O Geely EX5 Max chega ao Brasil por R$ 225.800 para entrar numa faixa que já está virando guerra entre elétricos chineses. Com 218 cv, autonomia de 349 km no ciclo do Inmetro e pós-venda apoiado pela Renault, ele tenta fazer barulho onde o BYD Yuan Plus hoje dita o ritmo.
Chamar de “melhor SUV elétrico da praça” é empolgação demais. Mas ignorar o pacote também seria erro. O EX5 Max desembarca com ficha forte, bastante equipamento e um preço mais pé no chão do que os R$ 230 mil que circulam por aí.
Melhor da praça? Ainda é cedo
R$ 225.800. Esse é o valor mais aderente ao mercado brasileiro hoje para o Geely EX5 Max. Houve referência de pré-venda em R$ 215.800, mas o número de pós-lançamento é o que realmente interessa para quem vai fechar negócio agora.
Na prática, ele entra num terreno espinhoso. Quem gasta esse valor olha para elétricos como BYD Yuan Plus e Volvo EX30, mas também cruza a conta com Corolla Cross, Compass, HR-V Touring e até Taos. E aí a decisão deixa de ser só tecnologia.
Ficha técnica que coloca o EX5 Max no jogo
| Item | Geely EX5 Max |
|---|---|
| Segmento | SUV elétrico médio |
| Tração | Dianteira |
| Potência | 218 cv |
| Torque | 32,6 kgfm |
| Bateria | 60,22 kWh, química LFP |
| Autonomia Inmetro | 349 km |
| Carga AC | Até 11 kW |
| Carga DC | Até 90-100 kW |
| Recarga de 20% a 80% | Cerca de 20 minutos |
| 0 a 100 km/h | Cerca de 7,1 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Comprimento | 4.615 mm |
| Entre-eixos | 2.750 mm |
| Porta-malas | 461 litros |
| Rodas | Liga leve aro 19 |
| Suspensão traseira | Multilink |
| Garantia do veículo | 6 anos ou 150.000 km |
| Garantia da bateria | 8 anos ou 150.000 km |
| Preço no Brasil | R$ 225.800 |
Os números são bons. Não é esportivo, mas anda forte o bastante para um SUV familiar e não passa sensação de carro pesado demais nas saídas. O 0 a 100 km/h em cerca de 7,1 segundos já resolve bem a vida.
Por dentro, a versão Max joga em outra tecla. Ela traz pacote ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa e alerta de tráfego cruzado traseiro, além de som premium e bancos ventilados com massagem.
Autonomia menor que a Pro, mais foco em conforto
Esse é um detalhe importante. A versão Pro aparece com autonomia oficial maior, de 413 km, enquanto a Max fica em 349 km no ciclo brasileiro do Inmetro. Não é contradição; é posicionamento de gama.
A Max cobra mais no pacote de equipamentos e conforto. A Pro, pelo que foi apresentado, mira alcance maior. Para quem roda 30 a 50 km por dia, o EX5 Max ainda atende com folga e costuma pedir recarga poucas vezes na semana.
Agora, viagem longa muda a conversa. Os 349 km oficiais não viram isso inteiro na estrada, com ar ligado, serra e velocidade alta. A boa notícia é a recarga rápida: em carregador DC compatível, ele vai de 20% a 80% em cerca de 20 minutos.
Em wallbox AC de 11 kW, o uso diário fica tranquilo. Você chega em casa, pluga, dorme e resolve. O gargalo continua sendo o Brasil real: disponibilidade de carregadores, tarifa de energia e a confiabilidade da infraestrutura fora dos grandes centros.
Preço corrigido muda a leitura do carro
| Momento comercial | Valor | Leitura prática |
|---|---|---|
| Pré-venda | R$ 215.800 | Preço de ataque para gerar interesse inicial |
| Pós-lançamento | R$ 225.800 | Faixa real para comparar com os rivais no Brasil |
Os R$ 230 mil do título chamam atenção, mas arredondam para cima. O valor mais justo para analisar o EX5 Max é R$ 225.800. Como o modelo ainda é novidade, a referência hoje é preço de tabela, não FIPE.
E isso pesa. Perto dos R$ 225 mil, o Geely fica mais interessante do que parecia no susto inicial. Ainda não vira pechincha, claro, mas entra com argumento forte para quem quer sair de um SUV médio a combustão bem equipado e dar o salto para um elétrico.
Rede Renault ajuda a reduzir a desconfiança
Tem um ponto que muita marca chinesa ainda apanha no Brasil: pós-venda. A Geely tenta encurtar esse problema com parceria com a Renault para rede de concessionárias e suporte. Isso já deixa a estreia mais séria do que um plano improvisado.
Resolve tudo? Nem perto. Peça, prazo de reparo, valor do seguro e revenda só ficam claros com o carro na rua, rodando de verdade e entrando em oficina. Elétrico bonito em lançamento é fácil; difícil é manter a promessa depois de 18 meses.
O EX5 Max chega com argumentos sólidos no papel: bom porte, suspensão traseira multilink, bastante equipamento e garantia longa. Com R$ 225.800 na etiqueta, ele entra mais afinado do que muita gente esperava — mas a pergunta que vai decidir seu futuro não está na ficha técnica: o mercado brasileiro vai confiar na Geely quando chegar a hora de revender?
