Stellantis vai lançar 7 carros híbridos no Brasil em 2026; veja quais

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Fiat Toro 2026 - picape que ganhará versão híbrida MHEV 48V

A Stellantis confirmou o lançamento de 7 carros híbridos no Brasil em 2026, em uma ofensiva que envolve três marcas do grupo: Fiat, Jeep e Citroën. Com investimento de R$ 30 bilhões até 2030, a empresa aposta em duas tecnologias distintas — o Bio-Hybrid 12V e o MHEV 48V — para eletrificar modelos produzidos nas fábricas de Goiana (PE), Porto Real (RJ) e Betim (MG). Neste artigo, você confere quais são os modelos, as diferenças entre os sistemas híbridos, preços estimados e quando cada um chega às concessionárias.

Quais são os 7 híbridos da Stellantis para 2026

A Stellantis já comercializa o Fiat Pulse e o Fiat Fastback com tecnologia Bio-Hybrid desde 2024. Agora, a empresa vai expandir a eletrificação para mais sete modelos ao longo de 2026:

Modelo Sistema híbrido Motor base Fábrica
Fiat Toro MHEV 48V T270 1.3 turbo (176 cv) Goiana (PE)
Jeep Renegade MHEV 48V T270 1.3 turbo (176 cv) Goiana (PE)
Jeep Compass MHEV 48V T270 1.3 turbo (176 cv) Goiana (PE)
Jeep Commander MHEV 48V T270 1.3 turbo (176 cv) Goiana (PE)
Jeep Avenger Bio-Hybrid 12V T200 1.0 turbo (130 cv) Porto Real (RJ)
Citroën Aircross Bio-Hybrid 12V T200 1.0 turbo (130 cv) Porto Real (RJ)
Citroën Basalt Bio-Hybrid 12V T200 1.0 turbo (130 cv) Porto Real (RJ)

O mercado de eletrificados no Brasil já representa 1 em cada 7 carros vendidos. A Stellantis quer surfar essa onda com produção 100% nacional — sem depender de importação — e preços mais acessíveis que os concorrentes chineses.

Como funciona o sistema Bio-Hybrid 12V

O Bio-Hybrid é o sistema de entrada da Stellantis, já presente no Fiat Pulse e no Fastback. Trata-se de um híbrido leve (MHEV) que não precisa de tomada para recarga — a energia é recuperada nas frenagens e desacelerações.

Especificações técnicas do Bio-Hybrid 12V

  • Motor a combustão: T200 1.0 turbo flex — 130 cv e 20,4 kgfm
  • Motor elétrico: 3 kW (~4 cv), multifuncional (alternador + motor de partida)
  • Bateria: sistema duplo — chumbo-ácido 68 Ah (cofre do motor) + lítio 11 Ah (sob o banco do motorista)
  • Tensão: 12V
  • Câmbio: CVT com 7 marchas simuladas
  • Economia: até 11,5% menos consumo no ciclo urbano (Fastback) e 10,7% (Pulse)

O motor elétrico de 3 kW não move o carro sozinho. Ele atua como auxiliar do motor a combustão, fornecendo torque extra nas arrancadas e recuperando energia nas frenagens. Segundo a Stellantis, o sistema captura aproximadamente 25% da energia que seria desperdiçada em um powertrain convencional.

Modos de operação do Bio-Hybrid

  • e-Start&Stop: desliga o motor automaticamente em paradas completas
  • e-Assist: motor elétrico auxilia o motor a combustão nas acelerações
  • e-Regen: converte energia de frenagem em eletricidade armazenada
  • Alternador inteligente: sistema de carga dual que se adapta ao estado das baterias

O Bio-Hybrid 12V é a tecnologia que vai equipar o Jeep Avenger, o Citroën Basalt e o Citroën Aircross, todos produzidos em Porto Real (RJ), na mesma plataforma CMP/Smart Car.

