Os melhores SUVs usados por até R$ 60 mil

Por Verificar Auto 27/01/2025 às 08:49 8 min de leitura Atualizado: 30/07/2026
Os melhores SUVs usados por até R$ 60 mil
8 min de leitura

Guias antigos ainda listam Hyundai Creta e Nissan Kicks entre os SUVs usados por até R$ 60 mil. Em 2026 isso não é mais verdade: o Creta mais barato na tabela FIPE custa R$ 75.454, e o Kicks, R$ 73.274.

Fizemos o levantamento na FIPE de julho de 2026 para saber o que realmente cabe nesse orçamento hoje. Sobraram dez modelos, e o mais novo é de 2020.

Tem também uma lista do que evitar, que é onde mora o dinheiro perdido.

O que saiu dessa faixa de preço

Comece por aqui, porque é o que economiza seu tempo de busca. Estes modelos não cabem mais em R$ 60 mil:

Modelo Versão mais barata na FIPE
Hyundai Creta R$ 75.454
Nissan Kicks R$ 73.274
Fiat Toro R$ 77.503
Fiat Pulse R$ 79.285
Honda HR-V R$ 81.041
VW T-Cross R$ 84.705

Se você viu esses nomes em alguma lista de “SUV até 60 mil”, a lista está desatualizada.

Os 10 que ainda cabem no orçamento

Modelo Ano máximo Faixa de preço
Citroën Aircross 2020 R$ 50.890 a R$ 59.406
Chery Tiggo 2 2020 R$ 51.321 a R$ 59.689
Peugeot 2008 2019 R$ 45.069 a R$ 59.331
Ford EcoSport 2017 R$ 52.320 a R$ 59.988
Renault Duster 2016 R$ 49.611 a R$ 58.941
Hyundai Tucson 2016 R$ 55.604 a R$ 59.709
Mitsubishi Pajero TR4 2015 R$ 56.935 a R$ 59.629
Hyundai HB20X 2015 R$ 55.654 a R$ 59.135
Suzuki Grand Vitara 2015 R$ 59.514 a R$ 59.964
Fiat Palio Weekend Adventure 2020 R$ 46.209 a R$ 53.457

Valores da tabela FIPE de julho de 2026.

Um dado que ninguém publica e que muda sua estratégia de busca: a quantidade de versões disponíveis varia enormemente. São 121 versões de EcoSport dentro do orçamento, 63 de Aircross e 42 de Duster, mas apenas 2 de Jeep Renegade e 1 de Chevrolet Tracker.

Mais oferta significa mais poder de negociação e mais chance de achar exemplar bem conservado.

Ford EcoSport: o mais fácil de achar e consertar

Com 121 versões cabendo no orçamento, é o SUV com maior oferta da faixa. Um S 1.6 de 2015 sai por R$ 52.320, e a Titanium 2.0 automática de 2017, por R$ 59.988.

Os motores são o 1.6 Sigma de até 115 cv e o 2.0 Duratec de até 147 cv, ambos flex.

Pontos de atenção: suspensão traseira sofre com buraco, a central SYNC das versões equipadas trava e é cara de substituir, e o estepe externo na tampa cria folga na dobradiça com o tempo.

Um alerta específico: confirme qual câmbio automático equipa o exemplar. O PowerShift de dupla embreagem, que gerou reclamação massiva, equipava principalmente Fiesta e Focus, mas vale checar antes de fechar.

Renault Duster: espaço de SUV médio

Entrega porta-malas e espaço interno acima do que o preço sugere. Um 1.6 de 2014 sai por R$ 49.611.

O destaque é a tração: o Dynamique 4×4 2.0 de 2015 custa R$ 53.485, menos que um EcoSport Titanium 2017. É o único 4×4 de verdade dentro do orçamento.

Pontos de atenção: acabamento de plástico duro com rangidos, bieletas e coxins da dianteira pedem troca frequente, e o automático de 4 marchas é lento e aumenta o consumo.

O ponto sério é segurança: o Latin NCAP testou o Duster em agosto de 2021 e o resultado foi zero estrela, com 29% de proteção para adultos e 23% para crianças.

Aircross e 2008: os mais novos da lista

Se ano-modelo recente é sua prioridade, o caminho passa pelo grupo Stellantis.

O Citroën Aircross Live 1.6 de 2020 sai por R$ 59.127, o ano mais novo em formato SUV dentro do teto. O Start 2020 fica em R$ 50.890.

O Peugeot 2008 tem a melhor relação ano por real da lista: o Allure Business 1.6 automático de 2017 custa R$ 45.069, quase R$ 15 mil abaixo do teto.

Pontos de atenção nos dois: rede de concessionárias enxuta e peças com prazo de entrega maior que Ford ou Chevrolet. O automático de 4 marchas do Aircross é ultrapassado, e o de 6 do 2008 exige troca de óleo em dia para não dar trancos.

Antes de comprar, confirme se existe oficina especializada na sua cidade. Peça barata que demora três semanas custa caro em carro parado.

Chery Tiggo 2: o mais novo por menos dinheiro

Um Tiggo 2 ACT 2018 sai por R$ 51.321, e o Look 2020 por R$ 59.689. É o SUV mais recente pelo menor valor da lista.

