Renault: do Gordini ao Kwid elétrico — a história completa da marca no Brasil

9 min de leitura
Willys Gordini primeiro carro Renault produzido no Brasil nos anos 1960

A Renault tem uma relação peculiar com o Brasil: chegou nos anos 60 pela porta dos fundos (licenciando o Gordini para a Willys), saiu, voltou nos anos 90 com fábrica própria e hoje faz história ao produzir o carro elétrico mais barato do país — o Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido, a R$ 99.990.

Neste artigo, contamos a trajetória completa: do Gordini que fez sucesso nos anos 60, passando por Clio, Sandero e Duster, até a aposta elétrica que pode redefinir a marca.

Fundação: França, 1899

A Renault foi fundada em 1899 por Louis Renault e seus irmãos Marcel e Fernand em Billancourt, nos arredores de Paris. Louis tinha apenas 21 anos quando construiu seu primeiro carro — o Voiturette — no galpão da família.

A empresa cresceu rapidamente: produziu táxis para Paris, caminhões para o Exército Francês na Primeira Guerra Mundial e se tornou uma das maiores montadoras da Europa. Após a Segunda Guerra, a Renault foi nacionalizada pelo governo francês (1945) — uma situação que durou até 1996, quando voltou a ser privatizada.

Hoje, a Renault faz parte da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, a maior aliança automotiva do mundo em volume de vendas.

Primeira passagem pelo Brasil: o Gordini (anos 1960)

A Renault chegou ao Brasil de forma indireta. Nos anos 1960, a Willys-Overland do Brasil (a mesma que fabricava o Jeep) produziu o Renault Dauphine sob licença, com o nome de Gordini — homenagem ao preparador francês Amédée Gordini.

O Gordini era um carro compacto, com motor traseiro, econômico e com design europeu que contrastava com os “carrões” americanos da época (Galaxie, Impala). Foi um sucesso de vendas nos anos 60, especialmente entre os jovens.

Quando a Ford comprou a Willys em 1967, a produção do Gordini foi encerrada. A Renault saiu do Brasil — e ficaria fora por quase 30 anos.

O retorno: Complexo Ayrton Senna (1998)

Em 1992, a Renault voltou ao Brasil com importações (Twingo, Laguna, Mégane). Mas a grande aposta veio em 1998: a inauguração do Complexo Industrial Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR).

O nome homenageia o piloto brasileiro que venceu corridas com motor Renault na Fórmula 1 — especialmente com a equipe Williams-Renault em 1994 (ano da sua morte em Ímola).

  • Área: 2,5 milhões de m²
  • Investimento inicial: US$ 1 bilhão
  • Capacidade: 200 mil veículos/ano
  • Produção acumulada: mais de 4 milhões de veículos em 25 anos

Os modelos que marcaram época

Clio (1999-2016)

O primeiro Renault produzido na fábrica do Paraná. O Clio era um hatch compacto que competia com Gol e Palio. Vendeu bem, mas nunca liderou o segmento.

Scénic (1999-2010)

A minivan que trouxe o conceito europeu de “monovolume” para o Brasil. Ampla, confortável e com design diferenciado — foi o carro de família por excelência nos anos 2000.

Sandero (2007-2022)

Hatch baseado na plataforma do Logan, o Sandero oferecia excelente espaço interno pelo preço. A versão Stepway (com visual aventureiro) foi a mais popular.

Logan (2007-2022)

Sedã compacto com o maior porta-malas da categoria (510 litros). Sucesso como carro de aplicativo e táxi pela robustez e espaço.

Duster (2011-presente)

O modelo que salvou a Renault no Brasil. O Duster criou o conceito de “SUV acessível” — oferecendo visual robusto, espaço generoso e preço competitivo. A primeira geração foi um sucesso absoluto. A segunda geração (2025+) chegou com design moderno e motor 1.3 turbo.

Kwid (2017-presente)

O hatch de entrada que se tornou o carro mais barato do Brasil por anos. Compacto, econômico e com visual de SUV (inspirado em modelos maiores), o Kwid conquistou compradores de primeiro carro.

O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido: o elétrico mais barato do Brasil (2026)

A grande aposta da Renault no Brasil é o Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido — o primeiro carro elétrico abaixo de R$ 100 mil no mercado brasileiro. A partir de R$ 99.990, oferece:

  • Motor elétrico de 65 cv
  • Bateria de 26,8 kWh
  • Autonomia de 185 km (PBEV)
  • Porta-malas de 290 litros (maior da categoria)
  • 11 assistentes ADAS de segurança

O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido coloca a Renault na briga direta com BYD Dolphin Mini e Geely EX2. Saiba mais na nossa lista dos elétricos mais baratos.

