Em março de 2026, um dado chamou atenção no mercado automotivo brasileiro: a cada sete carros novos emplacados no país, um é elétrico ou híbrido. A participação de eletrificados chegou a 14,8% na primeira quinzena de março, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Para quem acompanha o setor há anos, o número é impressionante — e representa uma virada estrutural, não uma moda passageira.
O crescimento não foi linear. Foi uma aceleração. Em fevereiro de 2025, os eletrificados somavam 7% do mercado. Em dezembro do mesmo ano, já eram 13%. Em fevereiro de 2026, chegaram a 14%. A velocidade dessa mudança surpreende até os mais otimistas do setor.
Os números da eletrificação no Brasil em 2025 e 2026
O ano de 2025 encerrou com 223.912 veículos eletrificados emplacados no Brasil, crescimento de 26% sobre os 177.358 do ano anterior, segundo a Fecombustíveis. Foi o recorde histórico do segmento até então — e já foi superado em ritmo pelo começo de 2026.
Nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 48.591 emplacamentos de eletrificados, alta de 90% sobre o mesmo período de 2025. Só em fevereiro foram 24.885 unidades, quase o dobro do mesmo mês do ano passado.
| Mês / Período | Emplacamentos | Participação no mercado |
|---|---|---|
| Fevereiro 2025 | ~13.000 | 7% |
| Agosto 2025 | 20.222 | 9,4% |
| Setembro 2025 (recorde) | 21.515 | ~10% |
| Dezembro 2025 | 33.905 | 13% |
| Janeiro 2026 | 23.706 | 15% |
| Fevereiro 2026 | 24.885 | 14% |
| 1ª quinzena de março 2026 | 15.007 | 14,8% |
Fontes: ABVE, Fecombustíveis, Canal Diesel.
Os eletrificados mais vendidos no Brasil
A BYD domina o segmento com folga. A montadora chinesa encerrou 2025 como líder absoluta entre elétricos puros, com cinco modelos no top 10. Mas o mercado de híbridos também tem seus campeões — e aí entram GWM e Toyota.
Entre os elétricos puros (BEV), o BYD Dolphin Mini foi o grande fenômeno do ano: mais de 32.490 unidades emplacadas em 2025, representando sozinho 40% de todo o mercado de BEV no país.
| # | Modelo | Tipo | Emplacamentos 2025 |
|---|---|---|---|
| 1 | BYD Dolphin Mini | Elétrico puro | 32.490 |
| 2 | GWM Haval H6 | Híbrido (PHEV) | 28.016 |
| 3 | BYD Song Pro | Híbrido (PHEV) | 22.536 |
| 4 | BYD Song Plus | Híbrido (PHEV) | 16.694 |
| 5 | Toyota Corolla Cross híbrido | Híbrido (HEV) | 14.436 |
Os híbridos plug-in (PHEV) responderam por 45% de todos os eletrificados emplacados em 2025, com 101.364 unidades. Os híbridos convencionais (HEV e HEV Flex) somaram mais 42.370.
Se você comprou um desses modelos ou está pesquisando um usado, vale consultar veículo pela placa para checar o histórico completo antes de fechar negócio.
Por que a eletrificação acelerou no Brasil
Redução de IPI e isenções estaduais
O governo federal manteve a alíquota zero de IPI para veículos elétricos e vários estados adotaram isenção ou redução de IPVA para carros elétricos. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre os principais. A soma desses incentivos pode representar economia de R$ 15 mil a R$ 30 mil no custo total de propriedade.
Expansão da produção local e queda de preços
A BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA) e passou a produzir localmente. Isso reduziu custos de importação e permitiu preços mais competitivos. O BYD Dolphin Mini chegou a ser comercializado abaixo dos R$ 120 mil — faixa antes considerada inacessível para elétricos no Brasil.
A ascensão do híbrido plug-in como solução intermediária
Muitos consumidores brasileiros ainda têm receio de ficar sem carga. O híbrido plug-in resolve esse problema: funciona na tomada quando possível, e usa o motor a combustão quando necessário. Esse perfil de veículo cresceu 63% em 2025 e representa quase metade de todos os eletrificados emplacados.
Os desafios que ainda existem
Infraestrutura de recarga concentrada no Sudeste
O Brasil chegou a 16.880 pontos de recarga públicos e semipúblicos até agosto de 2025. O problema: mais de 70% estão concentrados no Sudeste e Sul. São Paulo sozinho concentra cerca de 4.500 pontos. No Norte e Nordeste, rodar longas distâncias com um elétrico puro ainda é arriscado.
Preço de entrada elevado
Mesmo com a queda de preços, o tíquete médio dos eletrificados parte de R$ 115 mil nos modelos de entrada. Isso coloca o segmento fora do alcance da maior parte da população brasileira, que compra carros usados abaixo de R$ 80 mil.
Revenda e valor residual incerto
O mercado de elétricos usados ainda é pequeno no Brasil — e isso gera incerteza sobre o valor residual. A tabela FIPE já inclui referências para os principais elétricos e híbridos, mas a amostragem ainda é pequena.
O que esperar para o resto de 2026
O início do ano já apontou o caminho: com 90% de crescimento no primeiro bimestre, 2026 deve superar o recorde de 2025 com folga. A projeção do setor é fechar o ano com mais de 280 mil eletrificados emplacados.
- Novos modelos: Chevrolet, Volkswagen e Stellantis devem ampliar sua oferta de híbridos e elétricos no segundo semestre.
- Fábrica BYD em plena operação: expectativa de redução adicional de preços.
- Expansão da rede de recarga: investimentos devem dobrar os pontos públicos até o fim de 2026.
Preços FIPE atualizados
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre carro elétrico puro e híbrido?
O elétrico puro (BEV) funciona exclusivamente com motor elétrico. O híbrido combina motor elétrico e motor a combustão. No híbrido convencional (HEV), a bateria é carregada pelo próprio movimento do carro. No híbrido plug-in (PHEV), é possível recarregar na tomada.
Quais estados têm isenção de IPVA para carros elétricos?
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco estão entre os estados com isenção total ou parcial. As regras variam por estado. Consulte nossa página sobre IPVA para carros elétricos para detalhes.
Qual o carro elétrico mais vendido no Brasil em 2025?
O BYD Dolphin Mini foi o elétrico puro mais vendido, com 32.490 unidades — 40% de todo o mercado de BEV. Considerando todos os eletrificados, o GWM Haval H6 híbrido ficou entre os líderes, com 28.016 emplacamentos.
Vale a pena comprar carro elétrico ou híbrido em 2026?
Depende do perfil de uso. Para quem mora em cidade grande com acesso à recarga, um elétrico puro faz sentido: custo operacional menor e isenção de IPVA em vários estados. Para quem faz viagens longas, um híbrido plug-in oferece mais flexibilidade. O preço ainda é o principal obstáculo — entrada a partir de R$ 115 mil.
Como verificar o histórico de um elétrico usado?
Antes de comprar qualquer veículo, é essencial consultar veículo pela placa para verificar histórico de proprietários, restrições financeiras e débitos. Para checar o preço de referência, consulte a tabela FIPE do modelo.

