A Triumph Bonneville T100 é uma das motos clássicas mais desejadas do mundo — e com razão. Desde que a linha Bonneville foi reinventada em 2001, a T100 ocupa um lugar especial como a versão que mais respeita a herança britânica dos anos 1960, sem abrir mão de tecnologia moderna. Neste review completo, analisamos tudo sobre os modelos 2022 a 2025, incluindo ficha técnica, preços FIPE, consumo real, custo de manutenção e comparativo com as rivais no mercado brasileiro.
O que é a Triumph Bonneville T100
O nome “Bonneville” homenageia o recorde de velocidade que a Triumph conquistou em 1956 nas salinas de Bonneville, em Utah (EUA). A linhagem foi revivida em 2001 e, desde então, a T100 representa o equilíbrio entre o visual retrô e a engenharia contemporânea.
Na prática, a T100 é uma moto clássica moderna: visual dos anos 1960, mas com injeção eletrônica, ABS, embreagem assistida e — a partir de 2026 — até plataforma inercial (IMU) com controle de tração em curva. É a porta de entrada da família Bonneville, posicionada abaixo da T120 (1.200 cc) e ao lado da versão mais esportiva Thruxton.
No Brasil, a T100 é vendida desde 2018 pela rede oficial Triumph. Com preço sugerido de R$ 57.690 (referência 2025/2026), ela compete diretamente com a Royal Enfield Interceptor 650 e, indiretamente, com naked modernas como a Triumph Trident 660.
Evolução dos modelos 2022 a 2025
A geração atual da Bonneville T100 foi lançada em 2016 e recebeu atualizações incrementais ao longo dos anos. Entre 2022 e 2025, os principais marcos foram:
- 2022: Chegou ao mercado com motor 900 cc Euro 5, embreagem assistida antirrebote e rodas raiadas de 18″ (dianteira) e 17″ (traseira). Cores clássicas com pintura de dois tons.
- 2023: Manutenção da linha, com novas opções de cores. A versão T100 Black (toda preta, acabamento escurecido) seguiu como alternativa mais discreta.
- 2024: Sem mudanças mecânicas significativas. Triumph manteve o conjunto que funciona bem e focou em edições especiais como a Stealth Edition e a Icon Edition.
- 2025: Último ano da geração pré-IMU. Motor, ciclística e eletrônica iguais aos anos anteriores. A grande novidade ficou para 2026.

Na prática, quem comprar uma T100 de 2022 a 2025 terá essencialmente a mesma moto em termos mecânicos. A diferença real está no preço: na tabela FIPE de março/2026, um modelo 2022 vale R$ 41.259, enquanto o 2025 está em R$ 50.202.
Ficha técnica completa
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Motor | Bicilíndrico paralelo, 900 cc, SOHC, 8 válvulas |
| Refrigeração | Líquida |
| Virabrequim | 270° (firing order tipo V-twin) |
| Potência | 65 cv @ 7.400 rpm |
| Torque | 80 Nm @ 3.750 rpm |
| Câmbio | 5 marchas |
| Embreagem | Assistida antirrebote (slip & assist) |
| Transmissão final | Corrente |
| Quadro | Tubular de aço, duplo berço |
| Suspensão dianteira | Garfo convencional KYB, 41 mm |
| Suspensão traseira | Amortecedores duplos KYB, pré-carga ajustável |
| Freio dianteiro | Disco 310 mm, pinça Brembo 2 pistões, ABS |
| Freio traseiro | Disco 255 mm, pinça Nissin 2 pistões, ABS |
| Pneus | 100/90-18 (D) / 150/70-17 (T) — Michelin Road Classic |
| Rodas | Raiadas, 18″ (D) / 17″ (T) |
| Peso em ordem de marcha | 228 kg |
| Altura do assento | 790 mm |
| Tanque | 14,5 litros |
| Consumo médio | 24 km/l (dado do fabricante) |
| Autonomia estimada | ~348 km |
Motor e desempenho
O coração da T100 é o bicilíndrico paralelo de 900 cc com virabrequim calado a 270°. Essa configuração simula o comportamento de um motor V-twin: pulsos irregulares de combustão que geram um ronco característico e entrega de torque mais envolvente do que um paralelo convencional (180°).
Com 65 cv a 7.400 rpm e, principalmente, 80 Nm de torque já a 3.750 rpm, a T100 não é sobre velocidade máxima — é sobre prazer de pilotar no dia a dia. O torque generoso em baixa e média rotação significa que você não precisa esticar o motor para ter respostas rápidas no trânsito urbano ou em ultrapassagens na estrada.