Todos os modelos Renault no Brasil em 2026

Modelo Segmento Preço a partir de
Kwid Hatch compacto (entrada) R$ 78.410
Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido Hatch elétrico R$ 99.990
Kardian SUV compacto de entrada ~R$ 110.000
Duster SUV compacto ~R$ 142.000
Captur SUV compacto ~R$ 124.500
Oroch Picape compacta ~R$ 120.000
Master Furgão Van comercial R$ 216.800
Kangoo E-Tech Van elétrica comercial R$ 299.390

Linha do tempo da Renault no Brasil

Ano Marco
1899 Fundação na França por Louis Renault
~1962 Gordini (Renault Dauphine) produzido pela Willys no Brasil
1967 Ford compra Willys — Gordini descontinuado. Renault sai do Brasil
1992 Retorno com importações (Twingo, Laguna)
1994 Ayrton Senna morre em Ímola pilotando com motor Renault
1998 Inauguração do Complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR)
1999 Produção do Clio e Scénic — primeiros Renault nacionais
2007 Lançamento de Sandero e Logan
2011 Lançamento do Duster — salva a marca no Brasil
2017 Lançamento do Kwid — carro mais barato do Brasil
2025 Nova geração do Duster + Kardian
2026 Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido — elétrico mais barato do Brasil (R$ 99.990)

Renault e a Fórmula 1: Senna e a conexão brasileira

A Renault tem uma ligação emocional com o Brasil por causa da Fórmula 1. A Williams-Renault foi o carro de Ayrton Senna quando ele liderava o campeonato de 1994 — ano em que perdeu a vida no GP de San Marino.

O Complexo Industrial em São José dos Pinhais leva o nome de Senna em homenagem. É a única fábrica de automóveis no mundo com o nome do piloto.

Curiosidades sobre a Renault no Brasil

  • O Gordini dos anos 60 não era um Renault “oficial” — era produzido pela Willys sob licença
  • A fábrica do Paraná leva o nome de Ayrton Senna — que correu com motor Renault na F1
  • O Duster salvou a marca no Brasil — antes dele, a Renault cogitou sair do país novamente
  • O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido é o primeiro elétrico abaixo de R$ 100 mil no Brasil
  • A Renault é uma das poucas marcas europeias com fábrica ativa no Brasil
  • O porta-malas do Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido (290 litros) é o maior entre os elétricos de entrada
  • A Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi é a maior aliança automotiva do mundo

Renault no mercado de usados

Duster, Sandero e Kwid são os usados Renault mais procurados. A Duster primeira geração é excelente custo-benefício — robusta e com peças acessíveis.

Cuidados:

  • Sandero/Logan — verificar câmbio automatizado (Easy’R) que teve problemas nas primeiras versões
  • Duster — motor 2.0 mais confiável que o 1.6 para uso pesado
  • Kwid — verificar recalls (houve convocações em 2019-2020)
  • Sempre faça consulta veicular pela placa

Perguntas frequentes

A Renault é francesa?

Sim. Fundada em 1899 na França. No Brasil, produz na fábrica de São José dos Pinhais (PR) desde 1998.

Qual o Renault mais barato em 2026?

O Kwid (combustão) a partir de R$ 78.410. O Kwid E-Tech e o novo Koleos híbrido (elétrico) a partir de R$ 99.990.

Renault é confiável?

Os modelos atuais (Duster, Kwid, Kardian) têm boa reputação. A marca melhorou muito em qualidade nos últimos anos. O ponto de atenção histórico era o câmbio automatizado Easy’R, já descontinuado.

O que aconteceu com o Sandero?

Descontinuado em 2022. Foi substituído pelo Kardian como SUV de entrada e pelo Kwid como opção econômica.

Compartilhar este artigo
A Redação do Verificar Auto é formada por jornalistas e especialistas do setor automotivo com mais de 10 anos de experiência em cobertura veicular. Nosso conteúdo é produzido com base em fontes oficiais — Detran, CONTRAN, SENATRAN, Denatran e Secretarias da Fazenda estaduais — além de dados da Tabela FIPE, relatórios da Fenabrave e informações diretas dos fabricantes. Cobrimos lançamentos, legislação, consulta veicular, financiamento e tudo que o motorista brasileiro precisa saber para tomar decisões informadas.