Honda CB 300R: avaliação completa, preços FIPE e opinião [2026]

28 min de leitura
Honda CB 300R branca vista frontal lateral estacionada no Brasil
SEMC 3MP DSC

A Honda CB 300R foi a naked mais vendida do Brasil entre 2009 e 2015. Com motor DOHC de 293 cc, câmbio de 6 marchas e confiabilidade Honda, ela definiu o segmento das nakeds intermediárias por quase uma década. Neste review completo, trazemos ficha técnica, preços FIPE atualizados, prós e contras, comparativo com concorrentes e FAQ — tudo para você decidir se vale a pena comprar uma usada em 2026.

Ficha técnica — Honda CB 300R

Especificação Dados
Motor Monocilíndrico, 4 tempos, DOHC, 4 válvulas, arrefecimento a ar
Cilindrada 293,5 cc
Combustível Flex (gasolina e etanol) — a partir de 2012
Potência 25,4 cv a 7.500 rpm (etanol) / 23,7 cv (gasolina)
Torque 2,54 kgfm a 6.000 rpm (etanol)
Câmbio 6 marchas
Alimentação Injeção eletrônica PGM-FI
Partida Elétrica
Suspensão dianteira Garfo telescópico convencional, curso de 130 mm
Suspensão traseira Monoamortecedor Pro-Link
Freio dianteiro Disco 296 mm (CBS nas versões mais recentes)
Freio traseiro Disco 220 mm
Rodas Dianteira 17″ / Traseira 17″ (liga leve)
Tanque 13 litros
Peso (seco) 158 kg
Altura do assento 793 mm
Entre-eixos 1.385 mm
Consumo médio (gasolina) ~30 km/L (estrada) / ~25 km/L (cidade)
Consumo médio (etanol) ~22 km/L (estrada) / ~18 km/L (cidade)
Autonomia estimada 325–390 km (gasolina)

Fonte: Honda Motos Brasil — dados da CB 300R Flex 2015

História e evolução da CB 300R

A Honda CB 300R nasceu em 2009 para substituir a lendária CBX 250 Twister — uma missão nada fácil. A Twister era ícone entre os jovens motociclistas e qualquer sucessora precisaria provar que merecia o lugar. A CB 300R não só provou como dominou: durante anos, foi a naked mais emplacada do Brasil, abrindo caminho para toda uma geração de pilotos que queriam mais que uma CG, mas não estavam prontos (ou dispostos) a pagar por uma moto importada.

Linha do tempo de atualizações

  • 2009: Lançamento com motor DOHC de 293,5 cc e 23,7 cv (gasolina). Primeira naked brasileira da Honda com injeção eletrônica PGM-FI e câmbio de 6 marchas. Design inspirado nas linhas da Hornet.
  • 2010-2011: Consolidação como líder absoluta de vendas no segmento. Pequenas atualizações em cores e grafismos. Problema crônico do retificador de voltagem afeta parte da produção.
  • 2012: Grande atualização — chega o motor flex (gasolina + etanol), elevando a potência para 25,4 cv com etanol. Novo painel digital e ajustes na ergonomia.
  • 2013: Introdução do sistema CBS (Combined Brake System) na versão top. Novas opções de cores.
  • 2014-2015: Últimos anos de produção. Versão Limited Edition com detalhes exclusivos. A Honda já preparava a sucessora.
  • 2016: Descontinuada. Substituída pela CB 250F Twister — ironicamente, um retorno ao nome Twister, mas com motor menor (250 cc) e plataforma mais simples.

A decisão da Honda de substituir uma 300 cc DOHC por uma 250 cc OHC gerou polêmica entre os entusiastas. Muitos consideram a CB 300R mecanicamente superior à sua sucessora — o que explica por que unidades bem conservadas mantêm boa cotação no mercado até hoje. Existe até um ditado nos grupos de motociclistas: “a Honda errou ao trocar a 300 pela 250”. Exagero ou não, o fato é que a CB 300R construiu uma reputação difícil de igualar no segmento.

