Eletrificados já são 25% da Viamar e aceleram no Brasil

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Eletrificados já são 25% da Viamar e aceleram no Brasil — foto de divulgação
Foto: Eletrificados já são 25% da Viamar e aceleram no Brasil (divulgação)

Eletrificados já respondem por 25% das vendas de 0 km na rede Viamar, e o número ajuda a mostrar como o mercado brasileiro mudou em pouco tempo. No país, o avanço também é forte: em 2025 foram 223.912 leves eletrificados emplacados, e o 1º bimestre de 2026 já somou 48.591 unidades. O recado para o consumidor é claro: o carro elétrico e o híbrido deixaram de ser nicho.

A rede, que vende cerca de 800 carros por mês e emplaca perto de 200 eletrificados, diz que a procura vem de um público mais maduro, entre 40 e 60 anos, com presença relevante de compradores acima de 60. Na prática, isso mostra que a eletrificação já entrou na lista de compra de quem olha custo de uso, conforto e revenda — não só tecnologia.

O que os números mostram

O dado da Viamar é um recorte de varejo, então não dá para tratar como fotografia do Brasil inteiro. Ainda assim, ele combina com o cenário nacional da ABVE: 223.912 leves eletrificados em 2025, alta de 26% sobre 2024, e 48.591 unidades no 1º bimestre de 2026, avanço de 90% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em participação de mercado, janeiro de 2026 fechou com 15% das vendas domésticas de leves, e fevereiro ficou em 14%. Isso já coloca os eletrificados em uma faixa que, há pouco tempo, parecia distante. Para o comprador comum, o efeito prático é simples: mais oferta, mais disputa entre marcas e mais chance de encontrar bônus, taxa menor ou entrada reduzida.

O crescimento também tem outra explicação: muita gente entra pelo híbrido, não pelo elétrico puro. O híbrido reduz a ansiedade com recarga, enquanto o elétrico depende mais da rotina e da infraestrutura. Misturar tudo no mesmo balaio ajuda a inflar o número, mas esconde diferenças importantes de uso e custo.

Infraestrutura já pesa menos na decisão

Hoje o Brasil já tem 14.827 eletropostos em 1.363 municípios, segundo a ABVE. Em fevereiro de 2025, eram 2.430 carregadores rápidos, 60% acima de novembro de 2024. Ainda falta cobertura ampla fora dos grandes centros, mas a rede cresceu o suficiente para tirar parte do medo de quem roda mais em cidade e faz viagens planejadas.

Esse avanço ajuda a explicar por que o comprador acima de 60 anos aparece mais. Quem usa o carro de forma previsível, faz trajetos curtos e pode carregar em casa tende a enxergar mais vantagem no elétrico. Já quem depende de estrada, condomínio sem tomada ou garagem coletiva continua esbarrando em barreiras bem práticas.

Segundo estudo interno do grupo citado no briefing, o custo por quilômetro de um elétrico pode ser até 74% menor que o de um carro a combustão. O número faz sentido, mas varia bastante conforme tarifa de energia, preço do combustível e padrão de recarga. Carregar em casa costuma ser bem mais barato do que depender de rede pública.

Para quem pensa em comprar, vale olhar além do preço de tabela. Revisão, seguro, desvalorização e IPVA mudam bastante o custo final. Se o carro entrar na sua lista, também faz sentido consultar o histórico pela placa antes de fechar negócio, principalmente em seminovo ou troca com usado.

Os modelos que puxam essa virada

O mercado de eletrificados no Brasil hoje tem nomes que já viraram referência de volume. O BYD Dolphin é o hatch elétrico mais conhecido nessa faixa, o Dolphin Mini abriu a porta de entrada da marca com preço mais baixo, e o GWM Ora 03 disputa o mesmo público com pacote mais forte de potência em algumas versões.

o consumidor está comparando elétrico com elétrico e também com híbridos mais caros. Quando o valor sobe, a compra deixa de ser só sobre economia de combustível e passa a envolver tamanho, rede de concessionárias e revenda. É aí que o preço público e o custo de uso viram a conversa principal.

