A placa Pare é o sinal R-1, chamado oficialmente de “Parada obrigatória”. Ela manda o motorista parar o carro por completo antes de entrar ou cruzar a via, mesmo que a rua pareça vazia.
No Brasil existe um só modelo: octógono vermelho com a palavra PARE em branco. A tal “placa Pare amarela” não aparece no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito do Contran, e quem avança a R-1 leva multa gravíssima.
Abaixo, você vê o que a norma diz sobre formato, cor e instalação, o que fazer no cruzamento e quanto custa ignorar a placa.
O que significa a placa Pare?
Pelo Volume I do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (edição 2022 do Contran), a R-1 “assinala ao condutor que deve parar seu veículo antes de entrar ou cruzar a via/pista”. É uma placa de regulamentação: não é sugestão, é ordem.
Ela existe para mudar a regra padrão do cruzamento. Sem sinalização, o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) dá a preferência a quem está na rodovia, a quem já circula na rotatória e, nos demais casos, a quem vem pela direita.
Quando a prefeitura ou o órgão rodoviário instala a R-1, essa lógica deixa de valer naquela esquina. Quem tem a placa à frente para, e quem está na via transversal passa.
Ela faz parte da família das placas de regulamentação, que o nosso guia de sinalização vertical explica em detalhe.
Como é a placa Pare oficial?
A R-1 é a única placa do país em forma de octógono. As regras de cor estão no mesmo manual:
- Fundo: vermelho.
- Orla interna: branca.
- Orla externa: vermelha.
- Letras: brancas, com a palavra PARE.
O formato não é capricho de designer. Junto com a “Dê a preferência” (R-2), triangular, a Pare é a exceção à regra de que placas de regulamentação são redondas. Dá para reconhecê-la até de costas ou coberta de poeira.
O manual também proíbe acrescentar informação complementar à R-1, como horário ou tipo de veículo. Se a placa manda parar, manda parar sempre.
O tamanho muda conforme a via. Estes são os valores de lado do octógono previstos pelo Contran:
| Tipo de via | Lado mínimo | Lado recomendado |
|---|---|---|
| Urbana | 0,25 m | 0,35 m |
| Rural (estrada) | 0,35 m | 0,35 m |
| Rural (rodovia) | 0,40 m | 0,50 m |
| Área protegida por legislação especial | 0,18 m | Não definido |
Em vias urbanas, o manual recomenda que a Pare seja no mínimo retrorrefletiva, para brilhar com o farol à noite. Em rodovias e vias de trânsito rápido sem iluminação pública, toda placa de regulamentação precisa ser retrorrefletiva, luminosa ou iluminada.
Existe placa Pare amarela?
Não. O Volume I lista uma única placa de parada obrigatória, a R-1 vermelha. A placa de “Pare amarela”, com a palavra PARE em preto num losango amarelo, circula em sites e bancos de imagem, mas não faz parte da sinalização brasileira.
Nem em obra a cor muda. O Volume VII, de sinalização temporária, troca as placas de advertência para o laranja, mas abre exceção expressa: a R-1 continua com fundo vermelho e letras brancas.
De onde vem então a confusão? Há três suspeitos comuns:
- Placa A-15, “Parada obrigatória à frente”: é de advertência. Avisa que existe uma R-1 adiante quando a visibilidade é ruim, mas não obriga a parar no ponto onde está.
- Operação “Pare e Siga”: em obra com a pista reduzida a uma faixa, um trabalhador controla o fluxo com placas portáteis PARE e SIGA.
- Ordem do agente: pelo artigo 89 do CTB, o gesto do agente de trânsito vale mais que o semáforo, e o semáforo vale mais que a placa.
Na dúvida entre o que a placa diz e o que o agente manda, obedeça ao agente.
O mesmo artigo resolve o cruzamento que tem placa e semáforo ao mesmo tempo. Com o semáforo funcionando, vale a luz dele, porque as indicações semafóricas ficam acima dos demais sinais. Com o semáforo desligado, volta a valer a placa.
Onde a placa Pare costuma ser instalada?
O Contran pede que a R-1 seja usada só onde a parada é realmente necessária, porque reduzir a velocidade não basta ou seria perigoso. O manual cita estes casos:
- Pontos onde o risco ou o histórico de acidentes justifica a parada.
- Cruzamentos sem semáforo em regiões com muitos cruzamentos semaforizados.
- Passagens de nível sem semáforo.
- Ruas transversais que chegam a uma via preferencial.
- Esquinas em que a via secundária tem visibilidade restrita.
A placa fica do lado direito, o mais perto possível do ponto de parada. Na cidade, no máximo a 10 metros do prolongamento do meio-fio da via transversal. Na estrada, entre 1,5 e 15 metros.
Em vias de mão única com mais de uma faixa e trânsito intenso, o manual recomenda placa dos dois lados. Ela também pode ficar suspensa sobre a pista.
O que o motorista deve fazer diante da placa Pare?
O artigo 44 do CTB já exige “prudência especial” em qualquer cruzamento, com velocidade moderada. Com a R-1, a exigência sobe de nível: o carro precisa ficar imóvel.
- Reduza antes. Chegue devagar, pronto para frear, sem depender de uma freada brusca na linha.
- Pare por completo. Rodas imóveis. Diminuir até quase parar e seguir é o erro mais comum, e não vale como parada.
- Pare no lugar certo. Antes da linha de retenção, se ela existir. Sem linha, antes da área do cruzamento, sem invadir a outra via.
- Olhe e só então siga. Dê passagem a pedestres e a quem vem pela via transversal. Saia apenas quando houver espaço seguro.
Onde fica a linha de retenção? Pelo Volume IV do manual, ela é pintada a pelo menos 1,60 metro da faixa de pedestres, quando existe faixa. Sem faixa, fica a no mínimo 1 metro do prolongamento do meio-fio da via transversal.
Rua vazia às três da manhã não é exceção. A placa não tem horário e a infração não depende de haver outro carro no cruzamento.
Qual é a multa por não parar na placa Pare?
Avançar o sinal de parada obrigatória está no artigo 208 do CTB, o mesmo do sinal vermelho. A infração é gravíssima:
- Multa: R$ 293,47, valor do artigo 258.
- Pontos: 7 na CNH, pelo artigo 259.
- Medida administrativa: nenhuma. O carro não é retido.