Para entender melhor a importância do histórico ao comprar uma usada, confira nosso guia sobre histórico veicular.

Desempenho e pilotagem

Motor e potência

O grande trunfo da CB 300R sempre foi seu motor. O monocilíndrico DOHC de 4 válvulas com 293,5 cc era (e continua sendo) o mais sofisticado da sua categoria no Brasil. Enquanto a concorrência usava motores OHC de 2 válvulas, a Honda entregava um propulsor que gira mais livre, responde mais rápido e entrega potência de forma mais linear.

Os 25,4 cv (etanol) podem parecer modestos no papel, mas na prática a CB 300R surpreendia. O câmbio de 6 marchas — exclusividade na faixa de preço — permitia manter o motor sempre na faixa ideal de rotação, seja no trânsito urbano ou em estrada. A sexta marcha longa reduzia rotações em velocidade de cruzeiro, melhorando consumo e diminuindo vibração.

O motor flex, disponível a partir de 2012, adicionou versatilidade: o piloto podia abastecer com gasolina, etanol ou qualquer mistura sem perda de desempenho significativa. Na prática, a gasolina entregava melhor autonomia, enquanto o etanol rendia um pouco mais de potência. A injeção eletrônica PGM-FI da Honda adaptava automaticamente os parâmetros do motor ao tipo de combustível — sem necessidade de intervenção do piloto.

Vale destacar que a velocidade máxima da CB 300R ficava na casa dos 140-145 km/h indicados — número respeitável para a categoria. No 0 a 100 km/h, os testes da época registravam algo entre 9 e 10 segundos, suficiente para deslocamentos urbanos com sobra e ultrapassagens seguras em rodovias de pista simples.

Suspensão e freios

Aqui mora o ponto fraco mais evidente da CB 300R. A suspensão dianteira convencional (garfo telescópico sem ajustes) com apenas 130 mm de curso era adequada para o uso urbano, mas em estradas esburacadas deixava a desejar. A traseira Pro-Link compensava parcialmente, mas o conjunto nunca foi o forte da moto.

Os freios a disco em ambas as rodas (296 mm na dianteira, 220 mm na traseira) ofereciam boa capacidade de frenagem para o peso e a velocidade da moto. Versões mais recentes com CBS (frenagem combinada) melhoraram a segurança, distribuindo a força entre as rodas automaticamente. A ausência total de ABS em qualquer versão, porém, é uma limitação real — especialmente em piso molhado.

Consumo real

Condição Gasolina Etanol
Cidade ~25 km/L ~18 km/L
Estrada ~30 km/L ~22 km/L
Misto ~27 km/L ~20 km/L

Com tanque de 13 litros, a autonomia varia de 234 km (etanol, cidade) a 390 km (gasolina, estrada). O tanque relativamente pequeno é um dos pontos fracos da CB 300R — em viagens longas, as paradas para abastecer são mais frequentes do que o ideal. Para efeito de comparação, a Fazer 250 com tanque de 17 litros entrega autonomia superior mesmo com motor menos eficiente.

Ainda assim, o consumo em si é excelente para uma moto de quase 300 cc. No uso diário urbano, com gasolina, é perfeitamente possível rodar uma semana inteira com um único tanque se a quilometragem diária ficar abaixo de 40 km — realidade de muitos commuters.

Preços FIPE — Honda CB 300R por ano

Valores de referência da Tabela FIPE (março/2026). Consulte a FIPE atualizada antes de negociar.

Ano/Modelo Versão Preço FIPE (referência)
2015 CB 300R Flex R$ 15.000 – R$ 18.000
2014 CB 300R Flex R$ 14.000 – R$ 17.000
2013 CB 300R Flex R$ 13.000 – R$ 16.000
2012 CB 300R Flex R$ 12.000 – R$ 15.000
2011 CB 300R R$ 11.000 – R$ 14.000
2010 CB 300R R$ 10.000 – R$ 13.000
2009 CB 300R R$ 9.000 – R$ 12.000

Tendência: A CB 300R é um caso interessante no mercado de usadas. Apesar de descontinuada desde 2016, os preços se mantêm relativamente estáveis — especialmente nos modelos flex (2012-2015), que são os mais procurados. O motor DOHC, que a sucessora CB 250F não herdou, é um dos motivos: muitos compradores preferem a “antiga” 300 à “nova” 250. Antes de fechar negócio, vale consultar a placa para verificar pendências, gravames e histórico de sinistros.