Preços e rivais mais relevantes

Modelo Preço público aproximado Motor Destaque
BYD Dolphin Mini R$ 110 mil a R$ 125 mil Elétrico, 75 cv Entrada mais acessível
BYD Dolphin GS R$ 159.800 Elétrico, 95 cv Volume de vendas
GWM Ora 03 Skin R$ 150 mil Elétrico, 171 cv Rival direto do Dolphin
GWM Ora 03 GT R$ 184 mil Elétrico, 171 cv Mais equipado e potente

Entre os híbridos, o Corolla Cross Hybrid já encosta na faixa de R$ 200 mil, o Haval H6 HEV/PHEV vai além disso, e o BYD Song Plus DM-i sobe mais ainda. Isso mostra que eletrificado não significa barato; em muitos casos, significa pagar mais para gastar menos no uso diário.

Para quem quer acompanhar preço e revenda, vale olhar FIPE e IPVA antes de decidir. Em carro eletrificado, essa conta pesa ainda mais porque a desvalorização pode ser diferente da de modelos a combustão tradicionais.

BYD Blade e a conta da bateria

O briefing cita a bateria Blade da BYD com 5.000 ciclos completos. Em tese, isso poderia passar de 1,5 milhão de km se o carro rodasse 300 km por carga em toda a vida útil. Só que essa conta é teórica: temperatura, recarga rápida, profundidade de descarga e envelhecimento natural mudam bastante o resultado real.

Para o comprador, o ponto importante não é a conta de laboratório, e sim a garantia, a rede de assistência e o custo de substituição fora da cobertura. Aqui a marca precisa provar que o pós-venda acompanha a expansão comercial. Sem isso, o preço inicial bonito perde força na hora da revenda.

Mais informações sobre a expansão da rede e dados institucionais podem ser conferidas no site da ABVE, referência do setor no país.

O que isso muda para o consumidor

O avanço dos eletrificados muda a forma de comprar carro no Brasil. O cliente já não pergunta só “quanto faz por litro”, mas também se consegue carregar em casa, quanto custa o seguro e como fica a revenda daqui a dois ou três anos. Isso vale tanto para elétrico puro quanto para híbrido.

Outra mudança é o perfil de compra. A faixa de 40 a 60 anos lidera, o que derruba a ideia de que carro eletrificado é só para entusiasta de tecnologia. Hoje ele entra na garagem de quem quer custo de uso mais previsível e aceita pagar mais na compra para gastar menos depois.

Perguntas frequentes

Eletrificado e elétrico puro são a mesma coisa?

Não. Eletrificado é um guarda-chuva que inclui híbridos, híbridos plug-in e elétricos puros. Para o consumidor, isso muda tudo: nem todo eletrificado depende de recarga externa.

25% das vendas da Viamar representam o Brasil?

Não. É um recorte da rede do grupo, que atende um perfil de cliente e região específicos. O dado nacional mais confiável é o da ABVE.

Carro elétrico realmente sai mais barato por quilômetro?

Na maioria dos casos, sim. Mas a economia depende do preço da energia, do combustível e da forma de recarga. Em casa, o custo costuma ser bem menor.

O consumidor deve se preocupar com revenda?

Sim. Em eletrificados, revenda, assistência técnica e disponibilidade de peças ainda pesam bastante, principalmente em marcas novas ou com rede menor.

Vale olhar o histórico do carro antes de comprar?

Vale, especialmente em seminovo. Uma consulta pela placa pode mostrar sinistro, gravame ou passagem por leilão, pontos que mudam o valor real do carro.

Onde o leitor encontra os dados oficiais de mercado?

Além da ABVE, fabricantes e entidades como Fenabrave e Inmetro publicam números e homologações úteis para comparar modelos e consumo.

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