Uma gravíssima pesa no limite de pontos. Pelo artigo 261, a suspensão chega com 20 pontos em 12 meses se houver duas ou mais gravíssimas, 30 com uma e 40 sem nenhuma. O nosso texto sobre pontos da multa gravíssima e o guia do limite de pontos na CNH fazem a conta completa.
Dá para pagar menos. O artigo 284 garante 20% de desconto até o vencimento. Quem aderiu ao sistema de notificação eletrônica antes da autuação e abre mão do recurso paga 60% do valor, como explicamos em como obter até 40% de desconto em multas.
E existe defesa. O artigo 90 do CTB proíbe punir quando a sinalização é insuficiente ou incorreta, como placa caída, apagada ou escondida por uma árvore. Fotografe o local e use o passo a passo de recurso de multas.
Qual a diferença entre Pare e Dê a preferência?
As duas regulam quem passa primeiro, mas pedem coisas diferentes. A R-1 obriga a parar sempre. A R-2 obriga a dar passagem, reduzindo a velocidade e parando só se for preciso.
Pelo manual, a R-2 entra quando a Pare seria restritiva demais e há boa visibilidade entre os carros que se aproximam, como nos acessos a vias preferenciais.
| Pare (R-1) | Dê a preferência (R-2) | |
|---|---|---|
| Formato | Octógono | Triângulo com a ponta para baixo |
| Cores | Fundo vermelho, letras brancas | Fundo branco, orla vermelha |
| O que exige | Parada total | Dar passagem, parando se necessário |
| Infração | Art. 208, gravíssima | Art. 215, II, grave |
| Multa e pontos | R$ 293,47 e 7 pontos | R$ 195,23 e 5 pontos |

Quer ver as outras placas de regulamentação, advertência e indicação lado a lado? O nosso guia de placas de trânsito e seus significados reúne todas.
O PARE pintado no chão vale como placa?
Ele é um reforço, não um substituto. O Volume IV do manual, de sinalização horizontal, diz que a legenda “PARE” no asfalto “deve ser utilizada como reforço” à placa R-1.
A pintura fica no mínimo 1,60 metro antes da linha de retenção, centralizada na faixa. A linha de retenção, branca e com 30 a 60 centímetros de largura, marca o limite exato onde o carro deve ficar.
O manual sugere essa linha junto da R-1 quando é difícil saber onde parar. Ou seja: placa, legenda e linha formam um conjunto, e quem manda é a placa.

Isso pesa na fiscalização. A minuta do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito que o governo federal pôs em consulta pública orienta o agente a não autuar pelo artigo 208 quando falta ou é deficiente a sinalização vertical. Ela lembra ainda que a linha de retenção não é obrigatória.
Isso não libera ninguém para passar direto num PARE pintado. Mesmo sem placa, o motorista continua sujeito ao dever de cautela no cruzamento e às regras de preferência do artigo 29.
A placa Pare é das poucas que todo mundo conhece e muita gente respeita pela metade. A parada “rolando”, com o carro a 5 km/h, rende a mesma multa gravíssima de quem passa direto, e o agente pode autuar sem parar você.
Se a placa estiver lá, o pé vai no freio até o carro ficar imóvel. Se ela estiver caída ou apagada, o problema é do órgão de trânsito, e a lei está do seu lado no recurso.
Perguntas frequentes
A placa Pare pode ser amarela?
Não. O Manual Brasileiro de Sinalização prevê só a R-1, vermelha e octogonal. Nem em obra a cor muda: o Volume VII mantém a Pare vermelha mesmo na sinalização temporária.
Quantos pontos perde quem não para na placa Pare?
Sete pontos, porque a infração do artigo 208 do CTB é gravíssima. A multa é de R$ 293,47.
Preciso parar na placa Pare se a rua estiver vazia?
Sim. A R-1 exige parada total a qualquer hora, e a infração não depende de outro veículo no cruzamento.
Qual a diferença entre a placa Pare e a Dê a preferência?
A Pare obriga a parar sempre. A Dê a preferência obriga a dar passagem, parando só se necessário, e desrespeitá-la é infração grave de R$ 195,23 e 5 pontos.
Recebeu uma multa e quer conferir a situação do veículo? Veja no nosso guia como consultar a placa e onde checar multas, débitos e restrições nos canais oficiais do Detran do seu estado.
