O Lancer Evolution X é a décima e última geração do sedã esportivo da Mitsubishi. No Brasil, ele chegou oficialmente em 2010 com motor 2.0 turbo de 295 cv, tração integral e câmbio SST de 6 marchas. Hoje, virou carro de nicho: raro, caro e muito mais interessante para entusiasta do que para quem só quer um sedã forte.
Se a busca era entender o que ele é, quanto custa e se ainda faz sentido em 2026, a resposta curta já está dada. Agora vem a parte que separa sonho de dor de cabeça.
Lancer Evolution X não é um Lancer comum
Visual parecido engana. Debaixo da carroceria, o Evo X é outro carro.
Ele usa o motor 2.0 turbo 4B11T, tração integral AWD, acerto de suspensão bem mais rígido e eletrônica pensada para extrair aderência. Não é um Lancer GT com aerofólio. É um sedã esportivo nascido com foco em performance.
no uso real. A frente aponta melhor, a traseira trabalha junto e a tração integral segura o carro cedo na saída de curva. Quem já andou num Lancer comum percebe rápido: o Evo X parece sempre mais tenso, mais grudado e mais bruto.
Também muda no bolso. Peça, seguro, pneu e freio já sobem de nível antes mesmo da primeira revisão fora de concessionária.
Quando o Mitsubishi Lancer Evolution X apareceu no Brasil
O Mitsubishi Lancer Evolution X foi apresentado no Japão em outubro de 2007. A importação oficial para o Brasil começou em julho de 2010, em baixo volume e com foco claro no público entusiasta.
Não durou muito. A produção global da linha Evolution acabou em 2015, e o Evo X ficou marcado como o último da família.
Essa despedida pesa no preço até hoje. Quando um carro já nasce raro, sai de linha e ainda encerra uma linhagem cultuada, o mercado de usados deixa de seguir lógica de sedã comum.

Ficha técnica do Evo X vendido aqui
No mercado brasileiro, a configuração mais lembrada é a MR 2.0 turbo de 295 cv, com câmbio SST de dupla embreagem e 6 marchas. Em outros países houve versão manual de 5 marchas, mas ela não é a referência do carro vendido oficialmente aqui.
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | 2.0 16V turbo |
| Código do motor | 4B11T |
| Arquitetura | 4 cilindros em linha |
| Alimentação | Injeção eletrônica, turbo com intercooler |
| Potência | 295 cv a 6.500 rpm |
| Torque | 37,3 kgfm a cerca de 3.500 rpm |
| Câmbio no Brasil | SST de 6 marchas |
| Tração | Integral AWD |
| 0 a 100 km/h | Cerca de 6,3 s |
| Velocidade máxima | Cerca de 242 km/h |
| Comprimento | Cerca de 4,50 m |
| Largura | Cerca de 1,81 m |
| Altura | Cerca de 1,48 m |
| Entre-eixos | Cerca de 2,65 m |
| Peso | Em torno de 1.590 kg |
| Tanque | Cerca de 55 litros |
| Porta-malas | Em torno de 323 litros |
| Chegada ao Brasil | 2010 |
| Fim de produção global | 2015 |
323 litros de porta-malas não são um desastre. Mas ninguém compra Evo X para levar carrinho de bebê e cadeira de praia. O foco sempre foi outro.
Na prática, o carro ficou famoso pela forma como entrega tração e controle. O motor enche cedo, a aderência é alta e o conjunto parece pedir estrada boa ou pista. Em cidade esburacada, ele cobra.
FIPE e preço de mercado em 2026
Na Tabela FIPE oficial, o Mitsubishi Lancer Evolution X 2.0 16V 295 cv TB Intercooler aparece com referências que ajudam a balizar o mercado. Os valores mais citados giram em torno de R$ 160.961 para 2010 e R$ 227.940 para 2015.
Existe ainda referência de zero km em R$ 206.639, mas aqui ela serve mais como registro histórico do modelo do que como parâmetro de compra real. Em anúncio, a vida é outra.
Hoje, um Evo X usado bem conservado costuma aparecer entre R$ 180 mil e R$ 350 mil. Exemplares muito originais, com baixa quilometragem e histórico bom, pedem mais. Às vezes bem mais.
Compensa pagar acima da FIPE? Depende do carro. Nesse modelo, originalidade, manutenção e histórico pesam mais que a tabela. Um exemplar mexido, com remap agressivo e peças paralelas, pode parecer barato e sair caríssimo depois.

