Carro financiado já fez parte da vida de 62% dos brasileiros, segundo pesquisa da Webmotors. Desse total, 49% já quitaram o contrato e 13% ainda pagam parcelas. Abaixo, o que esse retrato mostra sobre juros, orçamento apertado e a dor de cabeça na hora de vender.
Não chega a ser surpresa. No Brasil, financiamento ainda é a porta de entrada mais comum para carro zero, seminovo e usado.
O crédito segue no centro da compra
O levantamento mostra um mercado acostumado com parcelas. Entre os entrevistados, 67% disseram ter bom nível de conhecimento sobre financiamento de veículos.
Dentro desse grupo, 41% se consideram bem informados. Outros 26% afirmam ser muito bem informados. Conhecer, porém, não significa pagar barato.
| Recorte da pesquisa | Percentual |
|---|---|
| Já financiaram carro | 62% |
| Já financiaram e quitaram | 49% |
| Ainda têm contrato ativo | 13% |
| Nunca financiaram, mas pretendem | 27,4% |
| Nunca financiaram e não pretendem | 11,2% |
| Dizem ter bom conhecimento sobre financiamento | 67% |
Os motivos também são bem brasileiros. Para 47%, a falta de dinheiro para comprar à vista empurra a decisão para o crédito.
Mais 42% dizem que as parcelas cabem no orçamento. Outros 30% apontam a facilidade de aprovação como fator relevante. Funciona assim: entrada menor, prazo mais longo e a esperança de fechar a conta no fim do mês.
Parcela cabe, mas os juros continuam pesando
Metade dos entrevistados, 50%, coloca os juros como principal ponto de atenção. Logo atrás, 24% citam o valor da parcela mensal.
É aí que muita compra desanda. A parcela parece suportável no começo, mas o valor total pago cresce rápido quando o prazo estica.
Quem financia no Brasil costuma olhar primeiro para o boleto do mês. O problema é que carro não custa só isso. Seguro, IPVA, licenciamento, manutenção e combustível seguem chegando igual.
Compensa financiar mesmo assim? Para muita gente, sim, porque sem crédito o carro simplesmente não entra na garagem. Só que financiar por necessidade é uma coisa; fechar contrato sem olhar o custo total é outra bem diferente.
Esse dado de 62% mostra justamente isso. O brasileiro conhece o produto, usa o produto, mas continua sensível a qualquer alta de juros.
Na hora de vender, a dúvida aparece
A pesquisa da Webmotors também mediu o que as pessoas fariam ao vender um carro ainda financiado. E o resultado mostra insegurança.
| O que faria ao vender um carro financiado | Percentual |
|---|---|
| Transferiria o financiamento para outra pessoa | 36% |
| Quitaria antes de vender | 35% |
| Procuraria ajuda do banco ou financeira | 13,2% |
| Venderia mesmo com parcelas em aberto | 10,8% |
| Não faria nenhuma das alternativas | 3,8% |
| Outra opção | 0,8% |
Transferir o financiamento parece simples no papel. Na prática, não é. A maior parte dos contratos no Brasil usa alienação fiduciária.
Traduzindo: o carro fica vinculado à instituição financeira até a quitação. Sem acertar a parte financeira, não existe transferência livre e limpa do veículo.
O caminho correto costuma passar por quitação antecipada, anuência da credora ou transferência formal do contrato. As regras documentais passam pelo Detran do estado, como mostra o Detran-SP, além do registro da alienação no sistema.
Vender com parcelas em aberto sem regularizar a situação é pedir problema. A dívida pode continuar no nome do antigo contratante, a transferência pode travar e o risco de disputa com comprador e financeira sobe bastante.
Reorganizar as finanças virou motivo forte para vender
Entre as vantagens percebidas na venda de um carro financiado, 24% citaram reorganização financeira. Outros 21% disseram que o ganho é parar de pagar por um carro que já não usam.
Mais 18% veem nessa operação a chance de trocar de carro antes da quitação total. Faz sentido. Muita gente entra num contrato pensando em ficar anos com o veículo e, no meio do caminho, muda renda, emprego ou rotina.
Só que o mercado não perdoa conta mal feita. Se o saldo devedor estiver alto e a tabela de revenda estiver baixa, o proprietário precisa tirar dinheiro do bolso para encerrar a operação.
O retrato da pesquisa diz mais sobre renda do que sobre gosto
O financiamento continua central porque o carro segue caro para a renda média brasileira. Não importa se é hatch de entrada ou SUV compacto: a compra à vista ficou distante para muita gente.
Por isso, entrada menor e prazo maior continuam seduzindo. Só que seduzir não é resolver.
Quem está olhando um carro agora precisa comparar mais do que taxa anunciada. Tem de olhar o custo efetivo, o tamanho da entrada, o prazo, o seguro e o saldo devedor se houver troca no meio do contrato.
O número de 62% confirma um hábito nacional. Financiamento virou regra, não exceção. A questão é outra: com juros ainda altos e renda apertada, quantos desses contratos cabem de verdade no bolso até a última parcela?
