1ª CNH com toxicológico? Veja quando o exame é cobrado

Por Verificar Auto 21/05/2026 às 19:45 6 min de leitura
1ª CNH com toxicológico? Veja quando o exame é cobrado
6 min de leitura

A exigência de exame toxicológico na 1ª CNH de carro e moto entrou no caminho da PPD. Neste guia, eu explico o que muda nas categorias A e B, qual é a base legal no CTB, quanto isso pode custar e por que os Detrans ainda podem andar em ritmos diferentes.

Tem um detalhe importante logo de cara. O candidato ainda pode fazer aulas e provas antes, mas não recebe a Permissão para Dirigir sem laudo negativo.

A lei mudou, mas o Detran ainda precisa encaixar a regra

A base da mudança está na Lei nº 15.153/2025, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro. O texto ampliou a exigência do exame toxicológico, antes concentrada nas categorias C, D e E.

No CTB, a PPD está no art. 148. Já a exigência do toxicológico aparece no art. 148-A, que passou a alcançar também a primeira habilitação nas categorias A e B.

Na lei, a vigência começou com a publicação após a derrubada do veto presidencial pelo Congresso. No balcão do Detran, porém, a cobrança depende de sistema, integração com laboratórios e orientação operacional.

A Senatran já antecipou aos Detrans que a exigência deve entrar no fluxo da emissão da PPD. O Contran ainda precisa detalhar pontos práticos para evitar bagunça entre os estados.

Ponto Como fica
Base legal Lei nº 15.153/2025, com alteração do CTB
Artigos centrais CTB art. 148 e art. 148-A
Quem faz Candidato à 1ª habilitação nas categorias A e B
Quando entra Na emissão da Permissão para Dirigir
Resultado exigido Laudo negativo
Regulamentação Operação orientada pela Senatran, com ajuste complementar do Contran

Quer consultar a lei? O texto consolidado do Código de Trânsito Brasileiro no Planalto é a referência oficial para acompanhar a mudança.

Quem será afetado de verdade

A regra atinge quem vai tirar a primeira habilitação de moto ou carro. Entram aqui os candidatos das categorias A e B, inclusive em processos de CNH social.

Também muda a rotina de autoescolas, laboratórios credenciados e Detrans estaduais. Família que paga a CNH do filho também sente no bolso.

  • Categoria A: quem vai tirar habilitação para motocicleta.
  • Categoria B: quem vai tirar habilitação para automóvel.
  • CNH social: programas públicos podem ter custo extra, se o exame não for subsidiado.
  • Estados com pouca estrutura: podem enfrentar mais demora na adaptação.

Quem já tem CNH A ou B e não está tirando a primeira habilitação não entra nessa exigência por esse motivo. A novidade mira a entrada do candidato no sistema.

Em que etapa o toxicológico será cobrado

Não é na matrícula, pelo menos pelo desenho legal apresentado até aqui. O candidato pode abrir o processo, fazer exame médico, aulas e provas.

A trava aparece na emissão da PPD. Sem resultado negativo, a permissão provisória não sai.

Isso faz diferença. Muita gente vai confundir com exigência para começar a autoescola, mas o ponto crítico é o fim do processo.

Etapa Situação com a nova regra
Abertura do processo Pode ocorrer sem o laudo toxicológico final
Aulas teóricas e práticas Podem ser feitas antes da apresentação do exame
Provas Podem ser realizadas dentro do processo normal
Emissão da PPD Exige laudo toxicológico negativo

Não existe multa de trânsito nessa fase. O efeito prático é outro: sem o exame, o candidato fica sem PPD e não pode dirigir legalmente.

Não é bafômetro: o exame olha para trás

O toxicológico de larga janela não mede se a pessoa está alterada naquele momento. Ele procura sinais de uso de substâncias psicoativas em um período anterior à coleta.

A amostra é feita com cabelo ou pelos. A janela de detecção fica em torno de 90 dias.

É outro jogo. Bafômetro pega álcool na hora da abordagem; toxicológico investiga histórico recente de consumo.

Essa diferença importa porque muita gente vai achar que um exame substitui o outro. Não substitui.

Quanto a CNH pode ficar mais cara

Hoje, a estimativa citada para o exame gira entre R$ 90 e R$ 110. Esse valor pode mudar conforme laboratório, cidade e logística de coleta.

R$ 90 parece pouco? Para muita família, não é. Em estados onde a habilitação já pesa no orçamento, qualquer taxa extra vira problema.

Há uma contradição clara aqui. O governo fala em reduzir barreiras de acesso à CNH, mas adiciona um custo novo justamente na reta final do processo.

Se o estado não absorver essa despesa na CNH social, a conta volta para o cidadão. E isso pode reduzir a procura ou apertar ainda mais o caixa dos programas públicos.

Como cumprir sem travar a emissão da PPD

O caminho deve seguir uma lógica simples, ainda que cada Detran ajuste a operação do seu jeito. Quem deixar para a última hora corre o risco de passar na prova e ficar esperando laudo.

  1. Abra o processo de habilitação no Detran do seu estado ou via CFC credenciado.
  2. Faça as etapas normais de exame médico, aulas e provas.
  3. Procure um laboratório credenciado para coleta de cabelo ou pelos.
  4. Aguarde o laudo negativo dentro do fluxo aceito pelo Detran local.
  5. Entregue ou valide o resultado para liberar a emissão da PPD.

A dica prática é não esperar a aprovação no exame prático para correr atrás disso. Em cidade pequena, a coleta pode depender de agenda e envio de material.

Outro ponto. Como os Detrans ainda estão ajustando sistemas, vale checar no portal do órgão do seu estado se o laudo entra por integração eletrônica ou entrega direta.

Exame de habilitação CNH autoescola
Exame de habilitação CNH autoescola (Reprodução)

O Brasil pode ter regras iguais na lei e filas diferentes na prática

A intenção da mudança é nacional, mas a execução é estadual. Esse sempre foi o calcanhar de Aquiles quando uma regra nova depende de Detran, laboratório e sistema conversando entre si.

Um estado mais estruturado tende a incorporar o exame rápido. Outro, com rede menor ou sistema antigo, pode levar mais tempo para rodar sem falha.

Isso afeta prazo e bolso. Se houver pouca oferta de coleta, o preço local pode subir e o candidato fica refém da disponibilidade.

Para autoescolas, o recado também é direto: a venda da habilitação “em parcelas justas” fica mais apertada quando entra um custo externo. Para o aluno, a aprovação não encerra a novela.

No papel, o governo endureceu o filtro para a 1ª CNH de carro e moto. Falta ver como cada Detran vai cobrar, integrar e liberar a PPD sem transformar um exame de R$ 90 a R$ 110 em mais uma fila nacional.