A embreagem assistida antirrebote (slip & assist) é um diferencial importante: reduz o esforço na manete em até 50%, tornando a pilotagem urbana muito menos cansativa. Para quem vem de motos menores, a diferença é imediata.
O câmbio de 5 marchas pode parecer pouco em 2026, mas a Triumph fez essa escolha deliberada: as relações são espaçadas para privilegiar o torque em cada marcha, não a busca por velocidade máxima. Na prática, a 5ª é longa o suficiente para rodar a 120 km/h na estrada com o motor girando confortavelmente abaixo de 5.000 rpm.
Ciclística e suspensão
O quadro tubular de aço em duplo berço é uma das peças mais bonitas da T100 — e também uma das mais eficientes. O aço tubular oferece rigidez suficiente para uma moto de 228 kg sem torná-la pesada demais para manobras em baixa velocidade.
Na dianteira, o garfo convencional KYB de 41 mm cumpre bem seu papel. Não é invertido (como em motos esportivas), mas para o tipo de uso da T100 — cidade, estrada e passeios — funciona perfeitamente. Na traseira, os amortecedores duplos KYB com ajuste de pré-carga permitem calibrar a moto para diferentes pesos de piloto e garupa.
Os freios são um ponto alto: disco de 310 mm com pinça Brembo na dianteira e disco de 255 mm com pinça Nissin na traseira, ambos com ABS. A frenagem é progressiva, previsível e suficiente para o peso da moto. O ABS intervém de forma suave, sem sustos.
Os pneus Michelin Road Classic, específicos para motos clássicas, oferecem bom grip tanto em piso seco quanto molhado. O perfil mais alto (100/90-18 na frente) contribui para o visual retrô e para a absorção de imperfeições no asfalto.

Tecnologia e segurança
Entre 2022 e 2025, a T100 conta com:
- ABS de série (de dois canais, convencional)
- Controle de tração desligável
- Imobilizador eletrônico
- Painel analógico duplo com pequena tela LCD central (hodômetro, trip, marcha engrenada, temperatura)
É um conjunto funcional, mas admitidamente básico para os padrões de 2025. A boa notícia é que a geração 2026 resolve essa questão de forma elegante: a nova T100 ganha IMU de 6 eixos, ABS cornering, controle de tração em curva, dois modos de pilotagem (Road e Rain), farol LED com DRL e porta USB-C. Tudo isso sem alterar o visual clássico.
Para quem está de olho em uma usada 2022-2025, a ausência de cornering ABS e IMU não é um problema real no dia a dia — são recursos que fazem diferença em situações extremas, mas o ABS convencional já cobre a imensa maioria dos cenários de frenagem de emergência.
Consumo e autonomia
O consumo oficial da Triumph Bonneville T100 é de 4,1 litros a cada 100 km, o equivalente a 24,4 km/l. Na prática, proprietários brasileiros relatam médias entre 20 e 26 km/l, dependendo do estilo de pilotagem e do tipo de percurso (cidade vs. estrada).
Com o tanque de 14,5 litros, a autonomia estimada fica entre 290 e 375 km — mais que suficiente para viagens de fim de semana sem paradas frequentes para abastecer. É um dos melhores números da categoria de clássicas modernas.
O intervalo de manutenção programada é de 10.000 km ou 12 meses (o que vier primeiro), com revisões intermediárias para troca de óleo. A partir da geração 2026, esse intervalo sobe para 16.000 km.
Conforto e ergonomia
A T100 é uma das motos mais confortáveis da sua categoria. A posição de pilotagem é ereta e relaxada: guidão largo, pedaleiras centralizadas e assento a 790 mm do solo — baixo o suficiente para que pilotos de 1,65 m apoiem os dois pés com segurança.

O assento, embora esteticamente retrô, é razoavelmente acolchoado. Para viagens acima de 200 km, a recomendação é investir em um assento confort da Triumph (acessório genuíno) ou fazer uma espuma sob medida — prática comum entre proprietários de clássicas.
O peso de 228 kg em ordem de marcha pode parecer elevado, mas o centro de gravidade baixo e a cintura estreita do motor compensam na prática. Manobras em estacionamento e no trânsito são mais fáceis do que o número sugere.
Preços e tabela FIPE
| Ano/Modelo | FIPE (março/2026) | Observação |
|---|---|---|
| 2025 | R$ 50.202 | Último ano pré-IMU |
| 2024 | R$ 47.332 | — |
| 2023 | R$ 46.147 | — |
| 2022 | R$ 41.259 | Melhor custo-benefício |
| 0 km (2025/2026) | R$ 57.690 | Preço sugerido concessionária |
A T100 segura muito bem o valor no mercado de usadas. Entre 2022 e 2025, a desvalorização média é de apenas R$ 3.000 por ano — excelente para uma moto importada. Isso acontece porque a demanda por clássicas modernas é estável e a oferta no Brasil é limitada.