Principais problemas e manutenção

Problemas mais relatados por donos

  • Retificador de voltagem queimando: O problema mais famoso (e frustrante) da CB 300R. Especialmente nos modelos 2009-2011, o retificador original tinha vida útil curta e queimava com frequência, podendo danificar a bateria e o sistema elétrico. A solução definitiva é instalar um retificador de melhor qualidade (aftermarket). Custo: R$ 150-300.
  • Esticador da corrente de comando desgastado: Causa um barulho de “corrente batendo” ao ligar o motor frio. É mais evidente em motores com alta quilometragem (acima de 40.000 km). Se ignorado, pode causar danos mais sérios ao trem de válvulas. Custo do reparo: R$ 200-350.
  • Regulagem de válvulas frequente: O motor DOHC de 4 válvulas exige regulagem a cada 12.000 km — intervalo menor e custo maior do que motos OHC de 2 válvulas da concorrência. É o preço da sofisticação mecânica. Custo: R$ 200-400.
  • Vibração excessiva acima de 100 km/h: Retrovisores tremem, mãos formigam. É característica do monocilíndrico de grande cilindrada, não um defeito propriamente dito — mas incomoda em viagens longas.
  • Consumo de óleo em motores com alta km: Após 50.000 km, alguns motores começam a consumir óleo entre as trocas. Pode indicar desgaste nos anéis do pistão ou nas guias de válvulas. Vale monitorar o nível regularmente.
  • Desgaste do kit relação: Corrente, coroa e pinhão duram em média 20.000-25.000 km. Uso urbano com arrancadas frequentes acelera o desgaste.
  • Rolamento da roda traseira com folga prematura: Relatado por vários proprietários, especialmente em motos que pegaram muita chuva ou foram lavadas com jato de pressão na região do cubo traseiro.

Custos de manutenção

Item Intervalo Custo estimado
Revisão básica (óleo + filtros) A cada 6.000 km R$ 150 – R$ 250
Regulagem de válvulas (DOHC) A cada 12.000 km R$ 200 – R$ 400
Pneus (par) A cada 15.000 – 20.000 km R$ 350 – R$ 600
Kit relação (coroa + pinhão + corrente) A cada 20.000 – 25.000 km R$ 130 – R$ 220
Pastilhas de freio (par) A cada 10.000 – 15.000 km R$ 50 – R$ 100
Retificador de voltagem Quando necessário R$ 150 – R$ 300
Esticador da corrente de comando Quando necessário (geralmente 40.000+ km) R$ 200 – R$ 350

A manutenção da CB 300R é um pouco mais cara que a de concorrentes como a Fazer 250 por causa do motor DOHC — a regulagem de válvulas, em particular, pesa no bolso. Em compensação, peças Honda são amplamente disponíveis em qualquer canto do Brasil, e a maioria dos mecânicos conhece o motor de olhos fechados. Se você está de olho em uma unidade usada, vale verificar se houve algum recall pendente no modelo desejado.

Pontos fortes e fracos

👍 Pontos fortes

  • Motor DOHC 4 válvulas: Mais refinado, potente e de giro mais livre que qualquer concorrente OHC da mesma faixa
  • Câmbio de 6 marchas: Exclusividade na categoria — melhor aproveitamento do motor e menor rotação em cruzeiro
  • Freio a disco em ambas as rodas: Frenagem segura e consistente, com CBS nas versões mais recentes
  • Consumo excelente: Até 30 km/L na estrada com gasolina — economia que impressiona para quase 300 cc
  • Posição de pilotagem acessível: Assento a 793 mm, ergonomia neutra — serve para quase qualquer biotipo
  • Boa revenda: Modelo descontinuado que mantém valor estável no mercado
  • Motor flex (2012+): Flexibilidade de abastecimento sem perda significativa de desempenho
  • Confiabilidade Honda: Motor DOHC robusto e bem conhecido — milhares de unidades rodando com alta quilometragem

