Importados no Brasil: 2025 bate 497,8 mil unidades

10 min de leitura
fila de SUVs importados e eletrificados em concessionária no Brasil, com BYD, GWM e Caoa Chery lado a lado
Importados no Brasil (Foto: divulgação)

Os carros importados voltaram a ganhar peso no Brasil em 2025. Foram 497,8 mil unidades, ou 18,57% do mercado, mas ainda abaixo do pico histórico de 2011. Abaixo, você vai ver o ranking, os números que explicam essa virada e onde mora o risco para quem compra.

Ranking dos importados que mais pesam no mercado

O cenário mudou rápido. Marcas chinesas aceleraram a presença, os eletrificados cresceram e o importado deixou de ser exceção em várias faixas de preço. Mas não se engane: volume maior não significa mercado mais fácil para o consumidor.

Posição Marca Fatia em 2025 Destaque Ponto fraco
1 Fiat Líder geral Rede enorme e peças baratas Pouca novidade em alguns produtos
2 Volkswagen Topo do mercado Portfólio amplo e boa revenda Preço subiu demais
3 GM Entre as líderes Marca forte no varejo Linha envelhecida em parte da gama
4 Hyundai Entre as líderes Creta e HB20 seguram o volume Versões caras
5 Toyota Entre as líderes Revenda e confiabilidade Preço alto
8 BYD Maior entre chinesas Preço competitivo em eletrificados Revenda ainda instável
11 Caoa Chery Forte em SUVs Bom pacote por preço Desvalorização pesa
13 GWM Avança em híbridos Tecnicamente forte Rede ainda em expansão

Em 2011, a história era outra. O Brasil viu 858 mil importados, 23,6% do mercado, num total de 3,63 milhões de veículos. Hoje a participação ainda é alta, mas sem repetir aquele auge.

Porto de Vitória, no Espírito Santo
Porto de Vitória, no Espírito Santo (Foto: divulgação)

Por que os importados cresceram tanto

O motor dessa virada tem nome e sobrenome: eletrificados chineses. BYD, GWM, Caoa Chery e Omoda Jaecoo empurraram o volume para cima com carros bem equipados e preço agressivo. Isso mexe com o mercado inteiro.

Na prática, o importado deixou de ser só carro de nicho. Hoje ele disputa com SUV nacional, híbrido japonês e até picape média. E aqui está o problema: quem compra pelo preço inicial pode ignorar revenda, peças e rede de assistência.

Segundo a Fenabrave, o mercado brasileiro segue concentrado em poucas marcas, mas a fatia dos importados avançou com força em 2025. Veja também os dados oficiais da entidade em site oficial da Fenabrave.

Os eletrificados subiram de 8,9% para 14,9% de participação entre 2024 e 2025. É um salto grande. Só que autonomia, carregamento e desvalorização ainda pedem cautela, principalmente fora das capitais.

Nissan Leaf foi um dos primeiros carros elétricos importados para o Brasil — Foto: Divulgação/Nissan
Nissan Leaf foi um dos primeiros carros elétricos importados para o Brasil — Foto: Divulgação/Nissan (Foto: divulgação)

Ranking dos carros importados mais relevantes para o comprador

Não é um ranking de vendas puras. É uma leitura prática dos importados que mais influenciam a decisão de compra no Brasil hoje. Preço, pacote, custo de uso e risco de revenda entram na conta.

Modelo Preço aproximado Motor Destaque Ponto fraco
BYD Song Plus R$ 230 mil a R$ 270 mil Híbrido plug-in Pacote farto e consumo baixo Revenda ainda incerta
GWM Haval H6 R$ 220 mil a R$ 270 mil Híbrido Desempenho forte e boa cabine Rede menor que a das tradicionais
Caoa Chery Tiggo 7 R$ 140 mil a R$ 190 mil Turbo Preço competitivo Desvalorização mais pesada
Toyota Corolla Cross R$ 180 mil a R$ 260 mil Híbrido e flex Revenda e confiança Preço alto nas versões melhores

O que o recorde de 2011 ainda ensina

O pico de 2011 não aconteceu por acaso. O mercado estava aquecido, o crédito corria solto e os importados tinham menos barreiras. Depois veio o “super IPI”, que mudou a conta e freou parte da invasão.

Em 2013, o governo elevou em 30 pontos percentuais o IPI para carros de fora do Mercosul e do México. A medida ficou conhecida como “super IPI” e marcou uma virada na indústria local. Para entender o impacto regulatório, vale consultar o portal da Senatran.

