencial por chamada.

Cidade Taxa por chamada Conversão informada Compensação
Malmö, Suécia 2 coroas suecas Cerca de R$ 1,03 Redistribuição conforme corridas concluídas
Basileia, Suíça 0,30 franco suíço Cerca de R$ 1,88 Comissão menor nas categorias UberX e UberXL

A Uber afirma que a medida busca melhorar a distribuição das corridas. A empresa quer priorizar motoristas mais próximos do passageiro, reduzir cancelamentos e encurtar o tempo de espera.

Nissan Leaf Uber Green [divulgação]
Nissan Leaf Uber Green [divulgação] (Foto: Auto+)

Por que a empresa está testando a cobrança

Os dados citados pela plataforma apontam que quase metade dos cancelamentos analisados tem relação com espera elevada: 48,09% dos casos.

Outros 18,8% estão ligados a mudanças na rotina do passageiro. Em 4,92% das ocorrências, o motorista não chegou ao ponto de embarque.

A maior concentração de desistências aparece entre o primeiro e o quarto minuto depois da solicitação. Para a Uber, o problema envolve a eficiência do despacho, não apenas a quantidade de carros disponíveis.

Na prática, o algoritmo tenta evitar que uma viagem circule por vários motoristas até encontrar alguém disposto a aceitá-la. Isso pode reduzir o tempo parado na tela do passageiro.

O motorista passa a pagar para ficar online?

Essa é a mudança mais sensível. Hoje, o motorista brasileiro pode permanecer online e escolher as corridas exibidas sem pagar uma tarifa direta por cada recusa.

O teste altera essa lógica. O custo aparece antes da viagem terminar e pode atingir quem fica conectado por longos períodos, mas aceita apenas determinados trajetos.

Quem trabalha 10 horas por dia e recebe dezenas de chamadas recusáveis teria de acompanhar cada oferta com atenção. Uma sequência de chamadas ruins pode reduzir a remuneração antes mesmo do abastecimento.

O risco é maior para motoristas que evitam regiões perigosas, trajetos pouco rentáveis ou viagens que terminam longe das áreas de maior demanda.

Como será a compensação em cada cidade

Em Malmö, a Uber informou que o dinheiro arrecadado com a taxa será redistribuído aos motoristas. O cálculo considera a quantidade de corridas efetivamente concluídas.

O sistema não funciona como um estorno imediato da chamada recusada. O motorista paga pelas solicitações recebidas e pode receber parte dos valores conforme seu desempenho em viagens finalizadas.

Em Basileia, não haverá devolução da tarifa. A contrapartida será uma redução na comissão das categorias UberX e UberXL, de 25% para 23%.

Uma corrida de R$ 100, por exemplo, deixaria R$ 77 para o motorista com comissão de 23%. No modelo de 25%, sobrariam R$ 75, antes de outros custos da operação.

A diferença não elimina a cobrança por chamada. Apenas muda o momento e o formato da compensação.

O efeito para passageiros pode ser positivo ou negativo

Se a taxa reduzir recusas, o passageiro poderá encontrar motorista mais rápido. A viagem também teria menos chances de ser cancelada após vários minutos de espera.

Mas existe o efeito contrário. Motoristas podem ficar offline por mais tempo para evitar chamadas pouco interessantes, especialmente em horários de baixa demanda.

Em horários de pico, isso pode diminuir a quantidade de carros disponíveis. A tarifa dinâmica subiria, e a espera poderia aumentar justamente quando o passageiro mais precisa do serviço.

Funciona para todos? Ainda não há resposta. O resultado depende do valor cobrado, da remuneração por viagem e da quantidade de chamadas recusadas em cada região.

A taxa da Uber chega ao Brasil?

Não há confirmação de adoção no Brasil. Até 22/08/2026, a cobrança está restrita aos testes de Malmö e Basileia.

A ideia de uma expansão global circula como hipótese, mas a Uber não confirmou outros países. O Brasil, por enquanto, não aparece entre os mercados anunciados para o experimento.

O contexto brasileiro adicionaria outra camada de discussão. Motoristas parceiros dependem de previsibilidade para calcular combustível, manutenção, seguro, IPVA e tempo conectado.

Uma cobrança por chamada recusada também poderia provocar debate sobre transparência algorítmica e remuneração nas plataformas. A empresa teria de explicar com clareza quais ofertas geram tarifa e como ocorre a compensação.

O teste ainda pode mudar a relação com o aplicativo

A Uber descreve a iniciativa como ferramenta para melhorar o despacho de corridas. Para o motorista, porém, a mudança transforma a disponibilidade online em uma atividade potencialmente tarifada.

O passageiro pode ganhar alguns minutos. O parceiro pode perder dinheiro em chamadas que nunca viraram viagem.

Enquanto a empresa mede os resultados na Europa, os motoristas brasileiros continuam sem essa cobrança. Se o modelo avançar para cá, a pergunta será inevitável: quanto custa permanecer disponível sem aceitar qualquer corrida?

Mais informações sobre o funcionamento da plataforma estão disponíveis no site oficial da Uber para motoristas.