Comprar um Evo X usado exige olhar além da quilometragem
Quilometragem baixa ajuda, claro. Só que, no Evo X, ela não resolve sozinha.
Muito carro desse tipo passou por preparação. Remap, escapamento, pressão de turbo, intake e uso em track day são comuns. Não é defeito por si só. O problema é quando a preparação foi feita sem critério e sem documentação.
O câmbio SST merece atenção especial. Ele é parte do charme do carro, mas também entra na lista de itens caros quando aparece desgaste, tranco ou falha de engate. Se o histórico de trocas de fluido é nebuloso, acenda a luz amarela.
Outro ponto: arrefecimento. Em carro turbo usado com pegada forte, radiador, mangueiras, reservatório, ventoinha e intercooler precisam ser vistos com calma. Superaquecimento mal resolvido cobra caro.
Freios e pneus também entregam pistas. Disco muito marcado, desgaste irregular e pneu de marca duvidosa contam uma história. E quase nunca é uma história boa.
Tem mais. Vale conferir soldas fora do padrão, para-choque mal alinhado, parafusos mexidos e peças internas trocadas. Muita unidade já foi desmontada, batida ou adaptada.
Seguro? Prepare o bolso. Como é um carro raro e caro de reparar, a cotação pode assustar. IPVA também não alivia: em estados com alíquota de 4%, um exemplar avaliado em R$ 200 mil já encosta em R$ 8 mil por ano.
Peça é outro filtro. Itens básicos de manutenção ainda aparecem com alguma busca, mas componentes específicos podem exigir importação, espera e oficina que conheça o carro. Não é projeto para qualquer mecânico de bairro.
Versão brasileira, mercado e rivais que fazem sentido
O Evo X nunca teve concorrência numerosa no Brasil. Mesmo assim, dá para montar uma régua justa com esportivos de tração integral ou compactos de alta performance que orbitam a mesma ideia de uso.
| Modelo | Proposta | O que entrega | Leitura de mercado |
|---|---|---|---|
| Subaru WRX / WRX STI | Sedã esportivo japonês | Tração integral e pegada parecida | Rival mais natural do Evo X |
| Volkswagen Golf R | Hatch esportivo AWD | Mais discreto no visual | Anda muito e costuma ser menos “rally” |
| Audi S3 / RS 3 | Premium esportivo | Acabamento melhor e muita força | Cobra mais em peças e seguro |
| Mercedes-AMG A 35 / A 45 | Hot hatch premium | Desempenho forte e eletrônica moderna | Menos cult, mais tecnológico |
| BMW M135i / M140i | Hatch esportivo | Seis cilindros e tração traseira ou integral | Outra escola de diversão |
Se a comparação for emocional, o Subaru WRX STI fala a mesma língua. Se for racional, Audi S3 e Golf R costumam parecer mais civilizados no uso diário.
Mas o Evo X tem um apelo próprio. Ele carrega a imagem de carro de rali, último Evolution e sedã japonês bruto numa era que matou esse tipo de receita.

Por que o Evo X virou carro cult no Brasil
Não foi só por número de potência. O Evo X virou objeto de desejo porque fecha uma história.
Ele é o último Evolution, veio em baixo volume e manteve uma fórmula que quase sumiu: sedã médio, motor turbo, tração integral e acerto sem compromisso com conforto fofo. Hoje, quase tudo nessa faixa virou hatch premium ou esportivo eletrificado.
Também existe o fator cultural. Games, filmes, fóruns e preparadores transformaram o Evo em referência para quem cresceu nos anos 2000. Esse imaginário segura valor e aumenta a busca por carros originais.
Só que culto não paga oficina. E esse detalhe separa o colecionador preparado do comprador por impulso.
Lancer Evolution X ainda faz sentido em 2026?
Faz, mas para um público pequeno. Quem busca um esportivo japonês de coleção, aceita manutenção acima da média e sabe comprar usado raro encontra no Evo X um carro muito especial.
Para uso diário, já fica mais difícil defender. Consumo alto, peças menos simples, seguro salgado e suspensão firme demais pesam rápido. Um Audi S3 ou Golf R costuma ser menos trabalhoso.
Agora, se a ideia é ter um dos últimos grandes sedãs turbo AWD da era analógica-digital, aí o Evo X entra forte na conversa. Não pelo conforto. Nem pela lógica fria da FIPE. Ele entra pelo que ainda entrega quando o asfalto abre.
Nos anúncios brasileiros de 2026, o Lancer Evolution X parte de algo perto de R$ 180 mil e pode passar de R$ 350 mil. A pergunta já não é se ele anda muito; é quantos exemplares ainda sobraram sem remap duvidoso, câmbio cansado e passado de pista.