O consumidor sentiu isso no bolso. Importado ficou mais caro. Só que a fórmula mudou de novo em 2025, agora puxada por eletrificação e por marcas chinesas com produção e logística mais agressivas.

Os riscos que o preço baixo esconde

Preço de compra não conta a história inteira. Em vários chineses, a revenda ainda cai rápido. Em três anos, alguns modelos podem perder 30% a 40% do valor. Isso dói mais que uma parcela alta.

Outro ponto é a rede. Se a concessionária está longe, qualquer garantia vira dor de cabeça. Peça demora, revisão encarece e o carro fica parado.

Antes de fechar negócio, consulte o histórico do veículo pela placa e veja se há gravame, sinistro ou leilão.

Também existe a diferença entre marca grande e marca em formação. Toyota e Hyundai têm pós-venda maduro. Já algumas chinesas ainda estão montando estrutura. O carro pode até ser bom. O entorno nem sempre é.

  • Preço competitivo: vários importados entregam mais equipamentos pelo mesmo valor de rivais nacionais.
  • Eletrificação: híbridos e elétricos ganharam espaço real em 2025.
  • Pacote tecnológico: central, câmera e assistências já vêm em versões de entrada de alguns modelos.
  • Revenda: alguns chineses desvalorizam mais rápido.
  • Rede e peças: a cobertura ainda não iguala marcas tradicionais.
  • Seguro: em certos modelos, o custo sobe por causa do perfil de reparo.

Importados e eletrificados: quem ganhou espaço de verdade

A fatia dos veículos vindos da China fechou 2025 em 7% do mercado. Entre os importados, as chinesas responderam por 37,6% das vendas. Não é detalhe. É mudança estrutural.

O ranking por marca ajuda a entender. BYD já aparece entre as dez maiores, Caoa Chery mantém volume relevante, e GWM cresce com híbridos. Oomoda Jaecoo ainda é menor, mas entrou rápido na briga por SUV médio.

o consumidor passou a comparar um híbrido chinês com um SUV nacional flex. E aí a conta fica mais dura para as marcas tradicionais. O preço pesa. Muito.

Navio da BYD desembarca carros elétricos chineses no Brasil — Foto: Getty Images/Lars Penning
Navio da BYD desembarca carros elétricos chineses no Brasil — Foto: Getty Images/Lars Penning (Foto: divulgação)

Preços e onde o mercado deve ficar em 2026

A Anfavea projeta 2,69 milhões de veículos em 2026, alta de 2,76%. Não é explosão. É crescimento moderado, com crédito apertado e forte dependência de frotistas e locadoras.

Isso ajuda a explicar por que o importado segue avançando. Marcas com campanha agressiva e produto bem equipado tiram espaço de modelos nacionais mais simples. Mas a conta final precisa incluir consumo, manutenção e revenda.

Se o foco for uso urbano, um híbrido pode fazer sentido. Se a ideia é ficar com o carro por muitos anos, marcas com pós-venda forte ainda mandam no jogo. O consumidor brasileiro não compra só tecnologia. Compra tranquilidade.

Perguntas frequentes

Os carros importados venderam mais em 2025 do que em 2011?

Não. Em 2025 foram 497,8 mil unidades, 18,57% do mercado. Em 2011, o Brasil chegou a 858 mil importados, com 23,6% de participação.

As marcas chinesas já dominam os importados no Brasil?

Elas cresceram muito, mas ainda não dominam o mercado inteiro. Em 2025, responderam por 37,6% das vendas de importados. A liderança geral continua com marcas tradicionais.

Importado chinês desvaloriza mais?

Em vários casos, sim. Alguns modelos podem cair 30% a 40% em três anos. Isso depende da rede, da oferta de peças e da aceitação da marca no mercado de usados.

O “super IPI” ainda existe?

Não. A medida ficou marcada no início da década passada e foi encerrada depois de contestação e mudanças regulatórias. Hoje o cenário é outro, muito mais influenciado por eletrificação e câmbio.

Vale olhar a placa antes de comprar um importado usado?

Vale, e muito. Uma consulta veicular pode revelar sinistro, leilão, gravame e restrições que mudam totalmente o negócio. Em carro importado, isso pesa ainda mais na revenda.

Quem compra um importado hoje encontra mais oferta, mais tecnologia e mais disputa por preço. Só que não existe almoço grátis. Se o carro desvaloriza rápido ou a assistência é fraca, a conta aparece depois.

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