Bateria sólida da Nissan: Meta de 2028 e custo menor

Por Verificar Auto 08/06/2026 às 08:39 6 min de leitura
Bateria sólida da Nissan: Meta de 2028 e custo menor
6 min de leitura

A bateria sólida da Nissan segue no calendário para 2028. A marca japonesa diz que vai estrear a tecnologia em produção comercial no ano fiscal de 2028, com custo de US$ 75/kWh na largada. A seguir, você vê o que já está confirmado, o que muda no preço dos elétricos e onde o Brasil entra nessa história.

Não é a bateria da Gelion.

Esse ponto importa porque muita gente misturou dois projetos diferentes. A meta de 2028 está ligada à bateria sólida própria da Nissan, chamada ASSB, e não à parceria paralela com a Gelion para pesquisas com enxofre nanoencapsulado.

2028 segue de pé, mas a tecnologia é outra

A Nissan mantém o plano de colocar carros elétricos com bateria de estado sólido em produção comercial entre abril de 2028 e março de 2029. O desenvolvimento acontece na planta piloto de Yokohama, que iniciou operação em março de 2025.

A parceria com a Gelion existe, mas corre em outra pista. Ela envolve estudos com baterias de enxofre, sem data pública de produção em massa amarrada ao cronograma de 2028.

Traduzindo: quem ligar a estreia de 2028 ao projeto Gelion está juntando assuntos diferentes. O programa que a Nissan trata como peça central para 2028 é o ASSB, tecnologia própria da marca.

Nissan Leaf em carregamento rápido no Brasil, foto horizontal mostrando frente do carro e eletroposto
Nissan Leaf em carregamento rápido no Brasil, foto horizontal mostrando frente do carro e eletroposto (Reprodução)

O que a Nissan já cravou na ficha

A receita dessa bateria é bem diferente do pacote de íon-lítio atual. A Nissan fala em ânodo de lítio metálico, eletrólito sólido à base de sulfeto e cátodo NMC ou NM, com eliminação futura do cobalto.

Na prática, isso pode entregar mais energia no mesmo espaço. A densidade volumétrica alvo é de cerca de 1.000 Wh/L, contra algo próximo de 700 Wh/L nas baterias de íon-lítio usadas hoje.

Item Dado confirmado
Tipo Bateria de estado sólido (ASSB)
Ânodo Lítio metálico
Eletrólito Sólido à base de sulfeto
Cátodo NMC ou NM
Densidade energética Cerca de 1.000 Wh/L
Custo alvo inicial US$ 75/kWh
Custo alvo futuro US$ 65/kWh
Recarga Até 3 vezes mais rápida que a íon-lítio atual
Segurança Sem líquidos inflamáveis, com maior resistência térmica
Planta piloto Yokohama, Japão
Protótipo Esperado para 2027

Recarga mais rápida também entrou na conta. A Nissan fala em velocidade até três vezes maior que a das baterias atuais de íon-lítio.

Faz diferença? Muita. Tempo de recarga ainda trava compra de elétrico no Brasil, principalmente para quem mora em prédio ou depende de carregador público.

Outro ganho está na segurança térmica. Como o sistema elimina líquidos inflamáveis, a arquitetura tende a lidar melhor com calor e risco de fuga térmica.

Bateria sólida da Nissan — em destaque
Bateria sólida da Nissan — em destaque (Reprodução)

US$ 75/kWh mexe no preço final

Esse número é o mais forte da notícia. Bateria cara ainda é o principal motivo para carro elétrico continuar pesado no bolso, mesmo quando o motor elétrico simplifica manutenção.

Hoje, muitos projetos só começam a ficar mais competitivos quando o custo por kWh cai. Se a Nissan realmente lançar o ASSB em US$ 75/kWh e depois descer para US$ 65/kWh, ela encosta em um patamar que pode derrubar o preço final do carro.

Não significa milagre na concessionária no dia seguinte. Imposto, câmbio, logística e escala de produção continuam pesando, especialmente no Brasil. Mas a conta industrial melhora bastante.

Tem mais um detalhe. Mais densidade energética pode reduzir volume do pack ou aumentar autonomia sem inflar tamanho e peso do carro.

Aí entra uma cautela necessária. Circulam projeções de autonomia acima de 1.000 km em publicações internacionais, mas isso não foi confirmado oficialmente pela Nissan como especificação garantida para o carro de estreia.

No Brasil, a Nissan ainda corre atrás

Enquanto BYD e GWM aceleram, a Nissan segue discreta no mercado elétrico brasileiro. Hoje, o único elétrico da marca à venda por aqui é o Leaf, já veterano diante da nova concorrência chinesa.

Nissan Leaf no Brasil Referência atual
Preço 0 km em 2026 R$ 229.990
Bateria 62 kWh
Autonomia Inmetro 362 km
Potência 214 cv
Torque 34,7 kgfm
Recarga rápida DC Cerca de 40 min de 20% a 80%
FIPE referência 2024 R$ 144.478

R$ 229.990 num hatch elétrico já não assusta como antes, mas também não empolga. O Leaf virou um retrato claro de como preço, autonomia e velocidade de recarga envelhecem rápido nesse mercado.

O mercado brasileiro está longe de parado. Segundo a Fenabrave, os elétricos somaram 79.772 unidades em 2025, alta de 29,6% sobre 2024.

E a Nissan não aparece entre as cinco líderes. Por que a marca precisa acertar a mão quando essa nova bateria virar produto de verdade.

Bateria sólida da Nissan — vista lateral
Bateria sólida da Nissan — vista lateral (Reprodução)

Protótipo vem antes, carro de rua depois

A marca já trabalha com a expectativa de mostrar um protótipo em 2027. O modelo de produção, porém, ainda não foi revelado.

Nem o mercado de estreia foi confirmado. Japão, Europa e Estados Unidos aparecem como candidatos naturais, mas a operação brasileira não recebeu anúncio de cronograma local.

Quem compra elétrico no Brasil hoje quer resposta simples: vai chegar aqui e vai custar quanto? Essa parte continua em aberto.

A Nissan publica seus avanços de eletrificação e da tecnologia ASSB em seus comunicados globais oficiais. Até aqui, o discurso está mantido: produção comercial em 2028, protótipo antes disso e corte forte no custo por kWh.

Se sair do papel como a Nissan diz, a marca pode voltar para a conversa séria dos elétricos. Se atrasar, 2028 vira tarde demais num mercado que muda a cada trimestre — e o Leaf de R$ 229.990 fica parecendo ainda mais caro do que já parece.