👎 Pontos fracos

  • Suspensão dianteira básica: Garfo convencional sem ajustes e com apenas 130 mm de curso — sofre em estradas ruins
  • Sem ABS em nenhuma versão: Uma falha grave para os padrões atuais, especialmente em piso molhado
  • Retificador problemático (2009-2011): Problema crônico que exige substituição por peça aftermarket de melhor qualidade
  • Regulagem de válvulas mais cara: DOHC 4 válvulas exige manutenção mais frequente e custosa que a concorrência OHC
  • Design que envelheceu: O visual que parecia moderno em 2009 não resistiu tão bem ao tempo
  • Tanque de apenas 13 litros: Autonomia limitada para viagens longas — paradas frequentes para abastecer
  • Vibração em velocidade de cruzeiro: Acima de 100 km/h, retrovisores e guidão vibram visivelmente — incomoda em estrada

Comparativo: CB 300R vs concorrentes

Especificação Honda CB 300R Yamaha Fazer 250 Honda XRE 300 Dafra Next 300
Cilindrada 293,5 cc 249 cc 291,6 cc 278 cc
Motor DOHC 4v OHC 2v OHC 2v DOHC 4v
Potência 25,4 cv 21 cv 26,1 cv 29 cv
Câmbio 6 marchas 5 marchas 5 marchas 6 marchas
Peso 158 kg 148 kg 157 kg 168 kg
Tanque 13 L 17 L 13,8 L 17 L
Flex Sim (2012+) Sim (2013+) Sim (2013+) Não
ABS Não Não Não (CBS) Não
Preço usado R$ 9.000 – R$ 18.000 R$ 6.500 – R$ 16.500 R$ 8.500 – R$ 27.000 R$ 8.000 – R$ 12.000
Vocação Naked urbana Naked/sport urbana Trail mista Naked esportiva

Resumo do comparativo:

  • Vs Fazer 250: A CB 300R vence em cilindrada, motor (DOHC vs OHC), câmbio (6 vs 5 marchas) e refinamento mecânico. A Fazer é mais leve, tem tanque maior e custa menos no mercado de usadas. Para quem quer o melhor motor da categoria, CB 300R. Para quem quer economia máxima, Fazer 250.
  • Vs XRE 300: Compartilham a mesma base mecânica (motor Honda 300), mas a XRE é trail e a CB é naked. A XRE tem suspensão muito superior e versatilidade off-road. A CB 300R tem motor DOHC (vs OHC da XRE), câmbio de 6 marchas e assento mais baixo — ideal para quem roda exclusivamente no asfalto.
  • Vs Dafra Next 300: A Next tinha mais potência (29 cv) e motor DOHC competitivo, mas a rede de assistência e a revenda da Dafra nunca se compararam às da Honda. Encontrar peças da Next hoje é um desafio.

Para comparar os preços atualizados de cada modelo, consulte a tabela FIPE.

Para quem a CB 300R é indicada?

Piloto urbano do dia a dia

A CB 300R foi projetada para a cidade e brilha nesse cenário. Posição de pilotagem neutra, assento a 793 mm (acessível para a maioria dos pilotos), motor com torque em baixa rotação para arrancadas no trânsito e consumo de ~25 km/L na cidade. O entre-eixos de 1.385 mm garante estabilidade sem comprometer a manobrabilidade entre carros. Para deslocamento diário, entregas e commute, é difícil encontrar melhor custo-benefício no mercado de usadas.

Primeiro upgrade depois da CG

Se você está saindo de uma CG 150 ou CG 160 e quer mais motor, mais câmbio e mais presença na estrada, a CB 300R é o passo natural. O motor é mais potente, a moto é mais estável em velocidade e o câmbio de 6 marchas faz diferença real. A ergonomia e o peso são parecidos com o que você já conhece — a adaptação é rápida.

