A Renault tem uma relação peculiar com o Brasil: chegou nos anos 60 pela porta dos fundos (licenciando o Gordini para a Willys), saiu, voltou nos anos 90 com fábrica própria e hoje faz história ao produzir o carro elétrico mais barato do país — o Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido, a R$ 99.990.
Neste artigo, contamos a trajetória completa: do Gordini que fez sucesso nos anos 60, passando por Clio, Sandero e Duster, até a aposta elétrica que pode redefinir a marca.
Fundação: França, 1899
A Renault foi fundada em 1899 por Louis Renault e seus irmãos Marcel e Fernand em Billancourt, nos arredores de Paris. Louis tinha apenas 21 anos quando construiu seu primeiro carro — o Voiturette — no galpão da família.
A empresa cresceu rapidamente: produziu táxis para Paris, caminhões para o Exército Francês na Primeira Guerra Mundial e se tornou uma das maiores montadoras da Europa. Após a Segunda Guerra, a Renault foi nacionalizada pelo governo francês (1945) — uma situação que durou até 1996, quando voltou a ser privatizada.
Hoje, a Renault faz parte da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, a maior aliança automotiva do mundo em volume de vendas.
Primeira passagem pelo Brasil: o Gordini (anos 1960)
A Renault chegou ao Brasil de forma indireta. Nos anos 1960, a Willys-Overland do Brasil (a mesma que fabricava o Jeep) produziu o Renault Dauphine sob licença, com o nome de Gordini — homenagem ao preparador francês Amédée Gordini.
O Gordini era um carro compacto, com motor traseiro, econômico e com design europeu que contrastava com os “carrões” americanos da época (Galaxie, Impala). Foi um sucesso de vendas nos anos 60, especialmente entre os jovens.
Quando a Ford comprou a Willys em 1967, a produção do Gordini foi encerrada. A Renault saiu do Brasil — e ficaria fora por quase 30 anos.
O retorno: Complexo Ayrton Senna (1998)
Em 1992, a Renault voltou ao Brasil com importações (Twingo, Laguna, Mégane). Mas a grande aposta veio em 1998: a inauguração do Complexo Industrial Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR).
O nome homenageia o piloto brasileiro que venceu corridas com motor Renault na Fórmula 1 — especialmente com a equipe Williams-Renault em 1994 (ano da sua morte em Ímola).
- Área: 2,5 milhões de m²
- Investimento inicial: US$ 1 bilhão
- Capacidade: 200 mil veículos/ano
- Produção acumulada: mais de 4 milhões de veículos em 25 anos
Os modelos que marcaram época
Clio (1999-2016)
O primeiro Renault produzido na fábrica do Paraná. O Clio era um hatch compacto que competia com Gol e Palio. Vendeu bem, mas nunca liderou o segmento.
Scénic (1999-2010)
A minivan que trouxe o conceito europeu de “monovolume” para o Brasil. Ampla, confortável e com design diferenciado — foi o carro de família por excelência nos anos 2000.
Sandero (2007-2022)
Hatch baseado na plataforma do Logan, o Sandero oferecia excelente espaço interno pelo preço. A versão Stepway (com visual aventureiro) foi a mais popular.
Logan (2007-2022)
Sedã compacto com o maior porta-malas da categoria (510 litros). Sucesso como carro de aplicativo e táxi pela robustez e espaço.
Duster (2011-presente)
O modelo que salvou a Renault no Brasil. O Duster criou o conceito de “SUV acessível” — oferecendo visual robusto, espaço generoso e preço competitivo. A primeira geração foi um sucesso absoluto. A segunda geração (2025+) chegou com design moderno e motor 1.3 turbo.
Kwid (2017-presente)
O hatch de entrada que se tornou o carro mais barato do Brasil por anos. Compacto, econômico e com visual de SUV (inspirado em modelos maiores), o Kwid conquistou compradores de primeiro carro.
O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido: o elétrico mais barato do Brasil (2026)
A grande aposta da Renault no Brasil é o Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido — o primeiro carro elétrico abaixo de R$ 100 mil no mercado brasileiro. A partir de R$ 99.990, oferece:
- Motor elétrico de 65 cv
- Bateria de 26,8 kWh
- Autonomia de 185 km (PBEV)
- Porta-malas de 290 litros (maior da categoria)
- 11 assistentes ADAS de segurança
O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido coloca a Renault na briga direta com BYD Dolphin Mini e Geely EX2. Saiba mais na nossa lista dos elétricos mais baratos.
Todos os modelos Renault no Brasil em 2026
Linha do tempo da Renault no Brasil
Renault e a Fórmula 1: Senna e a conexão brasileira
A Renault tem uma ligação emocional com o Brasil por causa da Fórmula 1. A Williams-Renault foi o carro de Ayrton Senna quando ele liderava o campeonato de 1994 — ano em que perdeu a vida no GP de San Marino.
O Complexo Industrial em São José dos Pinhais leva o nome de Senna em homenagem. É a única fábrica de automóveis no mundo com o nome do piloto.
Curiosidades sobre a Renault no Brasil
- O Gordini dos anos 60 não era um Renault “oficial” — era produzido pela Willys sob licença
- A fábrica do Paraná leva o nome de Ayrton Senna — que correu com motor Renault na F1
- O Duster salvou a marca no Brasil — antes dele, a Renault cogitou sair do país novamente
- O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido é o primeiro elétrico abaixo de R$ 100 mil no Brasil
- A Renault é uma das poucas marcas europeias com fábrica ativa no Brasil
- O porta-malas do Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido (290 litros) é o maior entre os elétricos de entrada
- A Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi é a maior aliança automotiva do mundo
Renault no mercado de usados
Duster, Sandero e Kwid são os usados Renault mais procurados. A Duster primeira geração é excelente custo-benefício — robusta e com peças acessíveis.
Cuidados:
- Sandero/Logan — verificar câmbio automatizado (Easy’R) que teve problemas nas primeiras versões
- Duster — motor 2.0 mais confiável que o 1.6 para uso pesado
- Kwid — verificar recalls (houve convocações em 2019-2020)
- Sempre faça consulta veicular pela placa
Preços FIPE atualizados
Perguntas frequentes
A Renault é francesa?
Sim. Fundada em 1899 na França. No Brasil, produz na fábrica de São José dos Pinhais (PR) desde 1998.
Qual o Renault mais barato em 2026?
O Kwid (combustão) a partir de R$ 78.410. O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido (elétrico) a partir de R$ 99.990.
Renault é confiável?
Os modelos atuais (Duster, Kwid, Kardian) têm boa reputação. A marca melhorou muito em qualidade nos últimos anos. O ponto de atenção histórico era o câmbio automatizado Easy’R, já descontinuado.
O que aconteceu com o Sandero?
Descontinuado em 2022. Foi substituído pelo Kardian como SUV de entrada e pelo Kwid como opção econômica.