Como funciona o sistema MHEV 48V

O MHEV 48V é o sistema mais sofisticado da Stellantis no Brasil. A diferença para o 12V é significativa: a tensão mais alta permite dois motores elétricos e uma bateria de lítio dedicada, com capacidade de mover o carro em modo 100% elétrico por alguns metros.

Especificações técnicas do MHEV 48V

  • Motor a combustão: T270 1.3 turbo flex — 176 cv e 27,5 kgfm
  • Motor elétrico 1: substitui alternador e motor de partida
  • Motor elétrico 2: acoplado à transmissão — 28 cv e 5,6 kgfm extras
  • Bateria: lítio 48V, 0,9 kWh de capacidade
  • Economia: até 15% de redução no consumo
  • Diferencial: capaz de tracionar o veículo em modo elétrico por curtas distâncias

Com dois motores elétricos trabalhando em conjunto, o sistema 48V entrega uma experiência de condução mais refinada. O segundo motor, acoplado à transmissão, adiciona 28 cv e 5,6 kgfm ao conjunto, o que se traduz em retomadas mais rápidas e menos esforço do motor a combustão em situações como subidas e ultrapassagens.

Essa é a tecnologia que vai equipar a Fiat Toro, o Jeep Renegade, o Jeep Compass e o Jeep Commander — todos produzidos em Goiana (PE), que se torna o centro de eletrificação da Stellantis na América Latina.

Fiat Toro híbrida: a picape ganha eficiência

Fiat Toro 2026 híbrida com novo design
Nova Fiat Toro 2026: picape ganhará versão híbrida MHEV 48V (Foto: Stellantis/Divulgação)

A Fiat Toro é uma das picapes mais vendidas do Brasil, mas sempre sofreu críticas pelo consumo elevado. A versão híbrida de 48V promete mudar essa história.

O conjunto T270 1.3 turbo de 176 cv combinado com o sistema MHEV 48V deve entregar uma melhoria de aproximadamente 15% no consumo em relação à versão puramente a combustão. A picape continuará sendo produzida em Goiana (PE). A versão híbrida será oferecida em três versões: Freedom, Volcano e Ultra.

O preço atual da Toro 2026 parte de R$ 159.490 (Endurance, apenas combustão). A versão híbrida 48V deve custar a partir de R$ 180 mil a R$ 200 mil, já que a tecnologia 48V tem custo superior. A versão de entrada Endurance continuará apenas com motor a combustão.

Interior da Fiat Toro 2026 com freio de estacionamento eletrônico
Interior da Toro 2026: novo painel e freio de estacionamento eletrônico (Foto: Stellantis/Divulgação)

Jeep Renegade, Compass e Commander híbridos

Jeep Renegade 2026 traseira que receberá versão híbrida
Jeep Renegade 2026: SUV compacto será um dos primeiros a receber o sistema MHEV 48V (Foto: Stellantis/Divulgação)

Os três SUVs da Jeep produzidos em Goiana (PE) vão receber o mesmo sistema MHEV 48V da Toro. A base é o motor T270 1.3 turbo flex de 176 cv, complementado pelos dois motores elétricos que adicionam 28 cv ao conjunto.

Novo Jeep Compass 2026 com design renovado e versão híbrida 48V
Novo Jeep Compass 2026: design totalmente renovado e versão híbrida MHEV 48V (Foto: Stellantis/Divulgação)

Para a Jeep, a hibridização é estratégica: permite oferecer versões mais eficientes sem abandonar o DNA de robustez e capacidade off-road. O sistema 48V é leve o suficiente para não comprometer a dirigibilidade em terrenos acidentados, e a recuperação de energia nas descidas funciona como um freio motor eletrônico natural.

Os preços dos Jeep híbridos ainda não foram oficializados. Atualmente, o Renegade parte de R$ 118.290 (Sport), o Compass de R$ 174.990 (Sport) e o Commander de R$ 228.790 (Longitude). As versões híbridas devem ter um acréscimo entre R$ 5 mil e R$ 15 mil em relação às equivalentes a combustão.