Quem quer moto usada confiável e barata

Com preços a partir de R$ 9.000 (modelo 2009), a CB 300R é uma das melhores opções de moto usada no Brasil. Motor Honda com histórico de durabilidade, peças baratas e disponíveis em qualquer lugar, e mecânica amplamente conhecida. Para quem tem orçamento limitado e quer tranquilidade, é uma aposta segura.

Para quem ela NÃO é indicada

Se você pretende fazer viagens longas de estrada com frequência, a vibração acima de 100 km/h e o tanque de apenas 13 litros vão incomodar. Para esse perfil, a XRE 300 é mais adequada — mesma base mecânica, mas com ergonomia e autonomia pensadas para rodar longas distâncias. Se o objetivo é adrenalina e esportividade, a Yamaha MT-03 (321 cc, 42 cv) joga em outra liga — mas também custa o dobro no mercado de usadas. E para quem pretende encarar trilhas ou estradas de terra, a CB 300R simplesmente não foi feita para isso: a suspensão com apenas 130 mm de curso e as rodas de liga leve aro 17 não pertencem ao off-road.

Dicas para comprar uma CB 300R usada

  • Consulte o histórico antes de tudo: Consulte a placa para verificar multas pendentes, gravame, restrições judiciais e sinistros. A CB 300R foi muito usada por motoboys e apps de entrega — o histórico conta uma história que o vendedor talvez não conte.
  • Priorize modelos flex (2012-2015): Além da versatilidade no abastecimento, as versões flex corrigiram o problema crônico do retificador de voltagem que afetava os modelos 2009-2011. Melhor revenda também.
  • Ouça o motor frio: Ligue o motor sem aquecer. Se ouvir um barulho de “corrente batendo” nos primeiros segundos, o esticador da corrente de comando está desgastado. Não é grave, mas custa R$ 200-350 para resolver — negocie o desconto.
  • Teste o sistema elétrico: Ligue farol, seta, buzina e freio ao mesmo tempo. Se a luz oscilar ou a bateria der sinais de fraqueza, o retificador pode estar com problema. Peça para medir a voltagem com o motor ligado (deve estar entre 13,5V e 14,5V).
  • Verifique o kit relação: Puxe a corrente para trás na parte inferior do balança. Folga excessiva (mais de 3 cm) indica troca necessária. Dentes da coroa “afiados” ou com formato de onda confirmam o desgaste. Negocie R$ 150-220 de desconto.
  • Confira a quilometragem real: Compare o hodômetro com o desgaste de pedaleiras, manoplas, assento e discos de freio. CB 300R com 15.000 km no painel mas manoplas lisas e disco fino provavelmente rodou muito mais.
  • Desconfie de preço muito abaixo da FIPE: A CB 300R é uma moto muito visada para roubo. Se o preço estiver 20%+ abaixo da tabela sem justificativa clara, investigue o histórico com ainda mais cuidado.

Para mais informações sobre como evitar golpes na compra de motos e carros, confira nosso guia sobre como a consulta de placa ajuda a evitar fraudes.

Veredicto: vale a pena comprar?

Nota: 7,5/10

A Honda CB 300R é uma moto que fez história no Brasil — e que continua fazendo sentido em 2026 como opção de usada. O motor DOHC de 4 válvulas era (e ainda é) o mais sofisticado da sua categoria, o câmbio de 6 marchas dava uma vantagem real sobre a concorrência, e a confiabilidade Honda fala por si.

Ela não é perfeita. A suspensão básica, a ausência de ABS, o tanque pequeno e a vibração em estrada são limitações reais. O retificador problemático dos modelos 2009-2011 é um incômodo que a Honda deveria ter resolvido de fábrica. E o design, que parecia moderno no lançamento, envelheceu visivelmente.

Mas no contexto do mercado de motos usadas no Brasil, pouquíssimas opções entregam o que a CB 300R entrega por R$ 9.000-18.000. Motor refinado, manutenção barata, peças em qualquer esquina e uma base instalada gigantesca que garante suporte mecânico em todo o país.

