O Dodge Charger Super Bee teria feito 0 a 100 km/h em 3,6 segundos, superando por pouco o Charger SRT Hellcat, mesmo com 109 cv a menos. A tração integral explica boa parte dessa diferença.
Mas existe uma ressalva importante. O nome Super Bee pode identificar um pacote ou edição especial, dependendo do mercado e da configuração.
Super Bee vence o Hellcat na arrancada
A configuração descrita usa motor 3.0 de seis cilindros em linha, com dois turbocompressores Garrett maiores e recalibração eletrônica. A potência chega a 608 cv, com torque de 73,4 kgfm.
O Charger SRT Hellcat citado na comparação tem V8 6.2 Hemi supercharged, 717 cv e 89,8 kgfm. Ainda assim, marcou 3,7 segundos no mesmo exercício de 0 a 100 km/h.
| Modelo | Motor | Potência | Torque | 0 a 100 km/h | Quarto de milha |
|---|---|---|---|---|---|
| Dodge Charger Super Bee | 3.0 seis cilindros em linha biturbo | 608 cv | 73,4 kgfm | 3,6 s | 11,8 s |
| Dodge Charger SRT Hellcat | 6.2 V8 supercharged | 717 cv | 89,8 kgfm | 3,7 s | 11,0 s |

A diferença é mínima. Um décimo de segundo não transforma o Super Bee em vencedor absoluto, mas mostra como potência máxima não decide sozinha uma largada.
Na pista, aderência e eletrônica podem valer mais que 109 cv extras. Principalmente nos primeiros metros.
Tração integral pesa mais que potência na saída
O Super Bee conta com tração integral e pode enviar força ao eixo traseiro em um modo voltado à condução esportiva. Essa solução reduz a perda de aderência quando o motorista acelera parado.
O pacote também inclui modos Track e Drag, que alteram a resposta do acelerador, o câmbio e o controle de estabilidade. Existe ainda o Torque Reserve, sistema que mantém o conjunto pronto para a largada.
Na prática, o motor já parte em uma faixa favorável de funcionamento. O turbo demora menos para responder, enquanto a transmissão administra a força sem deixar os pneus girarem em excesso.
Pneus Goodyear Eagle F1 Supercar 3 de medida 305/35ZR20 completam o conjunto. São largos, aderentes e muito diferentes de um pneu esportivo comum de rua.
| Item | Dodge Charger Super Bee |
|---|---|
| Câmbio | Automático de 8 marchas |
| Tração | Integral, com modo de envio de força ao eixo traseiro |
| Pneus | Goodyear Eagle F1 Supercar 3, 305/35ZR20 |
| Freios | Brembo ventilados, com pinças de seis pistões na dianteira |
| Aerodinâmica | Splitter dianteiro maior e aerofólio traseiro |
| Downforce | 45 kg adicionais a 240 km/h |
A suspensão também recebe acerto específico, com amortecedores adaptativos, molas mais rígidas e buchas reforçadas. O objetivo é controlar a transferência de peso sem comprometer a largada.
Hellcat ainda leva vantagem quando a reta fica longa
O resultado muda no quarto de milha. O Hellcat aparece com 11,0 segundos, contra 11,8 segundos do Super Bee.
A explicação está na potência sustentada. Depois dos primeiros metros, a tração deixa de ser o maior obstáculo e o V8 passa a usar sua vantagem de torque e deslocamento.
É uma diferença importante para evitar uma conclusão errada. O Super Bee é mais rápido na arrancada indicada, mas o Hellcat ainda acelera mais forte em uma prova longa.
Também não dá para transformar esse resultado em uma comparação definitiva entre todos os Charger. Os números podem variar conforme pneu, temperatura, combustível, superfície e procedimento de medição.
O nome Super Bee exige cuidado
Super Bee é um nome histórico da Dodge. Ele já foi usado em versões e edições especiais ligadas ao desempenho, mas não representa necessariamente uma configuração independente em todos os mercados.
Por isso, a identificação exata importa. Ano-modelo, país de venda, pacote instalado e arquitetura do carro precisam aparecer juntos antes de qualquer comparação direta com o Hellcat.
O Hellcat citado também pertence a uma fase anterior da linha Charger em muitos mercados. A comparação funciona como referência de desempenho, mas não equivale automaticamente a dois carros da mesma geração.
Essa distinção evita uma confusão comum: acreditar que a Dodge colocou uma versão oficial, global e perfeitamente equivalente do Super Bee contra o Hellcat atual.
A própria linha Charger atravessa uma transição técnica. A Dodge passou a trabalhar com uma arquitetura mais moderna e diferentes soluções de propulsão, enquanto preserva a imagem de muscle car.
O Charger não tem venda oficial no Brasil
O Dodge Charger não é vendido regularmente pela rede brasileira da Stellantis. Para o leitor daqui, isso significa importação independente, custos elevados e pós-venda muito mais restrito.
Não há preço de tabela da montadora nem valor FIPE brasileiro aplicável à configuração Super Bee descrita. Seguro, peças e manutenção dependem da importadora e da disponibilidade de componentes.
Um carro desse tipo também enfrenta custos pesados de IPVA e licenciamento, calculados conforme o estado e o valor declarado. O consumo não foi divulgado na comparação, mas não é o foco de um muscle car com 608 cv.
Mustang, BMW M2 e Toyota GR Supra são referências mais próximas para o público brasileiro. Mesmo assim, nenhum deles reproduz exatamente a combinação americana de carroceria grande, torque abundante e preparação para arrancada.
O Charger Super Bee pode, sim, ser mais rápido que o Hellcat no 0 a 100 km/h. Só que a vantagem depende da tração integral, dos pneus e da eletrônica — e desaparece quando a disputa chega ao quarto de milha.
Sem mercado oficial, preço brasileiro e confirmação da nomenclatura comercial, sobra uma pergunta incômoda: estamos diante de uma versão real da Dodge ou de um pacote de desempenho apresentado fora do contexto?
As informações oficiais sobre a linha Charger podem ser acompanhadas no site da Dodge, que permite conferir a configuração oferecida em cada mercado.