Jeep Avenger: o SUV compacto que chega para brigar

Jeep Avenger 2026 SUV compacto híbrido fabricado no Brasil
Jeep Avenger 2026: SUV compacto híbrido que será fabricado em Porto Real (RJ) (Foto: Stellantis/Divulgação)

O Jeep Avenger é a grande novidade da marca para 2026. Posicionado abaixo do Renegade, ele chega como o Jeep mais acessível do Brasil — e já nasce híbrido.

O modelo será produzido em Porto Real (RJ), na mesma plataforma CMP/Smart Car usada pelo Citroën C3 e Aircross. Usa o sistema Bio-Hybrid 12V com motor T200 1.0 turbo de 130 cv e câmbio CVT.

Destaques do Avenger:

  • Porta-malas: 380 litros
  • Tecnologia: ChatGPT integrado ao sistema de infoentretenimento
  • Preço estimado: entre R$ 120 mil e R$ 150 mil
  • Lançamento: segundo semestre de 2026

Se a Jeep acertar o preço, o Avenger pode se tornar uma alternativa forte ao Volkswagen Tera, Hyundai Creta e Fiat Pulse — com a vantagem de carregar o selo Jeep e já oferecer tecnologia híbrida de série.

Citroën Aircross e Basalt híbridos

A Citroën será a última marca da Stellantis a receber a eletrificação no Brasil. O Aircross e o Basalt ganharão o sistema Bio-Hybrid 12V com motor T200 1.0 turbo de 130 cv e câmbio CVT — o mesmo conjunto do Pulse e Fastback.

Citroën Basalt Dark Edition 2026 que receberá Bio-Hybrid
Citroën Basalt Dark Edition 2026: SUV coupé ganhará sistema Bio-Hybrid 12V (Foto: Pedro Bicudo/Divulgação)

A promessa é de até 10% de economia no consumo urbano, sem acréscimo significativo no preço. Para a Citroën, que já compete fortemente no segmento de entrada com preços agressivos, manter o custo-benefício é fundamental.

Citroën Aircross XTR 2026 que receberá Bio-Hybrid
Citroën Aircross XTR 2026: versão aventureira também ganhará sistema Bio-Hybrid (Foto: Pedro Bicudo/Divulgação)

Ambos os modelos serão produzidos em Porto Real (RJ) e devem receber as versões híbridas entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027.

Onde serão fabricados os híbridos

A Stellantis está investindo pesado em três fábricas brasileiras para a produção de híbridos:

Fábrica Sistema Modelos
Goiana (PE) MHEV 48V Fiat Toro, Jeep Renegade, Compass, Commander
Porto Real (RJ) Bio-Hybrid 12V Jeep Avenger, Citroën Aircross, Citroën Basalt
Betim (MG) Bio-Hybrid 12V Fiat Pulse, Fastback (já em produção) + novo modelo Fiat

Goiana será o centro de eletrificação da Stellantis na América Latina. A fábrica pernambucana recebeu investimentos para produzir tanto os motores T270 quanto o sistema MHEV 48V com baterias de lítio. Porto Real, por sua vez, concentra a plataforma CMP/Smart Car que é a base do Avenger e dos Citroën.

Quanto custam os híbridos da Stellantis

Os preços oficiais das versões híbridas ainda não foram todos divulgados, mas já é possível ter uma ideia da faixa com base nos modelos atuais e estimativas do mercado:

Modelo Preço estimado (híbrido) Sistema
Citroën Basalt Bio-Hybrid A partir de ~R$ 100 mil 12V
Citroën Aircross Bio-Hybrid A partir de ~R$ 110 mil 12V
Jeep Avenger Bio-Hybrid R$ 120 mil a R$ 150 mil 12V
Fiat Toro MHEV A partir de ~R$ 185 mil 48V
Jeep Renegade MHEV A partir de ~R$ 130 mil 48V
Jeep Compass MHEV A partir de ~R$ 185 mil 48V
Jeep Commander MHEV A partir de ~R$ 240 mil 48V

Um ponto importante: híbridos flex produzidos no Brasil podem se beneficiar de incentivos fiscais, como a isenção ou redução de IPI — o que ajuda a manter os preços competitivos. Além disso, em vários estados brasileiros, veículos híbridos têm isenção ou redução de IPVA, o que torna o custo de propriedade ainda mais atrativo.