Se você busca uma naked confiável para o uso urbano, como primeiro upgrade de uma CG ou simplesmente como moto de trabalho que não vai te deixar na mão, a CB 300R merece estar no topo da sua lista. Só não espere dela o que ela não é: uma moto de estrada ou uma esportiva. Dentro da sua proposta, ela cumpre — e cumpre bem.

Uma dica final: antes de fechar qualquer negócio, consulte a placa do veículo para garantir que não há pendências ocultas. A CB 300R foi uma das motos mais populares do Brasil durante anos, o que significa que o mercado de usadas é grande — mas também que é preciso separar as unidades bem cuidadas das que foram usadas até o limite.

Perguntas frequentes sobre a Honda CB 300R

Qual o consumo real da Honda CB 300R?

O consumo real varia entre 25 km/L na cidade e 30 km/L na estrada com gasolina. Com etanol, espere cerca de 18 km/L na cidade e 22 km/L na estrada. A autonomia com tanque cheio (13 L) fica entre 234 km (etanol, cidade) e 390 km (gasolina, estrada).

A CB 300R flex é melhor que a versão só gasolina?

Sim, por dois motivos. Primeiro, a versão flex (2012-2015) corrigiu problemas elétricos dos modelos anteriores, incluindo o retificador de voltagem. Segundo, a flexibilidade de combustível é prática — você abastece com o que estiver mais barato na região. A potência com etanol (25,4 cv) é ligeiramente superior à da gasolina (23,7 cv).

Quais os principais problemas da Honda CB 300R?

Os mais comuns são: retificador de voltagem queimando (modelos 2009-2011), esticador da corrente de comando desgastado (barulho ao ligar frio), regulagem de válvulas frequente (a cada 12.000 km), vibração acima de 100 km/h e consumo de óleo em motores com alta quilometragem. Nenhum é catastrófico, mas todos exigem atenção.

CB 300R ou Fazer 250: qual é melhor?

Depende da prioridade. A CB 300R tem motor superior (DOHC vs OHC), mais cilindrada e câmbio de 6 marchas — é a melhor moto mecanicamente. A Fazer 250 é mais leve, tem tanque maior (17 L), manutenção mais simples e custa menos no mercado de usadas. Para pilotar no asfalto com prazer, CB 300R. Para economia máxima e praticidade, Fazer 250.

A Honda CB 300R serve para viagem?

Serve, com ressalvas. O motor tem fôlego para estrada e o consumo é bom, mas o tanque de 13 litros limita a autonomia e a vibração acima de 100 km/h cansa em trechos longos. Para viagens ocasionais de 200-300 km, funciona. Para viagens longas e frequentes, a XRE 300 é mais indicada.

Quanto custa a manutenção da CB 300R?

A revisão básica (óleo + filtros) custa entre R$ 150 e R$ 250 a cada 6.000 km. A regulagem de válvulas (DOHC) sai entre R$ 200 e R$ 400 a cada 12.000 km — esse é o item que encarece a manutenção em relação a motos OHC. No geral, é uma moto barata de manter graças à ampla disponibilidade de peças Honda.

A CB 300R é boa para iniciantes?

Sim, é uma das melhores opções. O motor é dócil em baixa rotação, a posição de pilotagem é confortável e o assento a 793 mm é acessível para a maioria dos pilotos. O peso de 158 kg é administrável. A única ressalva é a ausência de ABS — pilotos iniciantes devem redobrar a atenção em piso molhado e investir em um bom curso de pilotagem.

Por que a Honda descontinuou a CB 300R?

A Honda substituiu a CB 300R pela CB 250F Twister em 2016, adotando um motor OHC de 250 cc mais simples e barato de produzir. A decisão foi polêmica entre os entusiastas, que consideravam o motor DOHC de 300 cc superior. A troca refletiu uma estratégia de redução de custos e reposicionamento de preço — a CB 250F chegou mais acessível, mas mecanicamente inferior à antecessora.

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