Para quem busca o melhor negócio, o modelo 2022 por R$ 41.259 (FIPE) é a escolha mais inteligente: mesma moto, mesma mecânica, economia de quase R$ 9.000 em relação ao 2025. A diferença é basicamente a cor.
Custo de manutenção e propriedade
Manter uma Triumph no Brasil ficou mais acessível nos últimos anos. A rede oficial cresceu, as peças estão mais disponíveis e os intervalos de manutenção são generosos. Veja os custos aproximados:
| Item | Custo estimado |
|---|---|
| Revisão programada (10.000 km) | R$ 800 a R$ 1.200 |
| Troca de óleo + filtro | R$ 350 a R$ 500 |
| Jogo de pneus Michelin Road Classic | R$ 1.200 a R$ 1.600 |
| Kit de corrente/coroa/pinhão | R$ 800 a R$ 1.100 |
| Pastilhas de freio (par dianteiro) | R$ 200 a R$ 350 |
| Seguro anual (perfil médio) | R$ 2.500 a R$ 4.000 |
| IPVA anual (SP, 2% FIPE) | ~R$ 1.000 (modelo 2025) |
Comparada com motos japonesas de cilindrada similar, a manutenção da T100 é ligeiramente mais cara — mas nada absurdo. O maior custo extra está nos pneus (medida específica) e no seguro (importada de nicho). Em contrapartida, a baixa desvalorização compensa: ao vender, você recupera boa parte do investimento.
Triumph T100 vs concorrentes
A T100 não está sozinha no segmento de clássicas modernas. Veja como ela se compara com as principais rivais disponíveis (ou referenciadas) no Brasil:
| Especificação | Triumph T100 | RE Interceptor 650 | Moto Guzzi V7 | Triumph T120 |
|---|---|---|---|---|
| Motor | 900 cc twin | 648 cc twin | 744 cc V-twin | 1.200 cc twin |
| Potência | 65 cv | 47 cv | 65 cv | 80 cv |
| Torque | 80 Nm | 52 Nm | 73 Nm | 105 Nm |
| Peso | 228 kg | 202 kg | 218 kg | 236 kg |
| Preço (ref.) | R$ 57.690 | ~R$ 37.000 | ~R$ 58.000 | ~R$ 75.000 |
| ABS cornering | Não (sim em 2026) | Não | Não | Não (sim em 2026) |
Triumph T100 vs Royal Enfield Interceptor 650
A Royal Enfield é a rival mais acessível: custa quase R$ 20 mil a menos. Porém, entrega 18 cv e 28 Nm a menos que a T100. O acabamento, embora tenha evoluído muito, ainda fica atrás da Triumph em detalhes como soldas, pintura e qualidade dos componentes. Para quem prioriza custo-benefício puro, a Interceptor é imbatível. Para quem quer refinamento, a T100 justifica a diferença.
Triumph T100 vs Moto Guzzi V7
A V7 tem potência idêntica (65 cv) e o charme do motor V-twin transversal italiano. O preço é similar ao da T100. A escolha aqui é emocional: quem prefere a herança britânica vai de Triumph; quem se apaixona pelo ronco assimétrico da Guzzi, vai de V7. Em termos práticos, a rede Triumph no Brasil é significativamente maior.
Triumph T100 vs T120
A T120 é a irmã maior: 1.200 cc, 80 cv, 105 Nm e mais equipamentos de série (modos de pilotagem, cruise control). Custa cerca de R$ 17 mil a mais. Vale a pena para quem faz muita estrada ou carrega garupa com frequência. Para uso urbano e passeios leves, a T100 é mais que suficiente — e mais leve.
A T100 é boa para iniciantes?
Sim, com ressalvas. A T100 tem características que favorecem pilotos menos experientes:
- Assento baixo (790 mm) — permite apoiar os pés com confiança
- Embreagem assistida — menos esforço, menos cansaço
- Torque linear — sem picos de potência que surpreendam
- ABS de série — segurança em frenagens de emergência
- Centro de gravidade baixo — manobras mais fáceis apesar do peso
Os 65 cv e 228 kg, no entanto, exigem respeito. Não é uma moto para quem acabou de tirar a habilitação e nunca pilotou nada além de uma 150. O ideal é ter experiência com pelo menos uma 300 cc antes de migrar para a T100.
Na Europa, existe uma versão limitada a 35 kW (47 cv) para portadores da habilitação A2, que pode ser desbloqueada posteriormente. No Brasil, essa versão não é vendida oficialmente, mas a limitação pode ser feita por concessionárias autorizadas.