O que isso significa para o mercado brasileiro

A ofensiva da Stellantis é a maior ação de eletrificação já feita por uma montadora no Brasil. Sete modelos híbridos produzidos nacionalmente, em três fábricas diferentes, cobrem desde o segmento de entrada (Citroën Basalt, ~R$ 100 mil) até o premium (Jeep Commander, ~R$ 260 mil).

A estratégia tem três pilares claros:

  • Produção nacional: todos os modelos são fabricados no Brasil, o que evita imposto de importação e garante peças com disponibilidade imediata
  • Flex + híbrido: todos os motores são flex (etanol/gasolina), combinando a tradição brasileira do etanol com eletrificação — o conceito que a Stellantis batizou de “Bio-Hybrid”
  • Duas tecnologias: o 12V para modelos de entrada (menor custo) e o 48V para modelos de maior valor (melhor desempenho)

Para concorrentes como Renault, Toyota e as montadoras chinesas (BYD, GWM, GAC), a mensagem é clara: a Stellantis não vai ficar para trás na corrida da eletrificação — e tem a vantagem de já ter escala de produção local.

Perguntas frequentes

Quais são os 7 carros híbridos da Stellantis para 2026?

Os modelos confirmados são: Fiat Toro, Jeep Renegade, Jeep Compass, Jeep Commander (todos com sistema MHEV 48V), Jeep Avenger, Citroën Aircross e Citroën Basalt (todos com sistema Bio-Hybrid 12V). Todos serão produzidos no Brasil.

Qual a diferença entre Bio-Hybrid 12V e MHEV 48V?

O Bio-Hybrid 12V usa um motor elétrico de 3 kW que auxilia o motor a combustão T200 1.0 turbo (130 cv), com economia de até 11,5%. O MHEV 48V usa dois motores elétricos com o T270 1.3 turbo (176 cv), adicionando 28 cv extras e permitindo tração elétrica por curtas distâncias, com economia de até 15%.

Os híbridos da Stellantis precisam ser carregados na tomada?

Não. Tanto o Bio-Hybrid 12V quanto o MHEV 48V são sistemas híbridos leves (MHEV) que recarregam automaticamente por recuperação de energia nas frenagens e desacelerações. Não é necessário nenhum tipo de recarga externa.

Os híbridos da Stellantis são flex?

Sim. Todos os modelos utilizam motores flex (etanol e gasolina) combinados com o sistema elétrico. É a chamada tecnologia “Bio-Hybrid” — biocombustível + eletrificação.

Quanto custa o híbrido mais barato da Stellantis?

O Fiat Pulse Bio-Hybrid, já à venda, parte de cerca de R$ 110 mil. Entre os novos lançamentos de 2026, o Citroën Basalt Bio-Hybrid deve ser o mais acessível, com preço estimado a partir de R$ 100 mil.

O Jeep Avenger vem para o Brasil em 2026?

Sim. O Jeep Avenger será produzido em Porto Real (RJ) com o sistema Bio-Hybrid 12V e motor T200 1.0 turbo de 130 cv. O preço estimado fica entre R$ 120 mil e R$ 150 mil, posicionado abaixo do Renegade.

Híbridos da Stellantis têm isenção de IPVA?

Depende do estado. Em São Paulo, híbridos flex são isentos de IPVA até R$ 261 mil de valor venal. Outros estados como Acre, Amapá, DF e Tocantins também isentam híbridos. Confira nosso guia completo de IPVA para eletrificados por estado.

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