Vem com airbag e ABS de fábrica, e a Caoa Chery mantém rede ativa no Brasil, diferente das marcas chinesas da década passada.

Pontos de atenção: valor de revenda baixo, mercado comprador restrito na hora de vender e motor 1.5 aspirado com desempenho modesto quando carregado.

Quais evitar nessa faixa

Esta é a parte que os guias não fazem, e é onde você evita prejuízo.

  1. Chevrolet Tracker de 1ª geração: restou uma única versão no orçamento, a Freeride 1.8 de 2014 a R$ 58.724. Oferta inexistente significa pagar o teto por um carro de 12 anos sem poder comparar nem negociar
  2. Jeep Renegade: só duas versões de 2015 cabem, entre R$ 55.994 e R$ 57.051. Você paga quase o teto pelo exemplar mais antigo e rodado do modelo, com o 1.8 E.torQ de desempenho modesto e manutenção Jeep, a mais cara da lista
  3. Mitsubishi ASX: as seis versões que cabem são de 2011 a 2013, ou seja, 13 a 15 anos. Peça cara e câmbio CVT, um dos conjuntos mais caros de reformar quando falha
  4. Hyundai ix35: só quatro versões, restritas a 2010 e 2011. Quase todo o orçamento por um SUV de 15 anos, com suspensão, coxins e arrefecimento no fim da vida útil
  5. Honda CR-V: o mais novo que cabe é 2011, a R$ 57.951. Além dos 15 anos, roda a gasolina e o consumo de um 2.0 movendo SUV médio pesa todo mês
  6. Palio Weekend com câmbio Dualogic: o modelo é bom, o câmbio não. O automatizado de embreagem única dá trancos, desgasta rápido no trânsito e tem atuador caro. As versões manuais custam quase o mesmo

O corte de segurança que separa boa e má compra

Este critério vale mais que qualquer outro nessa faixa de preço.

Airbag frontal duplo e freios ABS só passaram a ser obrigatórios em carros zero km fabricados no Brasil a partir de janeiro de 2014, pela Resolução CONTRAN 311/2009.

Existem EcoSport, Duster, Aircross e Tracker de 2011 a 2013 nessa faixa sem esses itens.

Economizar R$ 4 mil comprando um 2013 em vez de um 2015 pode significar abrir mão dos dois equipamentos de segurança mais importantes do carro. Não vale.

Cuidado com o tipo de câmbio

Automático não é tudo igual, e a diferença aparece na conta da oficina.

  • Automático convencional: o mais confiável e o mais barato de manter. É o do EcoSport 2.0, do HB20X e do Tucson
  • CVT: suave, mas caro de reformar. É o do Mitsubishi ASX
  • Automatizado de embreagem única: o pior dos mundos, com trancos e atuador caro. É o Dualogic da Fiat

Na dúvida entre um manual e um automatizado pelo mesmo preço, fique com o manual.

Checklist antes de fechar

  1. Confirme airbag e ABS no exemplar específico, não no modelo
  2. Teste o câmbio automático a frio e em subida, procurando trancos e patinação
  3. Verifique a suspensão em lombada e piso irregular, item de desgaste comum em SUV nessa idade
  4. Ligue o ar-condicionado e deixe funcionando alguns minutos, reparo caro nesses modelos
  5. Procure corrosão em caixas de roda, soleiras e tampa traseira
  6. Cheque a procedência antes de qualquer coisa

O último item resolve antes de sair de casa. Consultar a placa e verificar o histórico veicular revela sinistro, leilão e restrição. Comparar com a tabela FIPE mostra se o preço pedido faz sentido, e preço muito abaixo do mercado quase sempre tem explicação.

Vale conferir também os 8 perguntas que evitam furada na compra de usado e o alerta sobre airbags falsos no mercado de usados.

SUV usado ou carro novo?

A comparação ficou mais interessante em 2026.

O preço médio de transação de um carro zero km no Brasil é de R$ 152,1 mil. Com R$ 60 mil você compra menos de 40% de um carro novo médio.

Por outro lado, o zero km parou de subir: o preço real caiu 1,5% em 2026, primeira queda em seis anos.

Se o orçamento é rígido em R$ 60 mil, o usado é o único caminho. Se você consegue esticar com financiamento, vale simular, porque a janela de negociação em carro novo melhorou.

Quem pode ampliar um pouco o orçamento encontra bem mais opção em SUVs usados abaixo de R$ 100 mil.

Uma ressalva de segurança

Por transparência: só conseguimos confirmar a nota do Latin NCAP para o Duster, com zero estrela em 2021. Para EcoSport, Aircross, 2008, Tiggo 2 e Renegade não localizamos resultado verificado, então não afirmamos nota que não pudemos checar.

Antes de decidir, vale consultar o resultado do modelo específico no site do Latin NCAP.

R$ 60 mil compravam um SUV de cinco anos em 2020 e hoje compram um de dez. A inflação do usado corroeu essa faixa mais do que quase qualquer outra, e o comprador que insiste em achar Creta nessa lista vai acabar pagando caro por um carro de 2013 sem airbag.