Acessórios e customização
A Triumph oferece mais de 150 acessórios genuínos para a Bonneville T100. É uma das motos mais customizáveis do mercado, com peças que vão desde protetores de motor até malas laterais em couro. Destaques:
- Assento confort — espuma mais densa para viagens longas
- Protetores de motor — barras cromadas ou pretas
- Escape Arrow — som mais encorpado, homologado
- Bolsas laterais em couro — visual clássico com praticidade
- Defletores de vento — para uso rodoviário
- Assento para garupa — versão elevada com alça
Além dos acessórios oficiais, o mercado aftermarket para Bonnevilles é gigantesco. Marcas como British Customs, Motone e LSL oferecem centenas de peças de personalização. É praticamente impossível encontrar duas Bonnevilles iguais em um encontro de motociclistas.
Veredicto: vale a pena comprar a Bonneville T100?
👍 Pontos fortes
- Motor 270°: Torque generoso em baixa, ronco envolvente, prazer de pilotar
- Acabamento premium: Pintura, cromados e detalhes de nível superior à categoria
- Baixa desvalorização: Segura o valor melhor que a maioria das importadas
- Conforto urbano: Assento baixo, embreagem leve, posição ereta
- Customização infinita: 150+ acessórios oficiais + enorme mercado aftermarket
- Consumo econômico: 24 km/l médios, autonomia de 350 km
👎 Pontos fracos
- Peso elevado: 228 kg podem intimidar pilotos menores ou iniciantes
- Só 5 marchas: Câmbio poderia ter 6ª para cruzeiro em estrada
- Sem cornering ABS (até 2025): Tecnologia chega apenas em 2026
- Assento de série: Pode incomodar em viagens longas (+200 km)
- Preço da 0 km: R$ 57.690 é caro para quem vem de motos nacionais
- Peças e pneus: Custo ligeiramente acima de japonesas na mesma faixa
Nota final: 8,5/10
A Triumph Bonneville T100 é uma moto que faz sentido tanto com a cabeça quanto com o coração. O motor 900 cc é refinado e tem caráter, o acabamento justifica o preço premium, a desvalorização é baixa e a experiência de pilotar uma clássica britânica moderna é algo que nenhum número consegue traduzir. Se você busca uma moto para curtir o percurso — não apenas chegar ao destino — a T100 é uma das melhores escolhas do mercado brasileiro.
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Preços FIPE atualizados
Perguntas frequentes
Qual o preço da Triumph Bonneville T100 no Brasil?
O preço sugerido da T100 0 km é de R$ 57.690 (referência 2025/2026). Na tabela FIPE de março/2026, o modelo 2025 vale R$ 50.202 e o 2022 vale R$ 41.259. A versão T100 Black tem valores similares.
Qual o consumo da Triumph Bonneville T100?
O consumo médio é de 24 km/l (dado do fabricante), com proprietários relatando entre 20 e 26 km/l no uso real. O tanque de 14,5 litros garante autonomia de aproximadamente 350 km.
A Bonneville T100 é boa para iniciante?
Sim, com ressalvas. O assento baixo (790 mm), a embreagem assistida e o torque linear facilitam a pilotagem. Porém, os 65 cv e 228 kg exigem alguma experiência prévia — idealmente com motos de 300 cc ou mais.
Qual a diferença entre a T100 e a T120?
A T120 tem motor maior (1.200 cc vs. 900 cc), mais potência (80 cv vs. 65 cv) e mais torque (105 Nm vs. 80 Nm). Também inclui modos de pilotagem e cruise control de série. Custa cerca de R$ 17 mil a mais que a T100.
Triumph T100 ou Royal Enfield Interceptor 650?
A Interceptor 650 custa quase R$ 20 mil a menos, mas entrega 47 cv contra 65 cv da T100. O acabamento e o refinamento da Triumph são superiores. Para custo-benefício puro, a Royal Enfield vence. Para qualidade e prazer de pilotagem, a T100 leva vantagem.
Quanto custa a manutenção da Bonneville T100?
A revisão programada (a cada 10.000 km) custa entre R$ 800 e R$ 1.200. A troca de óleo sai entre R$ 350 e R$ 500. O seguro anual varia de R$ 2.500 a R$ 4.000, dependendo do perfil. O IPVA em São Paulo fica em torno de R$ 1.000/ano (modelo 2025).
O que mudou na Bonneville T100 2026?
A geração 2026 ganhou IMU de 6 eixos com ABS cornering e controle de tração em curva, dois modos de pilotagem (Road e Rain), farol LED com DRL e porta USB-C. O motor e a ciclística permanecem essencialmente os mesmos. O intervalo de manutenção subiu de 10.000 para 16.000 km.

