Financiamento de carro ainda faz sentido para 62%?

Por Verificar Auto 23/05/2026 às 10:26 5 min de leitura
Financiamento de carro ainda faz sentido para 62%?
5 min de leitura

Carro financiado já fez parte da vida de 62% dos brasileiros, segundo pesquisa da Webmotors. Desse total, 49% já quitaram o contrato e 13% ainda pagam parcelas. Abaixo, o que esse retrato mostra sobre juros, orçamento apertado e a dor de cabeça na hora de vender.

Não chega a ser surpresa. No Brasil, financiamento ainda é a porta de entrada mais comum para carro zero, seminovo e usado.

O crédito segue no centro da compra

O levantamento mostra um mercado acostumado com parcelas. Entre os entrevistados, 67% disseram ter bom nível de conhecimento sobre financiamento de veículos.

Dentro desse grupo, 41% se consideram bem informados. Outros 26% afirmam ser muito bem informados. Conhecer, porém, não significa pagar barato.

Recorte da pesquisa Percentual
Já financiaram carro 62%
Já financiaram e quitaram 49%
Ainda têm contrato ativo 13%
Nunca financiaram, mas pretendem 27,4%
Nunca financiaram e não pretendem 11,2%
Dizem ter bom conhecimento sobre financiamento 67%

Os motivos também são bem brasileiros. Para 47%, a falta de dinheiro para comprar à vista empurra a decisão para o crédito.

Mais 42% dizem que as parcelas cabem no orçamento. Outros 30% apontam a facilidade de aprovação como fator relevante. Funciona assim: entrada menor, prazo mais longo e a esperança de fechar a conta no fim do mês.

Parcela cabe, mas os juros continuam pesando

Metade dos entrevistados, 50%, coloca os juros como principal ponto de atenção. Logo atrás, 24% citam o valor da parcela mensal.

É aí que muita compra desanda. A parcela parece suportável no começo, mas o valor total pago cresce rápido quando o prazo estica.

Quem financia no Brasil costuma olhar primeiro para o boleto do mês. O problema é que carro não custa só isso. Seguro, IPVA, licenciamento, manutenção e combustível seguem chegando igual.

Compensa financiar mesmo assim? Para muita gente, sim, porque sem crédito o carro simplesmente não entra na garagem. Só que financiar por necessidade é uma coisa; fechar contrato sem olhar o custo total é outra bem diferente.

Esse dado de 62% mostra justamente isso. O brasileiro conhece o produto, usa o produto, mas continua sensível a qualquer alta de juros.

Na hora de vender, a dúvida aparece

A pesquisa da Webmotors também mediu o que as pessoas fariam ao vender um carro ainda financiado. E o resultado mostra insegurança.

O que faria ao vender um carro financiado Percentual
Transferiria o financiamento para outra pessoa 36%
Quitaria antes de vender 35%
Procuraria ajuda do banco ou financeira 13,2%
Venderia mesmo com parcelas em aberto 10,8%
Não faria nenhuma das alternativas 3,8%
Outra opção 0,8%

Transferir o financiamento parece simples no papel. Na prática, não é. A maior parte dos contratos no Brasil usa alienação fiduciária.

Traduzindo: o carro fica vinculado à instituição financeira até a quitação. Sem acertar a parte financeira, não existe transferência livre e limpa do veículo.

O caminho correto costuma passar por quitação antecipada, anuência da credora ou transferência formal do contrato. As regras documentais passam pelo Detran do estado, como mostra o Detran-SP, além do registro da alienação no sistema.

Vender com parcelas em aberto sem regularizar a situação é pedir problema. A dívida pode continuar no nome do antigo contratante, a transferência pode travar e o risco de disputa com comprador e financeira sobe bastante.

Reorganizar as finanças virou motivo forte para vender

Entre as vantagens percebidas na venda de um carro financiado, 24% citaram reorganização financeira. Outros 21% disseram que o ganho é parar de pagar por um carro que já não usam.

Mais 18% veem nessa operação a chance de trocar de carro antes da quitação total. Faz sentido. Muita gente entra num contrato pensando em ficar anos com o veículo e, no meio do caminho, muda renda, emprego ou rotina.

Só que o mercado não perdoa conta mal feita. Se o saldo devedor estiver alto e a tabela de revenda estiver baixa, o proprietário precisa tirar dinheiro do bolso para encerrar a operação.

O retrato da pesquisa diz mais sobre renda do que sobre gosto

O financiamento continua central porque o carro segue caro para a renda média brasileira. Não importa se é hatch de entrada ou SUV compacto: a compra à vista ficou distante para muita gente.

Por isso, entrada menor e prazo maior continuam seduzindo. Só que seduzir não é resolver.

Quem está olhando um carro agora precisa comparar mais do que taxa anunciada. Tem de olhar o custo efetivo, o tamanho da entrada, o prazo, o seguro e o saldo devedor se houver troca no meio do contrato.

O número de 62% confirma um hábito nacional. Financiamento virou regra, não exceção. A questão é outra: com juros ainda altos e renda apertada, quantos desses contratos cabem de verdade no bolso até a última parcela?