HB20 e Creta vão perder potência no motor

Por Verificar Auto 07/07/2026 às 17:12 3 min de leitura Atualizado: 07/07/2026
HB20 e Creta vão perder potência no motor
3 min de leitura

O motor 1.0 turbo do HB20 e do Creta vai perder potência nas próximas concessionárias, mudança que a Hyundai já vinha adiando, mas que o lançamento do i20 no Brasil acelerou. A alteração deve chegar até o fim do terceiro trimestre de 2026, atingindo as versões mais equipadas de ambos os modelos.

O motivo é fiscal, não técnico: hoje o 1.0 turbo entrega 120 cv a gasolina e 115 cv a etanol, mas o limite para se enquadrar na faixa reduzida do IPI é de até 85 kW, o equivalente a 115,5 cv. Ultrapassar essa marca custa 0,75 ponto percentual a mais de alíquota, o que pesa direto no preço final ao consumidor.

O que muda: potência igual nos dois combustíveis

Depois do ajuste, o motor deve entregar 115 cv tanto na gasolina quanto no etanol, uniformizando um número que hoje varia conforme o combustível. O torque, de 17,5 kgfm a 1.500 rpm, permanece o mesmo: a mudança afeta só a potência de pico, não a entrega de força em baixa rotação.

Segundo o Terra, as versões afetadas devem ser as de topo: Limited e Platinum no HB20 e HB20S, e Comfort Safety, Limited e Platinum no Creta. As versões de entrada, que já rodam com motores menos potentes, não devem sentir o impacto.

A chegada do i20 acelerou a decisão

O Hyundai i20, lançado em 3 de julho de 2026 e fabricado em Piracicaba (SP), sendo o Brasil o primeiro mercado do mundo a recebê-lo, já nasce com 115 cv de fábrica no motor 1.0 turbo. Isso empurrou a Hyundai a alinhar a potência do HB20 e do Creta ao novo padrão, evitando que o modelo mais barato da linha (i20) tivesse motor mais forte que os irmãos mais caros.

O i20 chega com preços entre R$ 99.990 e R$ 139.990, posicionado entre o HB20 (R$ 96.140 a R$ 132.490) e o Creta (R$ 119.990 a R$ 201.590), sem substituir nenhum dos dois, mas competindo diretamente por espaço na prateleira da marca.

Isso vai afetar o desempenho no dia a dia?

Uma diferença de 5 cv, de 120 para 115, dificilmente é perceptível na condução cotidiana, já que o torque, responsável pela sensação de força em arrancadas e ultrapassagens, permanece inalterado. O impacto real está mais na ficha técnica e no discurso de venda do que na experiência prática ao volante.

Ainda assim, a mudança expõe como decisões fiscais moldam a engenharia dos carros vendidos no Brasil, e como o IPI Verde, criado para incentivar eficiência, também empurra montadoras a nivelar motores por espertos, e não só por tecnologia.